Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

O regresso de Fukuyama

  Paulo Casaca

Com "O Fim da História", Francis Fukuyama passou da categoria de anónimo politólogo americano a um dos mais mediáticos pensadores políticos contemporâneos, posição em que, duas décadas depois – “O Fim da História” foi editado em 1989 e refere-se a 1989 – continua a ocupar a par de outros, como Thomas Friedman e Fareed Zakaria, e é de leitura obrigatória, para quem se interessa por política internacional.

Depois de, se não me engano, há dois anos, ter feito o epitáfio do neo-conservantismo (de que ele foi um dos mais conhecidos autores), Fukuyama surge de novo em posição de destaque, a propósito da nova vaga de preocupações com o renascimento do autoritarismo post ou proto-comunista da Rússia, China ou Venezuela (Washington Post, editado pelo Público de 31 de Agosto).

A mensagem de Fukuyama é, como sempre, clara, simples e directa e, na minha opinião imprescindível no actual momento político: é preciso fazer a distinção do autoritarismo não ideológico em relação às ideologias do autoritarismo (resumo da minha responsabilidade).

O nacionalismo russo, da mesma maneira que o chinês e que a demagogia de Chávez, por pouco recomendáveis que sejam e por mais problemas que nos tragam, não são [ou não são por agora, na minha opinião] construções ideológicas passíveis de se erguer em oposição aos valores da democracia liberal, "o único verdadeiro rival da democracia no campo das ideias, actualmente, é o islamismo radical. De facto, uma das mais perigosas nações-Estado do mundo hoje em dia é o Irão, controlado por mullahs xiitas extremistas" (Fukuyama, op. cit.).

Se mudarmos "uma das mais" por "a mais" temos o que eu tenho andado a dizer há vários anos e exactamente pelas mesmas razões que nos são agora apresentadas por Fukuyama.

Se Fukuyama quiser continuar a sua linha de raciocínio, talvez venha a entender melhor a razão de ser da falência do neo-conservantismo e do desastre político que a precipitou (a operação iraquiana), que é precisamente o de confundir um ditador em fim de linha com o único desafio consistente e real aos valores civilizacionais modernos.

Por enquanto, a mensagem de Fukuyama parece-me essencial: o Ocidente, e muito em particular o Estado-Maior americano, estão outra vez a errar completamente a pontaria ao disparar para Moscovo, e se continuarem por este caminho, vão conduzir-nos a desastres semelhantes aos que nos levaram quando resolveram fazer explodir Bagdade.

Tenho pelas democracias o respeito crítico que foi celebrizado por Churchill, e entre as virtudes que não lhe reconheço é a da imunidade à miopia e insensatez.

publicado por nx às 10:49
link do post | comentar | favorito
|

Colaboradores

Paulo Casaca
Walid Phares
Raymond Tanter
Thomas McInerney
Alireza Jafarzadeh
Matthias Küntzel

posts recentes

A Europa e o Terrorismo

Paulo Casaca promove deba...

Paulo Casaca promove disc...

Ethnicity and Human Right...

Protecção do Campo de Ash...

O regresso de Fukuyama

Visita ao Iraque

Paulo Casaca orador em co...

Exemplo da Tunísia

E depois de Beirute?

O Hezbollah e a lista da ...

O relógio nuclear não pár...

Hipocrisia

Ameaças de Ahmadinejad

Paulo Casaca representa P...

Reviver Praga

A ameaça de holocausto nu...

A nova esquerda europeia ...

1948/2008 - 60 ANOS DA CR...

Testemunhos de Coragem

Judeofobia na Galiza

Paulo Casaca fala sobre “...

Reactor nuclear sírio

Paulo Casaca condena regi...

Paulo Casaca em várias in...

Os motins da fome

O Irão e a Al-Qaeda

60º Aniversário do Estado...

Paradoxos Iraquianos

A Mesquita de Al-Azhar

Notas soltas sobre o Jorn...

Conferência Internacional...

Conferência no Second Lif...

Novo livro de Walid Phare...

Conferência Internacional...

O velho Cairo e os novos ...

Paulo Casaca defende o re...

Paulo Casaca no “National...

Paulo Casaca em Washingto...

Irmandade Muçulmana na Eu...

Angelina Jolie e o Arcebi...

Resistindo à Lei islâmica

Exile Group Claims Iran I...

A manipulação dos direito...

Conferência promovida por...

A geopolítica do Gás

Protesto de Paulo Casaca ...

O sapatinho branco

European Friends of Israe...

Paulo Casaca assinala “Di...

arquivos

Setembro 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

tags

todas as tags

Petição

Stop The Bomb

links


Powered by WebRing.

pesquisar

 
blogs SAPO

subscrever feeds