Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Tribunal intima Governo britânico a respeitar Organização dos Mujahedines do Povo do Irão

Paulo Casaca aplaude vitória da justiça sobre a tirania

 

O Deputado Paulo Casaca congratulou-se, esta sexta-feira, com a decisão da justiça britânica de intimar o Governo do Reino Unido a retirar, com efeitos imediatos, a “Organização dos Mujahedines do Povo do Irão”, da lista de organizações terroristas.

 

A leitura da sentença do processo, interposto por um conjunto de 35 parlamentares britânicos, decorreu esta manhã em Londres e põe fim a sete anos de restrições colocadas à principal organização de oposição ao regime ditatorial iraniano considerando a sua proscrição como nula e sem base jurídica.

 

Recorde-se que, por exclusiva iniciativa do Reino Unido, e na sequência da decisão que foi agora anulada, a União Europeia listou a OMPI como organização terrorista. Recorde-se, igualmente, que essa decisão foi, por sua vez, também anulada pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, a 12 de Dezembro de 2006, mas o Conselho recusou-se a cumprir essa decisão, pendendo por isso um processo contra este por desobediência à justiça.

 

Paulo Casaca considerou que “a decisão da justiça britânica torna ainda mais absurdo e insustentável o desrespeito pela decisão do Tribunal Europeu por parte do Conselho”.

 

O parlamentar português salienta que “não basta anular a decisão de perseguir as vítimas do terrorismo, apelidando-as de terroristas, mas é agora necessário também combater os verdadeiros terroristas, que são os Guardas Revolucionários do Irão e as suas várias organizações satélite e associadas no Iraque, Líbano, Síria, Palestina, Yemen, Somália e Afeganistão, invertendo a política de apaziguamento para com o fanatismo e terrorismo internacional”.

Mulheres combatentes dos Mujahedines do Povo
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Democracia e terrorismo: os equívocos iraquianos

   Paulo Casaca

[28-11-2007] Foi com o maior atentado terrorista até hoje cometido que o presidente norte-americano deu uma volta completa ao seu discurso e programa de acção. De um programa muito próximo da tradição isolacionista republicana temperada por algum intervencionismo "real-politik" com que se tinha apresentado ao eleitorado passou para a problemática da democracia no Médio Oriente como forma de combate ao terrorismo.

Essa viragem, que foi apenas esboçada com a intervenção no Afeganistão, em que, mais do que qualquer preocupação ideológica, o bom senso realista ditava que não era possível tolerar a organização de operações de guerra como a do 11 de Setembro a partir de um Estado legalmente constituído, assumiu-se na sua plenitude com a operação militar do Iraque e o aumento da pressão sobre todo o Médio Oriente no sentido da democratização.

Se bem que seja ainda cedo para fazer um balanço final dessa política, não há hoje ninguém, incluindo George Bush, que não tenha concluído que ela até agora falhou espectacularmente.

Muitas razões foram avançadas até hoje para explicar o falhanço, mas ninguém parece ter até hoje olhado com atenção para o aspecto essencial da equação: a forma como o terrorismo foi promovido em nome da democracia no Iraque.

É certo que já em 2005 o relatório oficial do Congresso Norte-Americano sobre o 11 de Setembro concluía que não se tinha provado nenhuma relação orgânica entre o regime de Saddam e a "Al-Qaeda", contrariamente ao que se poderia constatar acontecer entre essa organização e o Irão. Realmente, quem olhar para a principal biografia não autorizada de Zarkaoui (Brisard, Jean-Charles, Zarkaoui, Le nouveau visage d'Al-Qaida, Fayard, 2005) constata que este passou os anos que antecederam a formação da "Al-Qaeda no Iraque" entre o Irão e a Síria. A opinião de que a "Al-Qaeda no Iraque" obedece a Teerão é, de resto, unanimemente partilhada pelos dirigentes de todas as facções parlamentares iraquianas que são conhecidas como "sunitas" e que são, não por acaso, o alvo privilegiado desta organização.

