Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Protesto de Paulo Casaca contra execuções no Irão aprovado por aclamação no Parlamento Europeu

A sessão plenária do Parlamento Europeu reunida em Bruxelas aprovou hoje, por aclamação e esmagadora maioria, um "protesto veemente" apresentado de viva voz por Paulo Casaca pela execução às quatro horas (hora iraniana) desta madrugada de um activista Ahwazi (minoria árabe no Irão) na prisão de Karoon, Zamel Bawi.  

O protesto foi apresentado como alteração oral à resolução que pedia a suspensão dessa execução pelo regime iraniano no contexto de uma Resolução sobre a situação nesse país.

A proposta do socialista constata ser esta a décima nona execução de Ahwazis nos últimos doze meses, e insta o Governo iraniano a pôr termo a outros processos de execução em curso, nomeadamente do cidadão holandês e defensor dos direitos humanos, Faleh Abdulah al-Mansouri, e de dois refugiados reconhecidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, permitindo que os mesmos possam regressar aos seus países de origem.


imagens de execuções públicas no Irão

A resolução agora aprovada refere ainda a decisão do Tribunal de Primeira Instância das Comunidades, de 12 de Dezembro de 2006, relativa à proscrição da “Organização dos Mujahedines do Povo do Irão” (OMPI) ao mesmo tempo que regista a decisão de um Tribunal Superior britânico, de Novembro passado, que obrigou, igualmente, o Governo do Reino Unido a retirar a OMPI da sua lista de organizações proscritas, tendo classificado essa inclusão como “perversa”.

O documento, arrasador para o regime iraniano, designadamente no que concerne a inúmeras violações dos direitos humanos, renova o apelo para que seja assegurado um principio de transparência no que respeita ao programa nuclear desenvolvido pelo Irão, através do fornecimento à Agência Internacional de Energia Atómica de informações claras e credíveis que permitam pôr termo às preocupações que derivam da sua possível utilização militar.

publicado por nx às 14:35
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

O sapatinho branco





Paulo Casaca

Oświęcim, 27-01-08


Vinte e sete de Janeiro de 1945. As tropas soviéticas chegam a Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentração e extermínio construído pela Alemanha Nazi e onde terminaram os seus dias milhão e meio de pessoas, na sua maioria judeus, mas também ciganos e resistentes de várias nacionalidades e ideologias.

As imagens ficaram gravadas para a posteridade, montanhas de corpos esqueléticos que não tinha havido tempo para remeter aos fornos crematórios e muitos outros à beira da morte por fome e doença, descomunais montanhas de sapatos, malas, escovas, objectos pessoais dos exterminados.

Começou aqui o desmontar da máquina assassina mais devastadora de toda a humanidade e da imensa cortina de silêncio que o Nazismo e aqueles que com ele contemporizaram fizeram cair sobre o holocausto.

Alguns dias antes, precisamente a dezoito do mesmo mês de 1945, um jovem judeu, Marian Tursky, que tinha sido remetido ao campo depois da limpeza do gueto de Llodz, a Ocidente de Varsóvia, em Agosto de 1944, era transferido com outros seiscentos judeus.

Sessenta e três anos mais tarde, sentado à minha frente e ao lado do meu camarada e amigo João Soares, no Rubinstein, restaurante da antiga Judiaria de Cracóvia, o agora ancião sobrevivente conta como fez uma marcha contínua de 49 quilómetros, durante duas noites e um dia, até ao próximo entroncamento ferroviário. Muitos não o conseguiram e foram sumariamente abatidos com um tiro na nuca, mas ele continuou até entrar no vagão que o conduziu a Buchenwald, aonde dezasseis dos seus companheiros chegaram sem vida.

De Buchenwald, perante o avanço soviético, passou a Terezin, nos Sudetas, anterior campo de concentração modelo Nazi, onde as tropas soviéticas o iriam encontrar para o levar a um hospital.

No domingo, dia 27, já em Auschwitz-Birkenau, Marian Tursky foi o guia da delegação dos Amigos Europeus de Israel que celebrou o 27 de Janeiro, o dia do Holocausto, com uma homenagem às vítimas do nazismo realizada com uma deposição de flores em Auschwitz e um acender simbólico de velas numa breve cerimónia religiosa em Birkenau e que terminou na pequena sinagoga de Oświęcim, a antiga cidade judaica que se encontra na margem contrária do Sola.

Deslocação num dia cinzento que terminou debaixo de neve, retenho dela, mais do que qualquer outra coisa, o pequeno sapato de criança que ladeava uma pilha descomunal de sapatos em exibição no pavilhão número cinco de Auschwitz.

