Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

E depois de Beirute?

  Paulo Casaca

Em menos de 24 horas, as milícias pró-iranianas no Líbano tomaram conta do país, silenciando e devastando jornais e televisões afectas ao Governo, mantendo em prisão domiciliária os principais líderes do Governo e do Parlamento e destruindo as suas seguranças.

O golpe militar deu-se perante a total passividade das forças da UNIFIL – destacamento das Nações Unidas maioritariamente constituído por forças europeias – que não esboçou qualquer gesto para parar as deslocações das forças do Hizbullah do Sul do Líbano – onde a UNIFIL está presente – para a tomada de Beirute. De acordo com descrições de jornalistas da Televisão "O Futuro", identificada com Saad Hariri, líder dos árabes sunitas libaneses, os militares libaneses presenciaram sem esboçar qualquer gesto à destruição das instalações da televisão pelas milícias do Hizbullah.

Depois de organizar os mais variados bloqueios e greves sem conseguir derrubar o Governo, o Hizbullah resolveu assim, finalmente, usar directamente a força para impor a sua vontade.

A razão do golpe do Hizbullah foi a tentativa do Governo de finalmente governar, transferindo do seu posto o responsável pela segurança do aeroporto de Beirute, um destacado quadro do Hizbullah que transformou este aeroporto numa peça da logística do terrorismo no Líbano, crucial tanto para a importação de mísseis e outro material de guerra como para a livre entrada de Guardas Revolucionários Iranianos (Pasdaran, ou IRGC, no seu acrónimo inglês) e outros agentes do terrorismo internacional.

A imprensa ocidental denominou de "provocação" esta tímida tentativa libanesa de lutar contra o garrote terrorista do Hizbullah, numa réplica perfeita dos insultos que dirigiu em 1938 aos dirigentes checoslovacos que tentaram resistir ao garrote nazi.

O Hizbullah é a secção melhor armada, treinada e financiada dos Pasdaran, aquela que mais e mais mortíferos actos terroristas praticou na década de oitenta e provou a sua capacidade militar ao objectivamente ganhar a guerra que travou contra Israel, em 2006.

O Ocidente – e muito em particular a União Europeia – seguiu sempre uma política de apaziguamento em relação a esta temível secção internacional do terrorismo, nunca ousando catalogá-la como organização terrorista e cedendo sempre à sua vontade.

A instalação das forças europeias da UNIFIL no Líbano foi uma autêntica farsa e tornou inevitável a tomada de poder pelo Hizbullah no Líbano. Com medo dos actos terroristas do Hizbullah, a UNIFIL não só não o desarmou, como serviu de protecção militar à construção dos seus dispositivos militares no Sul do Líbano - que preparam a nova guerra  contra Israel - e ao seu treino e rearmamento, que necessita tanto contra Israel como para tomar conta do Líbano.

Perante o rápido esmagamento do Governo cujo homem forte era o líder parlamentar, Saad Hariri, que não esqueçamos, tem dupla nacionalidade libanesa e saudita e é obrigado a seguir as instruções de Ryaad, a Arábia Saudita resolveu negociar a derrota, que foi organizada no Qatar – Estado que está cada vez mais alinhado com Teerão, apesar da sua formal aliança com o Ocidente – dando o poder de facto ao Hizbullah, mas mantendo nominalmente os seus aliados à frente do Governo.

O acordo de Doha é mais do que uma derrota, é mais do que um recuo perante Teerão, é a consagração da ficção de que a paz se consegue com o apaziguamento perante o terrorismo.

Tal como nos tinha dito Churchill sobre Munique, os dirigentes ocidentais, colocados perante a escolha entre a guerra e a desonra, escolheram a desonra, e inevitavelmente vão ter a desonra e a guerra.

A declaração solene do Presidente do Parlamento Europeu de apoio extasiado ao acordo de Doha, acordo em que a Europa não foi tida nem achada e que é a consagração da vitória da razão da força sobre a força da razão, ficará para mim como o acto mais trágico que presenciei até hoje no Parlamento Europeu.

Ninguém duvide por um segundo que o expansionismo teocrático não irá parar em Beirute. A questão é só a de saber o que se vai seguir a Beirute.  