O terrorismo – tal como definido pelo antigo secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan, como violência política dirigida contra não combatentes – ultrapassa em muito o quadro desta organização mais mediática, e tornou-se um verdadeiro fenómeno de massas no Iraque quando um dos líderes das brigadas Badr (Bayan Jabr) se tornou Ministro do Interior e promoveu o rapto, tortura e execução de milhares de civis pelas brigadas infiltradas nas forças de segurança, utilizando para isso não só os recursos oficiais mas também uma extensa rede de cárceres privados.

As brigadas Badr são identificadas – no que a meu ver continua a ser a melhor obra global sobre o fanatismo terrorista fanático (da autoria da equipa dirigida pelo juiz Galeano como acusação pelo atentado terrorista de Buenos Aires de 1994, e que neste particular toma acertadamente o maior especialista teórico na matéria, Bruce Hoffman, Inside Terrorism) – como a primeira organização de "terrorismo religioso".

Fundadas, organizadas, dirigidas e financiadas no Irão, e de resto constituídas e dirigidas em larga medida por nacionais iranianos, tendo por primeiro dirigente nomeado pelo Ayatollah Khomeiny, o actual responsável pelo sistema judiciário iraniano, Hashemi Shahroody, as brigadas Badr são a organização gémea do Hezbollah libanês.

Tal como testemunhado por dirigentes da resistência iraniana Ahwazi, as casernas de ambas as organizações situavam-se lado a lado no Ahwaz (Sudoeste do Irão, maioritariamente árabe) e eram treinadas ideológica e militarmente pelos mesmos guardas revolucionários iranianos.

O Hezbollah libanês, recorde-se, foi de longe a organização que mais cidadãos norte-americanos matou até ao 11 de Setembro. O líder do Hezbollah libanês, Husseini Nazrallah é primo direito de Bakr Al-Hakim, dirigente do "Conselho Superior da Revolução Islâmica no Iraque" (SCIRI, no acrónimo inglês) ramo político das brigadas Badr durante a invasão de 2003.

A Resistência Iraniana revelou recentemente a lista nominativa de 31.690 operacionais das brigadas Badr que já antes de 2003 eram simultaneamente membros do destacamento Jerusalém dos Guardas Revolucionários Iranianos (departamento iraniano para o terrorismo no exterior) e que continuam a ser pagos enquanto tal. 

As brigadas Badr – ou o seu ramo político SCIRI – constituíram o núcleo duro das forças "iraquianas" organizadas pelos EUA para tomarem conta do Iraque após a invasão, lado a lado do "Congresso Nacional Iraquiano", organização que apesar de contar com muitos expatriados iraquianos democratas era dirigida por Ahmed Chalabi, figura próxima de Teerão. Da mesma coligação fizeram parte também as forças curdas.

Charles Glass (The Northern Front, A wartime diary) explica a organização dessas forças no Curdistão iraquiano no final de 2002, entradas pela fronteira com o Irão sob escolta dos guardas revolucionários iranianos. Quando da invasão, Glass estima em 3.000 homens os efectivos das brigadas Badr no Curdistão.

A revista Time (Time Magazine, 22 de Agosto, 2005 vol. 166 nº 8) descreve a forma como os muitos milhares de membros das brigadas Badr procederam à ocupação efectiva do Sul do Iraque na retaguarda do avanço americano. De facto, foi logo a partir daí que estas ocuparam posições nas administrações públicas e começaram a execução sumária dos opositores.

Lado a lado com o SCIRI, os EUA colocaram também no poder o partido Al Dawa, movimento político iraquiano relativamente antigo com numerosas facções, quase todas elas com fortíssimos laços com Teerão.

O Al Dawa tornou-se internacionalmente conhecido pelo ataque terrorista que desencadeou contra a Embaixada dos EUA no Kuwait por encomenda iraniana em 1983. Há dias, esse evento foi recordado quando as autoridades kuwaittianas pediram a extradição de um dos condenados por esse ataque terrorista, Jamal Ebrahimi (também conhecido pelo seu nome de guerra, Abu-Mohandes) actualmente deputado e dirigente da chamada coligação xiita no Iraque, colega de partido do Primeiro-Ministro do Iraque e que se acolheu no Irão quando o pedido de extradição foi endereçado às autoridades iraquianas.