No processo de selecção que era feito à entrada as crianças nunca tinham hipótese e eram sistematicamente conduzidas às câmaras de gás, e aquele sapatinho branco, tão parecido aos que calçam as meninas que entre nós levam a bandeira do Espírito Santo, era certamente de uma menina dos seus cinco anos, de uma família a quem tinham prometido a relocalização para esconder a solução final.

Sessenta e três anos depois, continua a haver quem insista na negação do holocausto, à frente dos quais se encontra o Presidente da República do Irão, que organizou mesmo com esse objectivo conferências internacionais.

A negação do holocausto por parte de quem assassina os seus opositores políticos, invade e aterroriza os países da região e prepara uma arma nuclear, não é uma atitude académica, é um instrumento indispensável à prossecução de uma estratégia que aposta na destruição de Israel mas que não tenciona ficar por aí.

Ontem como hoje, recordar o holocausto, recusar cair na teia argumentativa do anti-sionismo, homenagear os mortos e trabalhar com os vivos para impedir a repetição do holocausto, são imperativos políticos de primeira importância.

publicado por nx às 14:09
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

European Friends of Israel


Dia Europeu em Memória das Vítimas do Holocausto comemorado pelo EFI
publicado por nx às 15:46
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Paulo Casaca assinala “Dia Europeu em Memória das Vítimas do Holocausto”

O deputado Paulo Casaca integra, este fim-de-semana, uma Delegação dos Amigos Europeus de Israel (EFI - European Friends of Israel) composta por Parlamentares Europeus, Membros de Parlamentos Nacionais e elementos do Knesset, o Parlamento de Israel, numa missão a Auschwitz e Cracóvia, na Polónia, por ocasião das cerimónias do "Dia Europeu em Memória das Vítimas do Holocausto", instituído pelo Conselho em 2002.

 

O primeiro dia da deslocação compreende um encontro de trabalho, em Cracóvia, com o Rabi Michael Schudrich, o líder da Comunidade Judaica local, Senhor Jakubowicz, e o Embaixador de Israel na Polónia, David Peleg.

 

No domingo, a Delegação do EFI, organização de que Paulo Casaca é membro fundador, integrando actualmente a sua Comissão Executiva, visita os Campos de Concentração do Regime Nazi de Auschwitz e Birkenau, onde irá prestar homenagem às vítimas do Holocausto através da colocação de grinaldas de flores nos locais onde se estima que mais de 1,5 milhões de judeus tenham sido exterminados.

 

Para Paulo Casaca, esta missão representa uma oportunidade para reafirmar o compromisso pela defesa dos valores da democracia contra os regimes totalitários, todos os géneros de violência, intolerância, racismo e anti-semitismo no mundo.

publicado por nx às 19:37
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

União Europeia instada a cumprir decisões judiciais em matéria de terrorismo

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou ontem uma Resolução da autoria de Dick Marty que insta a União Europeia a respeitar as decisões judiciais. Na exposição que apresentou à assembleia parlamentar, o relator condena a União Europeia por ter desobedecido à sentença do Tribunal de primeira instância das Comunidades Europeias, de Dezembro de 2006, que anulou a decisão adoptada pelo Conselho, a 21 de Dezembro de 2005, de integrar a “Organização dos Mujahedines do Povo do Irão” (OMPI) na lista europeia de organizações terroristas. O relator conclui ainda que, "com estas acções, o Conselho não está a agir como um Estado de Direito".

 

Recorde-se que, sob proposta do Reino Unido, o Conselho tinha decidido em 2002 a inclusão da principal organização de oposição iraniana, a Organização dos Mujahedines do Povo do Irão, OMPI, na lista das organizações terroristas, e que essa decisão foi anulada por sentença do Tribunal de primeira instância das Comunidades Europeias.

 

Apesar de não ter feito apelo da sentença – que já transitou em julgado – o Conselho não a aplicou. Em processo paralelo, a justiça britânica declarou como procedente um recurso apresentado por trinta parlamentares e lordes britânicos contra a decisão inicial do Reino Unido de remeter para a lista das organizações terroristas a OMPI.

 

Na sentença de 30 de Novembro de 2007, a justiça britânica classificou a atitude do Governo do Reino Unido como perversa, numa sentença inédita no panorama jurídico britânico e internacional, tendo entretanto já rejeitado como improcedente o primeiro recurso apresentado pelo Governo.

 

O relatório do Conselho da Europa junta-se assim às duas decisões judiciais que de forma clara e inequívoca consideraram como completamente infundadas a decisão do Governo do Reino Unido e a sua transposição para a União Europeia e que dão plena razão a todos os que – como o deputado socialista português Paulo Casaca – sempre disseram que esta classificação não tinha qualquer fundamento jurídico ou político válido.