 

  

A violência terrorista do Hezbollah em fotos:

http://yalibnan.com/site/archives/2008/05/war_in_lebanon_1.php
http://yalibnan.com/site/archives/2008/05/war_in_lebanon_2.php
http://yalibnan.com/site/archives/2008/05/war_in_lebanon_3.php
http://yalibnan.com/site/archives/2008/05/war_in_lebanon_4.php
http://yalibnan.com/site/archives/2008/05/war_in_lebanon_5.php
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O Hezbollah e a lista da UE das organizações terroristas

ORAL QUESTION WITH DEBATE O-0028/08

pursuant to Rule 108 of the Rules of Procedure

 

by Hannu Takkula, Paulo Casaca, Paul van Buitenen, Roger Helmer, Patrick Gaubert, Luís Queiró, Koenraad Dillen, Toomas Savi, Bastiaan Belder, Ashley Mote, Frank Vanhecke, Konrad Szymański, István Szent-Iványi, Vasco Graça Moura, Alexander Alvaro, Jorgo Chatzimarkakis, Johan Van Hecke, Graf Alexander Lambsdorff, Janusz Onyszkiewicz, Ramona Nicole Mănescu, Tunne Kelam, Bronisław Geremek, Charles Tannock, Jana Hybášková, Grażyna Staniszewska, David Sumberg, Philip Claeys, Vladimír Železný, Jaroslav Zvěřina, Helga Trüpel, Mogens Camre, Eija-Riitta Korhola, Peter Šťastný, Kyösti Virrankoski, Neil Parish, Siiri Oviir, Olle Schmidt, Marek Aleksander Czarnecki, Frédérique Ries, Gabriele Albertini, Martin Callanan, Christopher Heaton-Harris, Józef Pinior and Struan Stevenson

to the Council 
 

 

Subject: Hezbollah and the EU list of proscribed terrorist organisations 
 

During January 2008 terrorists from territory under UNIFIL's jurisdiction launched two rocket attacks on Israel, prompting UN Secretary General Ban Ki-Moon to call the attacks a 'serious violation of Security Council Resolution 1701'. Terrorist groups targeted UNIFIL as well. In addition, Hezbollah – supported by Syria – has been implicated in a wave of political assassinations in Lebanon. With state support from Syria and Iran, Hezbollah has become a state within a state, blocking Lebanese democratic institutions from exercising their political powers, as in the latest case of blocking the presidential election and insisting on a veto-wielding number of cabinet seats. Hezbollah effectively prevents the Lebanese Government from exercising its full sovereignty. 
 

The EU has refused to designate Hezbollah as a terrorist group, thus enabling Hezbollah's financial activities in Europe, which are necessary for its survival in Lebanon. In other words, funds raised in Europe enable Hezbollah to threaten the political and economic stability of Lebanon, act against peace talks in the Middle East, undermine Israel's security, and fuel terrorism and destabilisation in the Middle East. In addition to all this, Hezbollah is successfully spreading its ideology among Muslim youth in Europe, as confirmed by Muslim youth arrested in Germany. Hezbollah cooperates with radical groups globally including increasing ties to other terrorist groups in Europe. Europe is endangering itself by refusing to take a clear stand against Hezbollah. 
 

It is clear that at best the distinction between political and military wings is artificial. As Muhammad Fannish, a Hezbollah political leader, commented: 'I can state that there is no separating between Hezbollah military and political aims'. 
 

In light of all these facts and recognising the serious EU commitment to the Middle East peace process: 
 

    – What action has the Council decided to take to defend Lebanon's sovereign democracy and legal government and when? 

    – What is the Council doing to prevent internal strife and political assassinations in Lebanon leading to a wider conflict in the Middle East? 

    – When does the Council plan to designate Hezbollah as a proscribed terrorist organisation? 
     

     

Tabled: 18.03.2008

Forwarded: 19.03.2008

Deadline for reply: 09.04.2008

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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

O relógio nuclear não pára...

Segundo a AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) o Irão continua a ignorar os apelos do Conselho de Segurança da ONU para suspender as suas actividades de  enriquecimento de urânio. A AIEA afirma no relatório que Teerão continua, apesar das sanções e dos avisos europeus, os seus «estudos» de militarização do seu programa nuclear, incluindo a fabricação de ogivas, a possível conversão do míssil Shahab-3 em vector de arma nuclear e instalações para ensaios nucleares subterrâneos.

O regime islâmico persiste em afirmar que o seu programa nuclear visa fins civis e pacíficos. A agência, no entanto, diz que «contrariamente às decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Irão não suspendeu as suas actividades de enriquecimento de urânio».