Quem ler a biografia não publicada de Nouri Maliki, actual Primeiro Ministro iraquiano pelo partido Al Dawa, verá também que este esteve de 1979 a 1987 no "Shahid Sadr Hezb al-Dawa" batalhão estacionado no Ahwaz e, sob a supervisão dos guardas revolucionários iranianos, responsável por ataques terroristas como o de 1983 no Kuwait.

Paralelamente a estas duas facções, a coligação xiita no poder no Iraque tem ainda como forças mais importantes duas milícias conhecidas pelas actividades terroristas que, contrariamente às outras duas, têm também por alvo directamente as forças norte-americanas.

Para além do terrorismo promovido pela Al-Qaeda e pela aliança xiita, existe também a violência e actos de terrorismo promovidos pela chamada resistência, que tem apoio na camada da população designada por sunita e que, hoje em dia, se assume tanto como resistência contra a ocupação declarada americana como contra a ocupação não declarada iraniana.

Se tivermos em conta que a coligação iraquiana no poder depois da invasão terá saneado cerca de dois milhões de funcionários, entre os quais centenas de milhares de membros das anteriores forças de segurança – que constituíram portanto uma fonte de recrutamento privilegiada para essa resistência – podemos compreender como ela é fruto directo da mesma política com que foi gerida a ocupação do Iraque.

Os dirigentes americanos têm-se esforçado para tapar o Sol com uma peneira, recusando reconhecer a evidência de que (1) a razão pela qual existe uma encarniçada resistência no Iraque mais do que à maldade congénita do baathismo, se deve ao facto de não ter sido dada outra alternativa às elites dirigentes do país; (2) tal como no Irão, os discursos simpáticos de alguns dirigentes dos partidos pró-iranianos são apenas a outra face do terrorismo promovido pelos seus colegas de coligação, não havendo entre eles qualquer divergência substantiva. As principais organizações iraquianas que os EUA chamaram para "democratizar" o Iraque são organizações fanáticas, dirigidas por Teerão, envolvidas em actos de terrorismo, nomeadamente contra alvos americanos.

A verdade nua e crua é assim a de que as forças da coligação ocidental promoveram a destituição de um ditador e a destruição do Estado iraquiano – um e outro sem ligações ao terrorismo fanático contemporâneo – fazendo-os substituir pelas principais forças do terrorismo, paradoxalmente, em nome da "luta contra o terrorismo" e da "promoção da democracia".

Para além das inevitáveis teorias da conspiração que se alimentam deste encadeamento extraordinário de factos, e ao fim de vários anos que tenho dedicado a tentar perceber este fenómeno, cheguei à conclusão de que ele se deve acima de tudo à ignorância ocidental sobre a realidade do Grande Médio Oriente, que o tornou presa fácil da manipulação.

Recentemente George Bush começou enfim a dar sinais muito ténues de querer entender a realidade do Iraque, afirmando a necessidade de uma estratégia de "containement" do regime iraniano, prendendo mesmo alguns iranianos ou de obediência iraniana com lugares ministeriais, estratégia que qualquer elementar bom-senso ditava que tivesse seguido desde o início.

Para que a estratégia da "democracia para o Médio Oriente" possa vir a ser retomada e para que haja um futuro para o Iraque é essencial deixar de tratar os que querem a democracia como terroristas, e os terroristas como os que querem a democracia.
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

A violência interna praticada pelo regime iraniano



Prisões e brutais ataques em Teerão no passado dia 25 de Novembro. Forças de segurança do regime iraniano invadiram habitações e prenderam 427 homens à frente das mulheres e filhos usando o pretexto da luta anti-droga.
These are recent pictures of the Iranian regime's security forces attacking people's homes in Tehran. In these operations, 427 people were  brutally arrested in front of their children and wives under the pretext of  fight against drug trafficking.
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Triple Entente or Dual Alliance


Professor Raymond Tanter and Thomas McInerney, Lt. Gen. USAF (Ret)

 

[21.11.07] In 1776, Benjamin Franklin went to Paris as America’s first ambassador to gain support for American independence. Franklin convinced Paris to recognize U.S. independence from Britain and concluded an alliance. Scholar Leo Lemay wrote: “There is no doubt that America would not have won the Revolutionary War against Britain without France's financial and military aid and that Franklin was almost entirely responsible for obtaining that aid.”