 

Para o parlamentar socialista a classificação como terrorista da principal força de oposição ao terrorismo internacional que tem em Teerão a sua principal base de apoio corresponde a uma lógica perversa de pretender escapar aos efeitos do terrorismo negociando com ele a entrega das suas principais vítimas.

Paulo Casaca voltou a insistir para que a União Europeia exclua da sua lista das organizações terroristas as vítimas do terrorismo e que inclua antes aí a principal força terrorista internacional, que são os guardas revolucionários iranianos bem como as suas organizações satélite no Líbano e no Iraque, como única forma justa, eficaz e equilibrada de combater estrategicamente o terrorismo.  

 

O deputado socialista português considera que é um erro de gravíssimas consequências para a paz no mundo ceder à tentação de obter lucros fáceis em acordos de ocasião negociando com o regime iraniano a inclusão da oposição iraniana em listas de organizações terroristas ou considerar "pacífica" a acção de expansionismo da teocracia iraniana no mundo árabe.

publicado por nx às 13:58
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A contra-ofensiva de Teerão

Paulo Casaca

Um dos aspectos mais interessantes da guerra que se trava entre o Irão e os EUA é o de que os nossos analistas ocidentais estão sempre prontos a descobrir imensas fracturas ideológicas ou de interesses entre os vários membros da nomenclatura teocrática iraniana mas tendem a olhar para os EUA como um monólito, ignorando as evidências que nos dão uma imagem diferente.

De forma obviamente contraditória com todo o discurso e acção política do Presidente americano, um conjunto de americanos com posições importantes em vários departamentos governamentais editou um NIE – National Intelligence Estimate – sobre o programa nuclear iraniano que, para além de contestar o discurso de George Bush, contradizia o anterior documento análogo, editado dois anos antes, sobre o mesmo tema.

Documento inteiramente político, ele dedica-se a tentar demonstrar que o programa nuclear iraniano poderia afinal ter apenas intenções civis, longe de todas as intenções bélicas que anos a fio diplomatas, cientistas e funcionários dos EUA explicaram e garantiram que existiam. Por outras palavras, mais do que um documento contra o Presidente, trata-se de um documento que lança o descrédito sobre toda a política externa americana.

Apesar de tudo, e contra tudo, o Presidente George Bush, cuja credibilidade já não era grande em lado nenhum e menos ainda no mundo árabe, abalançou-se a uma ofensiva diplomática com um único objectivo: criar uma plataforma árabe de oposição ao expansionismo iraniano.

Como não é surpreendente para qualquer observador informado, o primeiro tiro de resposta que recebeu foi do país árabe que é hoje mais controlado por Teerão, ou seja, o Iraque. Aí, em artigo publicado na imprensa londrina, o porta-voz do Governo, Ali Al-Dabbagh, convidou o mundo árabe a construir uma aliança com o Irão contra os EUA.

A peregrina ideia de depor o antigo ditador iraquiano para entregar o país aos grupos terroristas iraquianos controlados por Teerão foi ainda mais inconcebível e de consequências mais desastrosas do que a de ignorar o programa nuclear iraniano, e a realidade continua a dar-nos provas desse facto todos os dias. Mais inconcebível ainda é que os EUA continuem a apoiar esse governo.

Em qualquer circunstância, a resposta de Teerão não se fez esperar, e não se fez só ouvir através dos seus representantes em Bagdade. Entre outras acções, o Governo iraniano despachou para o Parlamento Europeu o responsável pela negociação do seu programa nuclear e para Lisboa o Ministro dos Negócios Estrangeiros, convicto de que o "pragmatismo" levaria a nossa diplomacia a dissociar-se da posição tomada pelo grupo dos chamados 5 + 1 (Conselho de Segurança das Nações Unidas mais Alemanha) em função de alguns obscuros negócios de exploração de gás iraniano.

A contra-ofensiva diplomática de Teerão, até aqui, não resultou, mas nada assegura que não venha a resultar num futuro próximo.

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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Paulo Casaca intervém em debate sobre a situação dos direitos humanos no Egipto

Numa intervenção proferida em Plenário, onde hoje se discutiu uma Resolução sobre a situação no Egipto, Paulo Casaca frisou a abertura evidenciada pelo Chefe da Diplomacia Egípcia para ser ouvido no seio da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, encontro onde o deputado português marcou presença e apresentou algumas questões.

 

Entre as recomendações apresentadas no documento discutido hoje em Estrasburgo, Paulo Casaca preferiu acentuar o facto de aí se encorajar o Governo egípcio a manter o seu compromisso de levantar o estado de emergência em 31 de Maio de 2008 e o regozijo manifestado perante os esforços envidados por aquele país para garantir a segurança na fronteira com Gaza e encorajar todas as partes envolvidas a intensificar o combate ao contrabando através dos túneis existentes na Faixa de Gaza.