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Hipocrisia

O maior parceiro comercial do Irão é a Alemanha que exportou no ano passado 4 bilhões de euros para a república iraniana. O Dr. Matthias Kuntzel da Universidade de Hamburgo é um perito nas relações Berlim – Teerão, e um dos principais activistas na campanha contra esta política. Ele participou de uma conferência no início deste mês em Berlim sobre o Fórum Berlinense sobre a Liberdade do Oriente Médio, uma coalizão entre organizações judaicas e não-judaicas, com o propósito de demonstrar a extensão dos laços entre os dois países. “Enquanto a Chanceler Angela Merkel e seus ministros de gabinete compareceram a uma sessão conjunta com o gabinete israelense em Jerusalém, e ressaltou o comprometimento deles com a existência continuada de Israel”, relatou Kuntzel ao Haaretz, “As empresas alemãs continuam a fazer negócios com o Irão. Não pode haver maior hipocrisia”. Na Conferência ele apresentou dados mostrando que mais que 1.750 empresas vendem maquinaria avançada

Hipócritas transacionam com Ahmadinejad
e outros equipamentos para as indústrias do petróleo, têxtil, plástico e gráficas iranianas. Os maiores exportadores são a Siemens e a Linde, e Kuntzel afirma que fornecem equipamentos essenciais que o Irão pode também utilizar no seu programa nuclear. Kuntzel afirma que cerca de 40% das importações do Irã da Comunidade Europeia são da Alemanha. “Empresários na Alemanha afirmam que caso não vendam para o Irão, nossa economia sofrerá” diz ele. “Mas é uma mentira deslavada. Se cessarmos nossos laços comerciais com o Irão, isto afectará somente a metade de um por cento de todas as nossas exportações, mas acarretará danos irreparáveis ao Irão. A Alemanha tem que entender que a menos que sanções severas e efetivas sejam impostas ao Irão, a opção que restará será a guerra”.

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Ameaças de Ahmadinejad

O Presidente do Irão Mahmoud Ahmadinejad afirmou na semana passada que “Israel está morrendo e as celebrações do 60º Aniversário são uma tentativa de evitar a sua aniquilação”. Estes comentários foram proferidos na ocasião que o presidente George W. Bush estava em Israel como orador principal para as celebrações do Aniversário do Estado Judeu. O Presidente linha dura iraniano utilizou uma palavra árabe, Ismihalal, que pode ser traduzida como destruição, morte e colapso. O Irão não reconhece Israel e Ahmadinejad repetidamente conclama a destruição de Israel. As trocas de ameaças entre o Irã e Israel se intensificaram, a partir de 2005, quando Ahmadinejad declarou num discurso que Israel será um dia “varrido do mapa”. O líder iraniano também alegou que o Holocausto foi um “mito”. Israel considera o Irão como uma séria ameaça devido ao seu programa nuclear e ao seu arsenal de mísseis de longo alcance que podem transportar artefatos nucleares e capazes de atingir o Estado de Israel. Teerão está equipado com mísseis Shahab-3 que tem o alcance de até 2.000 quilômetros, e Israel está a cerca de 1.000 quilômetros a oeste do Irão.

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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Paulo Casaca representa Parlamento Europeu em

missão do Fundo Internacional para a Reconstrução do Iraque

O Deputado Paulo Casaca foi designado pelo Parlamento Europeu para o representar numa missão ao Iraque promovida pelo Fundo Internacional de Reconstrução para o Iraque (International Reconstruction Fund Facility for Iraq - IRFFI) com a assistência do Banco Mundial e das Nações Unidas que decorre desde ontem na região de Dhi Qar.

Durante dois dias, a comitiva composta por representantes da Comissão de Dadores do Fundo, liderada pelo Embaixador Gianludovico de Martino, e que inclui o Embaixador Ilkka Uusitalo, representante da CE no Iraque, diplomatas de países dadores como os Estados Unidos, o Japão e a Dinamarca bem como representantes das Nações Unidas vai avaliar in locco a aplicação dos financiamentos externos e a evolução dos projectos em implementação no Sul do país.

A missão reuniu-se no passado dia 17 no Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos, e, ontem, dia 18, foi transportada pela força aérea italiana para o aeroporto militar de Tallil, a sudoeste de An Nasiriyah, de onde iniciou os seus trabalhos.