 

Now Washington again needed Paris during the first State visit of President Nicolas Sarkozy to America. Sarkozy’s visit advanced the cause of American-French relations almost as much as the sojourn of Benjamin Franklin. This time around, Paris can play a role in unison with Washington and London, instead of in conflict with London, as during the Revolutionary War. At issue, however, is whether London will join a “triple entente” with Paris and Washington or allow a new “dual alliance” to isolate the British.

 

On the Bush-Sarkozy agenda was policy on Iran. But Washington cannot solve a growing crisis with Iran on its own and needs assistance from Paris and London to fashion a transatlantic policy. The European Union (EU) maintains leverage over Iran in trade, credits, and investment. EU member states constitute Iran’s main trading partner, with a 35% total market share; the EU supplies 44% of Iran’s total imports.

 

Both presidents agreed that with the bomb, an Iranian regime driven by aggressive Islamist ideology would create an unprecedented international crisis. So far, however, Iran’s nuclear clock ticks faster than stalled Western diplomacy.

 

Consistent with the Sarkozy position that, "Iran represents the most important problem on the international scene," on October 25, Washington blacklisted the Islamic Revolutionary Guards Corps and its affiliates because of its tasks: save the clerical regime from its opposition, export terrorism and radical Islamism, suppress the Iranian people, and produce nuclear weapons.

 

Absent a third UN Security Council resolution, France suggested EU members willing to implement sanctions should not wait for others. If the EU, led by Paris, would impose Washington-like sanctions on Tehran, it would make the regime feel pressure of a unified West.

 

This growing relationship between 1600 Pennsylvania Avenue and the Elysee Palace is encroaching upon the “special relationship” between the White House and 10 Downing Street. Hence, it is essential that London join Washington and Paris in a transatlantic trio to enhance sanctions against Iran, with or without a UN Security Council Resolution or EU consensus.

 

And to reinforce the diplomatic front, London, Paris, and Washington should look to the Iranian street. Major anti-government demonstrations in protest of gasoline rationing in June indicate that Iran is rife with disenchantment and ripe for coercive diplomacy.

 

Given growing Iranian instability, consider three options: multilateral diplomacy, unilateral military action, and empowerment of the Iranian people. Empowerment would reinforce diplomacy and make military action unnecessary.

 

Because Tehran has failed to respond to the diplomatic option, EU emphasis on diplomacy is likely to lead to a nuclear-armed Iran, something the United States will not allow. The more Europe stresses a failing diplomatic option, the more Washington moves toward the military option, which Europe correctly wants to avoid.

 

On August 27, President Sarkozy said that increasing sanctions while holding out the possibility of dialogue with Iran was the only policy “that can enable us to escape an alternative that I say is catastrophic: the Iranian bomb or the bombing of Iran.”

 

For coercive diplomacy to work requires the West gain leverage over Tehran by empowering the Iranian people. Empowerment requires an organized resistance movement in the lead not Western-styled regime change, as in the 1953 UK-USA overthrow of the elected government of Iran. The role the Iranian opposition can play is crucial in an Iranian solution to the dilemma of an Iranian bomb or bombing Iran.

 

The Iranian parliament-in-exile, the National Council of Resistance of Iran (NCRI), and the Mujahedeen-e Khalq (MEK) are Iranian opposition groups that threaten survival of the extremist regime in Tehran. A study of regime statements by the Iran Policy Committee finds that Tehran pays attention to the MEK 350% more than all other groups combined.

 

A 16-month review by the United States in July 2004 found no basis to charge members of the MEK in Iraq with violations of American laws, though the group is listed as a terrorist organization by the State Department. Interviews by officials from State and FBI did not produce any basis to indict MEK members. In July 2004, General Geoffrey Miller, then deputy commander in Iraq, announced MEK members as protected persons by the United States, under the Fourth Geneva Convention, providing them new rights.

 

And because the NCRI is not on the EU list, London and Paris are in a position to convince Washington to remove the NCRI from the State Department list. Indeed, Washington is considering whether to remove the NCRI from its terrorist lists; hence, Sarkozy has an opportunity to help Bush move in the direction the White House is already moving. Now is the time to reinforce unilateral American sanctions against Tehran with a common western approach, led by London, Paris, and Washington, to empower the Iranian people via their opposition groups.