 

O parlamentar socialista alertou, no entanto, para a necessidade de serem corrigidas, no plano das relações com o Egipto, situações de violação dos direitos humanos, como seja o facto do candidato presidencial da oposição, Ayman Nour, continuar a cumprir uma pena de prisão de cinco anos.

 

Não há fronteiras nem lugares sagrados onde os direitos humanos não sejam uma preocupação fundamental”, salientou o deputado, lembrando de seguida que o Egipto não pode ser considerado sem ter em conta o posicionamento particular deste país nesta matéria.

 

Em intervenção antes proferida no grupo socialista, Paulo Casaca lembrou a necessidade de se diferenciar a posição do Egipto da de regimes da região onde vigoram as mais brutais ditaduras, como por exemplo o Irão.

publicado por nx às 17:41
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A nossa civilização

Paulo Casaca

Como não podia deixar de ser, o Ano Europeu para o Diálogo Intercultural está também a ser assinalado pelo Parlamento Europeu que, nesse contexto, por iniciativa do seu Presidente, resolveu dar a maior ênfase ao diálogo interreligioso, convidando para usar da palavra nas sessões plenárias dirigentes religiosos muçulmanos, judeus e cristãos.

Tratou-se de um passo de grande alcance mas também de algum risco. Começa porque a cultura não se resume à religião, nem todos se revêem nas religiões, e nem todos se revêem nos mesmos representantes religiosos.

O Islão – por onde se começou – não tem propriamente figuras tutelares como tem a Igreja Católica, e mesmo no Xiismo, cujo clero está organizado de forma mais semelhante à católica, não existe um Grande Ayatollah que seja universalmente aceite como dirigente religioso supremo.

Nesta circunstância, a escolha do Grande Mufti da Síria, Ahmad Bader Hassoun, como o convidado que representa o Islão é, naturalmente, uma escolha melindrosa, como o seria qualquer outra. A tradição sunita é de grande ambivalência no que respeita à relação entre o poder temporal e espiritual, sendo que não existe uma hierarquia religiosa aceite enquanto tal.

Os "Mufti", como qualquer "ullema", começam por ser pessoas com qualificações académicas em matérias de interpretação do Corão, mas têm para além disso poderes temporais em matéria de "Sharia" (ou seja, um poder judicial tal como prescrito por uma leitura textual do Corão) e outras que possam ser cobertas por "fatwas", espécie de decretos canónicos cuja interpretação do âmbito é muito vasta.

Os "Mufti" são normalmente designados pelo poder político – o que não quer dizer que não possam manter a sua independência e pôr em causa o poder político que os nomeia. No caso de Ahmad Hassoun, ele é o antigo mufti de Allepo e também um antigo deputado no regime de Assad, que o nomeou para o presente cargo, pelo que ele é, em larga medida, também um representante do Estado sírio.

O discurso de Ahmad Hassoun foi um discurso virado para a defesa da civilização humana como única – em contraponto à leitura da existência de várias civilizações em choque – e para a defesa da tolerância e do diálogo intercultural, o que me levou naturalmente a aplaudi-lo sem naturalmente me esquecer de lhe perguntar sobre o que ficou por dizer.

Em carta aberta ao Presidente Pöttering, sem questionar a escolha, e respondendo a uma solicitação pessoal da Amnistia Internacional, lembrei-lhe a necessidade de colocar a debate a questão dos direitos humanos na Síria, o que efectivamente aconteceu durante a tarde, juntamente com várias outras que se relacionam com a situação política na região.

Para já penso que a iniciativa começou bem. Veremos como ela vai continuar.

publicado por nx às 11:14
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"Yankee, go home... mas leva-me contigo!"

Esther Mucznik - Público, 2008.01.17
Investigadora em assuntos judaicos

O ódio aos Estados Unidos tem mais a ver com o que eles são do que com o que fazem

"Yankee, go home... mas leva-me contigo!"


Esta expressão do indiano Jairam Ramesh, citada por R. J. Lieber no seu livro A Era Americana, ilustra perfeitamente a ambivalência dos sentimentos que grande parte do mundo nutre pelos Estados Unidos da América. Odiamos o imenso poderio americano, culpamo-lo de todos os males do planeta, execramos a sua proverbial arrogância e brutalidade, a cultura de hambúrgueres e ketchup que invade as nossas mesas e, do alto do nosso cepticismo sofisticado e condescendente, escarnecemos do optimismo messiânico, da religiosidade primária, da estupidez de Bush, do patriotismo básico dos cowboys do lado de lá do Atlântico. Mas, paradoxalmente, não perdemos uma oportunidade para ir ou mandar os nossos filhos para as universidades americanas e vivemos os seus actos eleitorais com uma expectativa apocalíptica, como se o nosso próprio destino fosse selado por elas. Em suma, de uma forma ou de outra, acabamos por partilhar o "sonho americano".