O Fundo Internacional de Reconstrução para o Iraque foi lançado em 2004 pelas Nações Unidas e pelo Banco Mundial no sentido de facilitar a canalização de ajudas e recursos com vista ao apoio da reconstrução e desenvolvimento no Iraque. Até ao momento, já foram contabilizados mais de 1.83 biliões de dólares em acções de financiamento para projectos de investimento a curto e médio prazo.

Saliente-se que cerca de 90% dos fundos da União Europeia destinados ao processo de reconstrução no Iraque foram canalizadas justamente através deste Fundo Internacional, num montante avaliado em 638 Milhões de Euros, o que faz da União Europeia o maior contribuinte para este fundo. No final de 2007, o total dos apoios comunitários ao Iraque ascendia a 829 Milhões de Euros.

Paulo Casaca chegou ontem, ao início da manhã, ao aeroporto de Tallil e foi de seguida recebido nas instalações da Unidade Local de Apoio à Reconstrução liderada por uma equipa italiana. Durante a manhã, no Centro de Treino de Mittica, Paulo Casaca participou em reuniões de trabalho sobre a criação de competências locais, a execução orçamental ao nível das províncias, o desenvolvimento do sector privado, o sistema bancário e os procedimentos de concurso público. À tarde inteirou-se dos principais projectos em curso sob a égide da Organização Mundial de Saúde, da UNICEF e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Esta segunda-feira, as discussões centraram-se nos desafios em matéria de segurança no âmbito do processo de reconstrução e nos projectos sob a alçada das Nações Unidas Habitat, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da FAO e da Comissão Económica e Social das Nações Unidas.

A importância da transparência e o controlo dos fundos disponibilizados pela União Europeia através de organizações internacionais, no domínio das acções externas, tem constituído uma das principais preocupações de Paulo Casaca, porta-voz dos socialistas europeus na Comissão de Controlo Orçamental do Parlamento Europeu. O deputado socialista ainda recentemente lamentou não terem sido tomadas as medidas necessárias para que as novas normas que constam do Regulamento Financeiro, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2007, fossem cumpridas pela Comissão Europeia, nomeadamente quanto à divulgação dos beneficiários finais dos vários fundos comunitários.

Concretamente, o deputado dos Açores insurgiu-se ainda contra o facto de a Comissão Europeia manter secretos os nomes das empresas às quais tem passado contratos sem concurso público em vários países do Médio Oriente – nomeadamente na Palestina, Líbano e Iraque – ao abrigo de cláusulas do regulamento financeiro que deveriam ser utilizadas de forma excepcional e que o deputado não compreende como puderam ser aplicadas nestes casos específicos.

Paulo Casaca considera ainda como não aceitáveis as razões pelas quais a Comissão Europeia remeteu para uma organização particular o papel de gestão global da sua intervenção no Iraque, da mesma forma que lhe atribuiu fundos vultuosos noutros países do Médio Oriente e dos Balcãs Ocidentais sem passar estes fundos por nenhum concurso público.

O parlamentar socialista pediu recentemente explicações à Comissão Europeia sobre a situação do Juiz Radhi al Radhi, a mais proeminente figura pública iraquiana da batalha contra a corrupção no país, que em 2006 reuniu provas que demonstram o desvio de elevadas somas afectas a gabinetes ministeriais e que, posteriormente, foram parar às mãos das milícias iraquianas que têm devastado o país. Recorde-se que o juiz al Radhi teve de fugir do país depois de ver trinta dos seus colaboradores assassinados.

Refira-se ainda que a organização “International Transparency”, no seu relatório de 2007, no contexto de uma análise a 163 países, aponta o Iraque como o terceiro país mais corrupto do mundo, apenas ultrapassado pela Birmânia e pelo Haiti.

Os socialistas europeus têm defendido um modelo mais interventivo da ajuda comunitária, que passe pela presença no terreno de uma agência europeia especializada em actuação em situações de conflito e de post-conflito, como a Agência Europeia de Reconstrução que fez um trabalho notável nos Balcãs Ocidentais.

Por outro lado, o parlamentar socialista tem reivindicado insistentemente o substancial aumento do apoio aos mais de cinco milhões de refugiados e deslocados iraquianos que têm atravessado situações dramáticas.