 

Ambassador Benjamin Franklin would be proud to see President Sarkozy advancing the cause of American-French relations, reinforcing diplomacy, and preventing war by empowering the Iranian people to oppose the unelected clerical regime. Such a move would be consistent with the Benjamin Franklin dictum, “Rebellion to tyrants is obedience to God.”

 

Professor Raymond Tanter is a former senior staffer of the National Security Council in the Reagan-Bush White House and is President of Iran Policy Committee. General Thomas McInerney (USAF, Ret.) is former Assistant Vice Chief of Staff of the Air Force and Chair of the Iran Policy Committee Advisory Council.
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

O desastre nuclear como solução ambiental

  Paulo Casaca

[Estrasburgo, 15.11.07] Todo o fanatismo, ou mesmo apenas falta de rigor e isenção, corre frequentemente o risco de provocar o efeito contrário daquele que é pretendido, e o mesmo me parece estar agora a acontecer com o discurso do "aquecimento global".

Quando, creio que há já mais de um ano, vi o Presidente da Comissão Europeia fazer um inflamadíssimo discurso de alerta quanto ao aquecimento global, confesso que fiquei algo desconfiado, não só porque nunca tive oportunidade de ver idêntica preocupação por parte do anterior Primeiro-Ministro, como pela clara desproporção da preocupação em relação aos vasto conjunto de temas ambientais com que nos deveríamos preocupar.

Comecei então a tomar nota de que a energia nuclear se tornou cada vez mais presente nos discursos como a única solução realista para este grande flagelo do aquecimento global culminando mesmo com a recente aprovação pelo Parlamento Europeu de uma resolução (com o meu voto de vencido, naturalmente) onde se afirma que, e cito:

Constata que a energia nuclear constitui no momento presente a fonte de energia com emissões de CO2 mais baixas na Europa e salienta o papel que a energia nuclear poderá vir a desempenhar na luta contra as alterações climáticas.

E mais adiante:

Salienta que as decisões a curto e médio prazo relativas à utilização da energia nuclear afectarão também directamente os objectivos em matéria climática que a UE pode estabelecer com realismo.

Se a vida na terra, e mesmo a humanidade, já sobreviveu a muitas, profundas e repentinas mudanças climáticas, a experiência está por fazer quanto à proliferação de explosões nucleares acidentais ou provocadas.

E o problema que o discurso europeu coloca é o de ignorar que a fronteira entre os domínios civil e militares é cada vez mais ténue e o de fomentar o aparecimento em todo o mundo de Ahmadinejad's de pequena, média e grande dimensão virtualmente impossíveis de controlar.

Note-se também que se há coisa segura é a de que os stocks existentes na natureza de matéria-prima para combustão nuclear são ainda mais exíguos que os resíduos fósseis. Como podem eles nesta circunstância ser alternativa durável para combater o aquecimento global?

O mundo contemporâneo tornou-se prisioneiro das estratégias de marketing de choque, espécie de versão mediática da blitzkrieg. O que interessa é impressionar, por um determinado período mínimo de tempo, mesmo se à custa da verdade, do equilíbrio e do bom-senso. Uma das primeiras operações contemporâneas neste domínio resultou no presente desastre iraquiano. Onde nos conduzirá esta campanha pelo nuclear "ambiental"?

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

From Berlin to Baghdad

  Paulo Casaca

1. The end of the beginning

The convenient beginning is the end, the famous "end of history" of Francis Fukuyama, the convenient end being the beginning, the real beginning of a new era of democracy, tolerance, respect and freedom.

The crumbling of the Soviet regime surprised the vast majority of the observers and experts that had to struggle to find a convenient explanation for the sudden end of the longest war ever fought without a single shot (that is, in the main battle field).

Some saw the wisdom in Ronald Reagan tough stance, some others on the long containment policy (trying to forget how disastrously it failed in Southeast Asia, Africa and the Middle East) and Mr. Fukuyama decided to amuse himself using the philosophical Hegelian dialectics of Marxism to explain the failure of its own creation.