E com razão, porque a verdade é que os EUA são, pelo menos por enquanto, uma potência com um poder inigualável do ponto de vista militar, económico, tecnológico e cultural. A sua tradição de liberdade individual e de igualdade de oportunidades, de fé na democracia representativa, de não-conformismo religioso e de idealismo, fez dos EUA um lugar único de oportunidade. Com apenas 4 por cento da população mundial, representam cerca de 40 por cento da despesa em investigação e desenvolvimento, possuem o maior número das melhores universidades do mundo e produzem a parte de leão dos prémios Nobel em Ciência, Medicina e Economia. É o seu imenso poder e sucesso, despertando ressentimentos e invejas, que está, em grande parte, na base do antiamericanismo global. Dito de outro modo, o ódio aos Estados Unidos tem mais a ver com o que eles são do que com o que fazem.

Vem isto a propósito das eleições presidenciais americanas e da imensa expectativa que as rodeia a nível internacional, cristalizando ódios e paixões desmesurados, sobretudo quando comparados com as possibilidades de transformação real que aquelas representam. Todos temos consciência do peso e da imensa influência da América no mundo. Mas será que o resultado destas eleições, seja ele qual for, mudará substancialmente o exercício do seu poder? As aspirações dos americanos parecem centrar-se na vontade de mudança. Será esse, na opinião da generalidade dos comentadores, o sentido do interesse despertado pelas campanhas do democrata Barack Obama e do republicano John Mac Cain: nenhum dos dois faz parte do que se pode considerar o establishment político.

Obama é, sem dúvida, aquele que inicialmente mais mudaria a imagem dos EUA no mundo: não só por ser negro, não só por ser jovem, mas por um estilo próprio que o distingue dos outros, nomeadamente de Hillary Clinton: menos ideológico, menos "politiqueiro", mais próximo das pessoas, com um discurso virado para o futuro que surge como uma lufada de ar fresco. Também o facto de ter uma origem parcialmente afro-asiática com o pai e o padrasto respectivamente do Quénia e da Indonésia, assim como ele próprio ter vivido na Indonésia e no Havai, permitem-lhe, na opinião do investigador Fareed Zacharia, uma melhor compreensão do mundo porque sabe "o que significa não ser americano".
Isto pode parecer estranho: afinal, tantos e tantos americanos, incluindo políticos, têm uma origem não-americana. Mas o mundo está a mudar rapidamente, com a emergência de países como a Índia, a China, a África do Sul ou o Brasil cada vez mais ricos, fortes e orgulhosos que também disputam o seu lugar ao sol, o que pressupõe uma visão mais abrangente da realidade mundial que tenha em conta as mudanças da relação de forças. Nada garante, no entanto, que a origem não-americana de Obama permita essa compreensão, nem que ela faça realmente a diferença, nomeadamente na política externa. O exemplo do Iraque é, neste aspecto, significativo: Obama promete retirar as tropas americanas em 16 meses e, tal como desde o início se manifestou contra a invasão do Iraque, pronunciou-se igualmente contra a nova política que, desde há um ano e sob a direcção do general David Petraeus, reforçou significativamente a presença americana no terreno - o que, aliás, sempre foi defendido desde o início pelo republicano John Mac Cain. Contrariamente a todos os prognósticos catastróficos, essa mudança de política funcionou e, não sendo provavelmente o único factor, contribuiu para estabilizar e reforçar a segurança no Iraque, permitindo um início de retirada em meados de Julho conforme já anunciado. Ou seja, nem sempre o discurso voluntarista tem uma eficácia prática. Em contrapartida, seria lamentável por parte de Obama deixar a sua campanha resvalar para a vitimização anti-racista - já iniciada a propósito de umas declarações inofensivas de H. Clinton - que só terá como consequência obscurecer o debate político.