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Reviver Praga

  Paulo Casaca

Apenas saído do avião no Aeroporto Internacional de Beirute, mesmo à entrada da manga, fui logo interceptado, convidado a descer umas escadas e a entrar num Mercedes que, ziguezagueando entre aviões e viaturas aeroportuárias, me levou a um grupo de militares que nos próximos dias não me largaram.

Foi assim que eu entrei em Beirute, há uns anos atrás, e isto porque, como me explicaram os meus amigos, a "segurança" do aeroporto estava nas mãos do Hizbullah, ou seja, do mais notório dos grupos terroristas a mando de Teerão.

Em Maio deste ano, o Governo libanês parece ter tido a veleidade de querer parar com este estado de coisas em que o principal aeroporto do país serve de placa giratória a todo o tipo de armamento e de profissionais do terrorismo. Essa veleidade custou-lhe a ocupação do país pelas hordas do Hizbullah dirigidas, treinadas e financiadas pelos guardas revolucionários iranianos que colocaram em prisão domiciliária os principais dirigentes do país, destruíram as infra-estruturas da comunicação social que não controlam, liquidaram dezenas de pessoas e, finalmente, aceitaram retirar-se quando receberam garantias de que não iriam voltar a ser incomodados.

Tudo isto foi presenciado, consentido e justificado não só por umas forças armadas libanesas paralisadas mas também por milhares de soldados europeus que estão no Líbano para supostamente garantir a paz mas que na realidade só conseguiram criar condições para a intensificação da guerra.

Tal como há setenta anos atrás se fez com a invasão e destruição da então Checoslováquia pelos Nazis, também agora os intrépidos arautos da política do apaziguamento explicam que o governo libanês tinha feito uma provocação, que se tratava de lutas entre facções libanesas, que finalmente nem tudo está tão mau assim porque as hostilidades pararam.

Há anos que venho alertando para o suicídio colectivo que representa a política ocidental do apaziguamento em relação à ameaça do fanatismo teocrático iraniano, de que o Líbano é apenas um dos palcos.

Há anos que venho alertando para a necessidade de abrir os olhos, de entender que não podemos vender a alma pelo petróleo, que o fanatismo islâmico não vai parar em Beirute.

O que vai ser preciso para que se entenda que o Líbano não é mais do que a antecâmara de todo o Médio Oriente, e este, do que se pode vir a passar em todo o mundo? 

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A ameaça de holocausto nuclear em debate

  Paulo Casaca

Lado a lado com académicos, jornalistas e políticos, europeus, americanos, israelitas e iranianos, participei nos dias 2 e 3 de Maio em dois ciclos de conferências, a primeira em Berlim, promovida pelo Fórum para a Liberdade do Médio Oriente de Berlim, e a segunda em Viena, promovida pela plataforma política "Stop the Bomb" (parem a bomba).

Os pontos de vista expressos cobriram o espectro do que é o debate nos dias de hoje no Ocidente, com alguns a defender a sua preferência por uma política de apaziguamento, que é necessário oferecer ainda mais concessões ao regime iraniano para que este desista da bomba; outros partidários de um cenário de clara confrontação armada, nuclear, se tal for preciso, e finalmente outros, como eu, que tentaram mostrar a possibilidade de uma terceira via.

A terceira via que defendi no debate assenta em três vectores fundamentais.

O primeiro consiste na aplicação estrita das sanções económicas e diplomáticas decididas pelas Nações Unidas.

Contrariamente ao que se possa pensar, o domínio tecnológico do Ocidente é ainda muito grande e há muita coisa que a Rússia e a China não conseguem fornecer em condições competitivas. Mesmo se assumirmos que estes dois países não cooperarão totalmente no sistema de sanções, estas continuam a ser importantes. 

É claro que quanto mais coerentes e mais consistentes forem as sanções, mais estas serão eficazes.

O segundo vector é o do apoio à oposição política e à sociedade civil iranianas. Quanto mais depressa abandonarmos a política suicida de chamarmos terroristas às vítimas do terrorismo, na ilusão de que assim evitaremos sermos também vítimas, melhor.

O terceiro vector é o da contenção do expansionismo externo iraniano, contenção que tem de ser feita em toda a região, mas a começar exactamente pelo Iraque.

Estou em crer que o desenvolvimento integrado destas opções políticas poderá contribuir para a mudança de regime e dificultará fortemente o seu programa nuclear em particular e de promoção do terrorismo em geral.