Somehow, what can only be read as an act of humour, became the most significant masterpiece on the "post - Berlin wall" doctrine, and most in the West decided to believe in the charade that made the advent of democracy so dead certain as the socialism and communism had been in the historic determinism of the Hegel-Marx cocktail (whose main cook was actually Stalin).

So democracy was to rule everywhere, if you would just allow the forces of history to carry out their job.

Right from the start, democracy had indeed a no-go area: the Greater Middle-East. There, Gulf oil than whatever else, Palestinian interests were thought to be defended by curbing Israel, not by assuring democracy and the rule of law, and the Iranian regime got a sudden boost by the threat posed by the invasion of Kuwait by Saddam Hussein.

Nearly two decades after the beginning of the disintegration of the Soviet Empire, democracy actually flourished in places where it had old roots, like in Central Europe, in Chile and other parts of Latin America, it got a nice try in Lebanon with the Cedars Revolution, succeeded spectacularly in Taiwan and South Korea, countries that experienced a phenomenal development in the previous decades, was confirmed in India and found in Brazil a new geopolitical centre, but failed in most of the rest of the World.

Still, the conventional wisdom goes with the historic determinist logic, and nowhere else is this more obvious than in China, where it was assumed that one just had to wait for the average Chinese to get sufficiently rich for the totalitarian state to fall like the old skin of a snake.

In the mean time the possibility of this wealth becoming the motor not only of dictatorship in China but in the rest of the World was never considered. Recent events confirming China as one of the champions of World dictatorships from Burma to Zimbabwe are an evidence of how wealth did indeed become the driving force for dictatorship rather than the reverse.

2. The Iraqi disaster on the making

The so-called neo-conservatives were the ones that diverged from this common wisdom and dared to say that if you want democracy you have to fight for it, and their vision gained a new momentum with September eleven.

Otherwise, with the fall of the Twin Towers, the conventional wisdom of the Middle-East as a no-democracy area also crumbled and the American Giant decided to take matters into its own hands.

So, at this stage, it is important to clarify that I fully subscribe to two of the basic points that emerged in the consensus of that time behind the intervention on Iraq:

1. The Great Middle-East is the present crucial battle ground;

2. Democracy is as good a recipe for the Greater Middle-East as it is for everywhere else.

Furthermore, for some time, I assumed that the Western leadership would understand that Islamic fanaticism was the main issue and, therefore, the intervention in Iraq could be seen as nothing else than as an intermediate step to challenge fanaticism in the region, starting by Iran.

I wrongly assumed that after the 1991 experience, when the advancing American army, looking back, found flags showing Khomeini's portrait, it was common knowledge that the Iraqi operation had to face confront from the start.

Besides that, there were clever and pro-Western Iraqis that had explained the possible ways forward for an Iraqi intervention, such as Adnan Al-Pachachi and Ayad Allawi.

They understood that the Baathist ideology had crumbled, Iraq had been decades before perhaps the most advanced country in the Middle-East (with better economic, social and even political indicators than my own country, Portugal) and it became a disaster with Saddam.

If not a fully-fledged democracy, it would be possible to establish an authoritarian but benign state over there, which would not threat his neighbours, would give a better life to its citizens and could become a platform to face the fanatic beasts.

To do so, you did not need much, as they correctly assessed that the Tikrit clan was ever more isolated and the bulk of Iraq would feel relieved to get read of Saddam Hussein. However, the danger posed by the Iranian led Iraqi forces was the main question that had to be correctly managed.

US departments that have been often accused of being responsible for the major blunders of the country's foreign policy, like the CIA, were backing this perspective, so one could face the future with some optimism, I thought.

That was not to be!

Sensible people were sent to the gutter, adventurers with conspicuous relations with the Iranian theocracy were sent in; the first ever modern terrorist group, created as a special department of the Iranian Revolutionary Guards (the Superior Council for the Islamic Revolution in Iraq) was given space to occupy most of Iraq. One just had to read the existing literature on terrorism to find out about the terrorist credentials of this organisation.