A guerra no Iraque estimulou o debate sobre o poder da América e os seus limites e pôs em questão a Estratégia Nacional de Segurança definida pela administração Bush em 2002, que previa a possibilidade de uma acção militar preventiva e, se necessário, unilateral, contra Estados hostis e grupos terroristas, candidatos às armas de destruição maciça; previa também espalhar a democracia e os direitos humanos, em especial no mundo muçulmano. Esta estratégia de 2002, na prática alterada a partir de 2004, foi posta em causa pela realidade no terreno, mas é bom lembrar que ela tinha como fundamento os criminosos atentados de 2001 e a guerra do terror desencadeada pelos djihadistas islâmicos, assim como a impotência das instituições internacionais, nomeadamente das Nações Unidas, de lhe fazerem face. Esses fundamentos persistem e não é por Bush desaparecer de cena que essas ameaças também desaparecerão automaticamente. Muito pelo contrário, a persistência dessas realidades, a que se vieram juntar as criadas no terreno nos últimos anos, determina uma margem de manobra relativamente apertada a quem vier ocupar a Casa Branca. Seria bom reconhecê-lo, ao invés de prometer um céu que não está ao alcance, pelo menos, sem passar pelo purgatório.
publicado por nx às 11:07
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

O petróleo, o dólar e a magia dos números

Paulo Casaca

É a Pitágoras que se atribui a concepção do mundo como derivado dos números, sendo a escola pitagórica largamente caracterizada por esse factor, apesar de serem muitos os domínios em que Pitágoras se afirmou como um símbolo histórico inultrapassável.

Nesta acepção do termo, continuamos todos a ser pitagóricos e, talvez por isso mesmo, ninguém ficou indiferente aos cem dólares por barril de petróleo assinalados com o novo ano de 2008.

Trata-se de um número que já tinha sido largamente descontado e também de um número que resulta não só da alta do petróleo mas como também da baixa do dólar, o que lhe retira grande parte do significado, mas que não deixa de nos impressionar.

O petróleo sobe, e com ele sobem também as matérias-primas agrícolas, como os cereais e a soja e também o ouro, conjunção que se tem observado nas últimas décadas, mesmo se com importantes desfasamentos temporais, e isso é bastante negativo para a economia portuguesa.

Pelo contrário, a descida do dólar, para uma economia como a portuguesa muito dependente de matérias-primas denominadas em dólares é mais uma boa notícia do que uma má notícia, dada a pequenez do nosso movimento exportador para a área dólar.

Indirectamente, e na medida em que a descida do dólar possa ser vista como negativa para a globalidade da economia europeia, ela poderá revelar-se também como negativa para o nosso país, porque ele reflecte acima de tudo o movimento económico registado na União Europeia.

Pela minha parte, não penso que a evolução que estamos a observar e que prolonga aquilo que se tem passado nos últimos anos seja necessariamente negativa.

O que me parece essencial é que esta evolução seja acompanhada dos passos seguintes:

(1) Substancial reforço da energia inteligente, com mais produção económica com menos energia, com mais capacidade de utilizar energias alternativas e fundamentalmente renováveis;

(2) Continuação e possível reforço da capacidade de recirculação de excedentes económicos por parte do Médio e Extremo Oriente de forma produtiva na economia mundial;

(3) Reforço dos mecanismos multilaterais de cooperação e comércio sem reinício de guerras comerciais ou proteccionismos;

(4) Funcionamento das flutuações cambiais como mecanismo corrector de desequilíbrios permanentes, com a baixa do dólar a corrigir os excessos da economia americana, correspondendo a uma real valorização das moedas de países exportadores asiáticos como a China.;

Independentemente do cenário mundial, temos no entanto de ter em conta que, no contexto europeu, o Sul da Europa – e muito em particular Portugal – apresentam sintomas de uma crise de competitividade que não pode naturalmente ser respondida pela via cambial mas que também não encontra outra forma de resposta.

A permanência de défices comerciais externos muito significativos, agravados agora pelo movimento de invisíveis, onde vemos reflectida a realidade de termos cada vez mais imigrantes e de sermos mais devedores ao estrangeiro, é um desequilíbrio que não se pode eternizar, e para o qual temos de encontrar resposta numa dinamização económica que nos continua a faltar.

publicado por nx às 11:15
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

EFI Member Paulo Casaca :"European aid cannot be derailed for terrorist activities"

O deputado europeu Paulo Casaca colocou por escrito à Comissão Europeia a questão sobre que mecanismos estão planeados para assegurar que a ajuda Europeia não seja desviada para a promoção de actividades terroristas nos Territórios Palestinianos, como informa a web do European Friends of Israel:
«At the end of December, a truck was caught at one of the crossing points in Judea and Samaria carrying approximately 6.5 tons of Potassium Nitrate. The Potassium Nitrate was disguised in sugar bags, and was intended for use by terrorists in the Gaza Strip. Potassium Nitrate is a banned substance in the Gaza Strip and the Judea and Samaria region due to its use by terrorists for the manufacturing of explosives and Qassam rockets. The terror organizations disguised the Potassium Nitrate in sugar bags that were marked as being part of the humanitarian aid provided by the European Union. This attempt shows how the terror organizations exploit the humanitarian aid that is delivered to the Palestinian population in the Gaza Strip with Israel's approval.
Paulo Casaca, MEP, Member of EFI, tabled a question to the Commission in order to figure out what are the mechanisms planned to ensure that the European aid is not derailed for promotion of terrorist activities in the Palestinian Territories.»
To read more : Question tabled by Paulo Casaca to the European Commission
publicado por nx às 19:38
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Why Mrs. Bhutto had to die

Walid Phares

[07-12-31] Former Pakistani Prime Minster Benazir Bhutto was murdered because of herpotential actions in Pakistan, by the combined forces of jihadism in that country. In short, they executed her to pre-empt her future war of ideas. This was the bottom line and here is why.