Aquilo que me pareceu mais impressionante nestas conferências foi a mobilização e participação em massa de jovens estudantes universitários que parecem ter rompido finalmente com os dogmas do anti-semitismo e da condescendência com o fascismo religioso e nacionalista dominantes.

Em segundo lugar, destaco a participação de muitos representantes da oposição iraniana que decidiram iniciar um diálogo que é fundamental para a preservação da paz. 

Em terceiro lugar, e talvez o mais significativo, foi o esboçar de uma nova esquerda europeia virada para a defesa dos valores fundamentais das revoluções liberais e democráticas e dos movimentos de emancipação que se lhes seguiram.

Trata-se de uma nova esquerda, em estreita ligação com sectores democratas americanos e trabalhistas britânicos, mas que parece querer adquirir um centro de gravidade no coração do continente europeu, com perspectivas próprias.

O Grande Médio Oriente – em certa medida em concorrência com a China – tornou-se o principal palco de afrontamento da política ocidental, e estou em crer que é também aqui que se vão moldar as lógicas políticas dos principais actores no cenário internacional.  

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A nova esquerda europeia nasce entre Berlim e Viena

O Fórum para a Liberdade do Médio Oriente de Berlim e o "Stop the Bomb" (parem a bomba) de Viena promoveram, nos dias 2 e 3 de Maio, conferências sobre a ameaça de holocausto nuclear da teocracia iraniana.

Organizações Não Governamentais recentes, nascidas da rejeição da ameaça neonazi da teocracia iraniana e da defesa do direito à existência de Israel e dos judeus – como de todos os países e de todos os povos – a sua característica básica comum é a de serem formadas por jovens vindos de organizações de esquerda – e mesmo de esquerda radical – em ruptura com a contemporização dos seus Estados Maiores com o fascismo religioso e nacionalista no Grande Médio Oriente.

A esquerda dos princípios e dos valores é uma esquerda que preza a vida, a liberdade, a tolerância e a solidariedade como valores supremos e que não se pode remeter a plataformas saídas de intrincados raciocínios sobre poderes e relações de força.

Durante muito tempo a manipulação dos árabes da Palestina pelas autocracias da região, com a cobertura mediática e estratégica ocidental, transformaram aquilo que não é mais do que uma das manifestações de intolerância contra as minorias, numa luta entre espoliados de terras e de nacionalidade contra um impiedoso opressor.

As limpezas étnicas que foram depurando todo o Grande Médio Oriente, primeiro de judeus, mas depois de cristãos, de Druzos, de Bahai, de curdos, de turcomanos, de yazedis e de tantos outros, o extremismo nacionalista árabe primeiro e o fanatismo islâmico depois, foram menorizados na sua ameaça e sistematicamente desculpados como "reacção à agressão sionista" ou qualquer outro disparate do género, ou ainda pura e simplesmente assumidos como custos naturais e inevitáveis do petróleo e do mercado.

Quando os dirigentes iranianos começaram a negar a verdade do Holocausto, a conspirar com os neonazis europeus na perseguição dos judeus, dos seus opositores ou mesmo – como aconteceu comigo – dos dirigentes políticos europeus que se lhes opõem, a proclamar o esmagamento do Estado de Israel, aí finalmente houve quem entendesse que se tinha ido longe de mais na desculpabilização do fascismo islâmico.

Parte da velha esquerda parece ter sucumbido ao apelo do petróleo, utiliza a retórica do multicultaralismo para esconder a intolerância étnica, cultural e religiosa, e não se distingue por isso do que sempre foi a direita dos interesses em quem repentinamente descobre virtudes antes desconhecidas.

A luta contra o fascismo religioso é a luta pela libertação dos povos do Grande Médio Oriente, a começar naturalmente pelo mundo árabe. Quem oprime o mundo árabe não é Israel ou o sionismo, são exactamente aqueles que em nome da defesa da sua religião pretendem mantê-lo acorrentado a mitos e práticas profundamente reaccionárias.

Como dizia o manifesto de um movimento britânico também presente na conferência, o "Democratiya":

    "Sectores da esquerda deixaram-se remeter a um canto incoerente e negativo do "anti-imperialismo" perdendo contacto com os valores tradicionais democráticos, igualitários e humanistas".

E mais adiante:

    "Democratiya defende as bandeiras das revoluções democráticas dos séculos XVII e XVIII. Essas ideias tornaram-se a herança de todos pelas revoluções social-democratas, feministas e igualitárias dos séculos XIX e XX".