If this was not enough, the post-invasion managed to be much worse. Iranian demands were rapidly and consistently fulfilled, from bombing and killing of its opponents in Iraq; to dismantle the Iraqi State (beginning with the Armed forces and the police); to classify Tribes as "back warded"; and to lavishly subsidise religious structures.

The West promised democracy, but instead, it imposed an Islamic Revolution in Iraq. The autopsy of this blunder is yet to be made, but some sketchy traits are already clear.

Going through recent bibliography about the Iraqi specifically or the US and the UK in relation with the Iraqi operation, one gets an image of a leadership deeply ignorant, incompetent and hooked on action at any price.

This is certainly the fundamental factor to explain how things turned out so badly, but it is not enough.

To find out the real dimensions of the problem, the UK may be a better playground, as the UK leadership can be taken to suffer less of these three diseases. "Occupational hazards" from Rory Stewart is a first hand account of a top civil servant acting as Governor and assistant Governor in two Southern Iraqi provinces in 2003/2004. It shows how the UK actively backed the Iranian occupation of the country, for which the author does not feel any remorse anyway.

It is my conviction that only a large Iranian penetration in the main decision centres of the West can explain what happened.

In other words, for understanding the dimension and reason why of the disaster, one has to assume that, besides the now jailed former Congressman Bob Ney, there are other people in the central structures of power (power in the political, media and civil society dimensions) acting on behalf of the Iranian regime.

Actually, how can we understand that the official policy of the US is still to back Mr. Maliki as Prime-Minister of Iraq after all the evidence he gave that he obeys to Iranian interests?

One can doubt the reports that show him, already in 1983, as the master minder of his party terrorist attacks against the US Embassy in Kuwait, but one cannot ignore the reality that US Generals are witnessing and transmitting from Iraq.

In fact, the US policy is leaning for both two bad options: a military strike on Iran, sponsored by the Defence structure, and the continued appeasement policy, sponsored by the bulk of the rest of the World together with a big chunk of US diplomacy.

3. The third option

The main danger is the Iranian theocracy. The appeasement partisans, the very same that, in the State Department, refused to classify Al Qaeda as a terrorist organisation in 1997 when it was decisive to do so, now says that the US should concentrate on fighting Al Qaeda and not fighting Iran.

This is not taking into account that - both before and after the Taliban interlude - Al Qaeda has been working in Tandem with the Iranian regime, and it has no other strategic perspective than the Iranian theocracy perspective.

Saudi Arabia is the first target of Al Qaeda and it is ludicrous to confuse both of them. Actually, Saudi Arabia promotion of jihadism took place, to a large extent, as a way to compete with Iran as the leading force in Islamic Orthodoxy.

For Saudi Arabia this battle is lost, and it is the survival of the regime that is at stake, not at the hands of the democratic forces, unfortunately, but at the hands of the Iranian stooges.

The situation might change if the Taliban proxies take hold of Pakistan, but we are not there yet.

So, after understanding the geography of the problem, it is also fundamental to understand its nature: it is indeed Islamic fanaticism, a phenomenon that has ideologically survived for a long time and that shows a new and unexpected strength, especially because it has a powerful, developed and skilled country behind it.

A military solution to the problem is certainly even more elusive than it was in Iraq, and we have to come to terms with a reality where a containment policy is the best solution, containment that should start by reversing the existing policy on the Iranian opposition, should continue with smart sanctions - diplomatic to start with - should centre on its eviction from his present number one expansion territory: Iraq, closely followed by the other countries where it is installing itself: Palestine, Lebanon and Syria.

Iraq is a possibility, if we just stop supporting the enemies of democracy, if we assist those who want to keep Iraq together, if we find an intelligent solution to come about Kurdistan, if we involve the Arab League and the Arab Iraqi neighbours, if Europe gets fully engaged, and if the US concentrates on dealing with the Iranian theocracy threat.

Then, we must find a strategy to promote democracy everywhere, with the Greater Middle-East as a top priority. What we learned up to now is that it is much easier to do so when there are democratic traditions, when there is development and a certain level of living standards, but we have to go further than reciting the obvious.

For now, I think it is necessary to bear in mind that democracy does not become a reality just because you hope so and it does not work either just by military means, but we need still to go a long way to have a proper adapted strategy to address the issue.