The long-term plan of the Taliban and al Qaeda in Afghanistan during the 1990s was to eventually spread to Pakistan and seize power, and, ultimately after 1999, to seize the nukes, too. Miscalculating on September 11, Osama bin Laden lost Kabul and the jihadi war room crossed into their eastern neighbor. Plan B was then to seize Waziristan and gradually Talibanize the country, grabbing the "doomsday" devices in the end. For the last seven years, the jihadi hydra protected by the fundamentalist tribes, hooking up with the local Islamist movements and with tentacles deep inside the defense and intelligence apparatus, attempted to spread in that direction. President Pervez Musharraf, unable to determine the extent of radical influence in his own services, moved slowly and reluctantly on the containment strategies. This lost time resulted in several assassination attempts and allowed a widening of the jihadi networks in the country. Reacting to the breach of national security, he tightened the rope on the opposition, frustrating his secular opponents and alienating the nation's Supreme Court.

The descent into generalized violence was spiraling out of his government's control and working to al Qaeda's satisfaction. Both bin Laden and Ayman al-Zawahiri, as well as Taliban leader Mullah Omar, acting as jihadi supreme rulers of the country, pressed on with calls for assassination and fatwas for regime change. By 2006, Mr. Musharraf was fighting on two fronts: taking on the jihadi forces, including the homegrown ones on the one hand; and dealing with the pressures from his secular opposition on the other hand. From early 2007, as Taliban operatives based in enclaves in the border areas continued to strike inside Afghanistan, al Qaeda's messages beaming out of Pakistan and violence were unrestrained. The United States pressed Mr. Musharraf to change direction.

The advice from Washington (which was endorsed by the West and not opposed by moderate Muslim countries) urged the general (who was also serving as president) to: 1) open up to the opposition and allow the exiles to come back to the country, despite sour past relations; 2) hold general elections and welcome a new democratically elected cabinet; 3) relinquish his command of the armed forces if elected president; and 4) launch an all-out military campaign against Pakistan's Taliban.

Reading the map accurately, Mr. Musharraf heeded almost all suggestions. He allowed former Prime Minister Benazir Bhutto to return and head her large party, although he made it more difficult for her colleague, Nawaz Sharif — Mr. Musharraf's direct political enemy — to proceed as swiftly in his return to the political scene. Mr. Musharraf announced a general legislative election slated initially for next month. He was re-elected as president by the current legislature and resigned from the top military office. And last but not least, he indeed sent several divisions to the frontier valleys to battle the terrorists on their own turf. But by changing direction, he opened a Pandora's box for his government and for the political process he freed.

Former political enemies weren't smooth on reconciling: While Mrs. Bhutto began negotiating with Mr. Musharraf, demanding a purge in the military, Mr. Sharif called for Mr. Musharraf's resignation. In addition, the president of the high court refused to recognize the general's election as president. These turbulences triggered frustrations among the military as it was marching to confront the most lethal enemy in the North-West region. And taking advantage of this dizzying political storm, the jihadi forces launched their urban offensive culminating with the suicidal Red Mosque intifada in Islamabad in the summer. And as Mr. Musharraf was steering the wheels toward political reconfiguration, terror attacks targeted various cities as well as military personnel across the country.

But the return of Mrs. Bhutto to Pakistan sent a positive message to the public and a negative one to the radical Islamists. The daughter of a prominent leader, a member of a political family, a former prime minister in her own right — and, above all, a liberal Muslim woman — Mrs. Bhutto projected the possibility of a leap toward more balanced politics and greater steps toward pluralism — two ingredients for progress toward democracy. Her dialogue with Mr. Musharraf made possible the return of Mr. Sharif and the global march to new elections. The bickering politicians didn't let go of their sour feelings toward each other, but the political process was about to gradually return to the country.

The prospect of the January elections would be good for all parties. The president would be proving that his institutions are solidly democratic, thus legitimizing his own office. The opposition would gain the seats it needed to access the cabinet or become powerbrokers at the assembly. Mrs. Bhutto's Pakistan Peoples Party was projected to be the largest bloc, and through a coalition in parliament, she was to become the next prime minister of this powerful Muslim country. That is precisely why she was murdered.