Brussels, 2007-10-17

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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

O alerta de Thérèse Delpech

    por Paulo Casaca

Depois de "O enselvajamento [ensauvagement no original], o regresso da barbárie no século XXI" editado em 2005, "O Irão, a Bomba e a Demissão das Nações" editado em 2006 (sobre o qual fiz uma recensão crítica no Expresso das Nove, publicada a 20 de Outubro de 2006), o novo livro de Thérèse Delpech, "O Grande Perturbador, reflexões sobre a Questão Iraniana" chegou recentemente às livrarias.

Trata-se de longe a autora que melhor compreendeu e escreveu em língua francesa sobre o perigo civilizacional de primeira importância que representa a teocracia iraniana e a política de apaziguamento do Ocidente em relação a ela.

Com uma escrita notável, uma erudição excepcional em matéria de defesa e segurança, uma clareza de raciocínio e verbo ímpares, a autora conduz neste terceiro livro da trilogia um arrasador libelo acusatório à diplomacia europeia a quem dedica o seu revelador posfácio:

Quem teria dito: "A experiência é uma escola em que as lições são caras, mas é a única em que mesmo os imbecis podem aprender qualquer coisa?" eu mesma não sei muito bem, mas pouco importa: são estas as minhas últimas palavras.

O problema não é necessariamente o da imbecilidade (embora esta também dê uma ajuda) e, contrariamente ao que parece pensar Thérèse Delpech, os diplomatas americanos não se revelaram mais brilhantes, sendo que o desastre iraquiano (de cuja realidade e dimensão a autora não se apercebe) ultrapassa em ignorância, incompetência e irresponsabilidade o pior que já foi produzido deste lado do Atlântico.

Mas, tal como afirma Delpech, nas palavras que antecedem o posfácio:

Neste quadro, onde está a política europeia? Procuramos por ela em vão nas negociações dos últimos anos. O que não impedirá em qualquer caso as nossas capitais de sofrer as consequências das crises nucleares que se perfilam no horizonte. Os erros diplomáticos podem ter efeitos tão desastrosos como os erros militares.

Com a ressalva de que o desastre negocial conduzido pela troika (Reino Unido, Alemanha e França com a inestimável ajuda de Javier Solana) em nome da União Europeia não condiciona apenas aquelas ou outras capitais, mas nos condiciona a todos, a questão é precisamente esta: a estratégia negocial europeia com o Irão foi suicida, e ninguém parece ter a coragem de gritar que o rei vai nu.

O penúltimo capítulo - nesta viagem que estamos a percorrer em sentido inverso por este livro - termina de forma não menos significativa:

No dia em que a situação se tornar realmente alarmante sobre estas duas frentes [Coreia do Norte e Irão] sem dúvida que nos vamos lembrar do que se passou em 2005. Um célebre romance alemão dos anos 1930 chama-se "Os irresponsáveis". Um belo título. Porque não relê-lo? O seu autor é Hermann Broch.

O paralelo com os anos trinta é sistematicamente enfatizado pela autora o que, não sendo naturalmente original, ganha com ela uma nitidez de que não conheço outro exemplo. 


A autora - que tal como no seu livro anterior não se cansa de repetir que só graças à resistência iraniana o Ocidente soube do programa nuclear iraniano - não ousa questionar a política pseudo-anti-terrorista do Ocidente que em vez de classificar o regime iraniano como terrorista, aceitou negociar com ele a classificação de terrorista para o seu principal movimento de oposição, embora este seja um elemento decisivo para entendermos o que aconteceu, também aqui, diga-se de passagem, copiando para pior a política de Daladier/Chamberlain perante Hitler.

Com efeito, quando as diplomacias ocidentais resolveram apelidar de "terroristas" os resistentes checos (e a Checoslováquia era a única democracia oriunda do refazer do mapa da segunda guerra) em obediência aos seus acordos com Hitler, não foi como resposta ao facto de os resistentes checos terem denunciado os planos militares alemães.

Contudo, foi exactamente isso o que aconteceu em relação à OMP, Organização dos Mujahedines do Povo do Irão.

Ponta Delgada, 2007-11-03

publicado por nx às 15:41
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