Indeed, the greatest losers in the upcoming elections, and in any democratic elections mobilizing large and experienced secular forces, would be the Islamists. Their six-party coalition achieved legislative power because of the absence of the secular and democratic forces. Now that Mr. Musharraf isn't in love with the jihadi forces anymore, several assassination attempts later; and after the seculars saw with their naked eyes what the fundamentalists were preparing for the country, the slice of Islamist vote was projected to shrink.

Mrs. Bhutto was the reason for this future political defeat. But beyond these political considerations, it was a war of ideas that the Taliban and their ilk feared the most. It is one thing for the radicals to measure themselves in comparison with the military's authoritarianism. But it is another thing to be blasted ideologically by a woman who would dominate Pakistan's politics. By jihadi standards it was unbearable to see Lady Benazir seizing the premiership of the executive power. A staunch modernist and a genuine Muslim, she would have been their worst nightmare. With her in power, forget about the Talibanization: There would be no suppression of women and no brutalization of minorities. There would be fierce empowerment of civil society. This is why the combined "war room" of al Qaeda, the neo-Taliban and the Pakistani jihadists decided to eliminate her.

In October, Baitullah Mehsud, a Taliban commander in South Waziristan, threatened to kill Mrs. Bhutto upon her return. Mrs. Bhutto was aware of the Taliban and al Qaeda threats but dismissed them. Ata press conference in Dubai in NovemberMrs. Bhutto said "she did not fear 'militants and extremists,' acknowledging that Afghan and Arab militants as well as those of the Red Mosque had threatened her," Dawn TVreported. "She said that threats to her life had been whipped up to 'intimidate me and the people of Pakistan.' " She added, "I don't believe that a true Muslim will attack me. I believe Islam forbids suicide bombings." But the jihadists had previous tried to assassinate her in a prior bombing as she returned to Pakistan in October.

Since then, as she criticized Mr. Musharraf for his political failures, the state of emergency and her house arrest, Mrs. Bhutto nevertheless relentlessly attacked the "radical Islamists," whom she accused of terror and oppression. In those days between the first attempt and her slaughter on Thursday, Mrs. Bhutto acted as the single most influential, courageous and symbolic female leader in the Muslim world. She was waging a war of ideas on her own in the most dangerous jihadi environment on the planet. Had she survived to win the legislative elections, she would have become the most efficient Muslim prime minister in the war against the terrorists.

Benazir Bhutto was stepping into a hornets' nest with her face uncovered. She was executed by the Taliban in a manner that was almost frighteningly reminiscent of the massacre of Afghan women who refused to wear the burka. Now it is up to her party, her followers and her allies to pick up the struggle from where she fell and move forward with her legacy. They need to focus on the greater goal of salvaging democracy by uniting their efforts with the president to hold these elections against all odds, even at a different date, and to back their national army in a global effort to defeat the terrorists.

Pakistan is crossing a dangerous path, but the security stakes are the highest in the world, obviously because of the nuclear weapons. The assassination of Mrs. Bhutto has also another apocalyptic dimension. Since November 2001, bin Laden has revealed that the ultimate goal of al Qaeda is to claim what "is theirs," i.e. the atomic power of the Islamic Republic of Pakistan. Many jihadi leaders have since asserted the duty to equip the caliphate to come with the most powerful armaments in the world. The gradual advance of the Taliban into their eastern neighbor is aimed at reaching those nukes: Either they would infiltrate the intelligence agencies and the army or they would take advantage of chaos and collapse. The attempts to kill Mr. Musharraf and the assassination of Mrs. Bhutto converge into one thread, a maximum violence leading to a coup d'etat by their supporters inside the military. Once the cataclysmic scenario was achieved, the rest is left to dark imagination.

Armed with such devastating power, the suicidal jihadists will have an open field for their missiles, which could target India and the U.S. presence in the region, as well as Europe and the Russian hinterland. Eventually even China would be at their mercy. The alibis are endless as long as there are "infidels" to confront. Hence the world after such a day cannot function peacefully. Because of such an intolerable possibility, Washington, Brussels, Moscow, New Delhi and Beijing, as we speak, should be readying the world for such threats.


Walid Phares is director of the Future Terrorism Project at the Foundation for Defense of Democracies and a visiting scholar at the European Foundation for Democracy.


Este artigo foi o editorial do Washington Times de 31. Dez. 2007: http://www.washingtontimes.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20071231/EDITORIAL/622390676

 

Dr Phares was also quoted in the Editorial Page of the Washington Times today

http://www.washingtontimes.com/article/20071231/EDITORIAL/455751994
publicado por nx às 09:49
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