Recentemente, o Bloco Nacional Galego sofreu uma cisão exactamente pelo carácter xenófobo e anti-semita da pretensa posição anti-imperialista da direcção do bloco.

Pouco a pouco, vai-se erguendo uma nova esquerda, e eu creio que neste princípio de Maio, entre Berlim e Viena, ela se tornou imparável.

Paulo Casaca

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

1948/2008 - 60 ANOS DA CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL

 

13 de Maio - 21:00 - Fnac Colombo

Esther Mucznik, Joshua Ruah e Antonieta Lopes da Costa (Rádio Europa Lisboa) conversam sobre a fundação do Estado de Israel

 

No dia em que se comemora o 60º aniversário do Estado de Israel, propomos um colóquio em torno da importância deste Estado. Desde sempre ligado a paixões, argumentos e contra argumentos, tudo em torno de uma região que é berço de tantas outras culturas. Convidámos Esther Mucznik,  Joshua Ruah e Antonieta Lopes da Costa para nos darem algumas pistas sobre o que é, como se prespectiva o futuro do Estado de Israel, a sua importância para a região e para o mundo.

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Testemunhos de Coragem

 

Paulo Casaca organiza homenagem
a mulheres jornalistas no Iraque

Por ocasião do "Dia Internacional da Liberdade de Imprensa", assinalado no passado Sábado, o deputado Paulo Casaca vai prestar homenagem à dedicação e à coragem manifestada pelos jornalistas, nomeadamente mulheres, no exercício da sua profissão no teatro de guerra do Iraque promovendo um debate sobre a forma como numerosos jornalistas – entre eles um grande número de mulheres – arriscaram, e muitas vezes perderam, a sua vida para que se pudesse saber um pouco da verdade da tragédia iraquiana.

 

Recorde-se que a guerra do Iraque foi aquela em que até hoje mais jornalistas perderam a vida, sendo que ainda ontem, na cidade de Mosul, Tharwat Abdul-Wahab, jovem jornalista, foi assassinada, elevando-se para 235 o número estimado de profissionais mortos naquele país desde a sua invasão, em 2003.

 

O debate, organizado em parceria com a deputada socialista alemã Erika Mann, terá lugar amanhã, dia 6 de Maio, nas instalações do Parlamento Europeu, em Bruxelas, pelas 17h30, e contará com a participação de Susanne Fischer, Zainab Ahmed e Dawood Abdullah.

 

Susanne Fischer é responsável pelos programas de formação ministrados no Médio Oriente pelo IWPR – Institute for War & Peace Reporting (Instituto de Informação para a Guerra e a Paz). Depois de uma primeira licenciatura em Ciência Política, História e Literatura Hispânica, Susanne Fischer obteve a sua formação em jornalismo na Escola Henri-Nannen, de Hamburgo. Desde então, tem exercido as funções de repórter e editora, nos principais jornais e revistas alemães. É co-autora do livro “Café Bagdad – Der ungeheure neue Alltag um neuen Irak”. Susanne Fischer está no Iraque há cinco anos em missão de formação e de apoio a jornalistas iraquianos, tendo também prestado apoio humanitário a jornalistas em fuga da perseguição de que foram vítimas.


Zainab Ahmed e Dawood Abdullah vivem em Bagdade e foram ambos formados em jornalismo pelo IWPR, em 2004. Para além das profissões de microbiologia e engenharia, têm dedicado parte da sua vida à reportagem de guerra. Zainab Ahmed irá receber, de resto, no próximo dia 9 de Maio, em Hamburgo, o Prémio Henri-Nannen para a Liberdade de Imprensa.

 

Personalidades que representam autênticos exemplos de dedicação e profissionalismo e que estão espelhados na mais recente obra literária de Susanne Fischer – The Villa on the Brink of Insanity – livro que relata a tentativa de estabelecer no Iraque uma imprensa verdadeiramente livre e que a própria autora lançará em Bruxelas, num segundo evento programado para as 19h00 do mesmo dia.

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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Judeofobia na Galiza


A facção estalinista e antisemita do BNG - Bloco Nacionalista Galego -
expulsou o militante Pedro Gómez-Valadés por este presidir à

Associação Galega de Amizade com Israel.


El Consello Comarcal acordó el jueves la expulsión de Gómez-Valadés, que denuncia el sectarismo del Bloque.
El Consello Comarcal del BNG en Vigo decidió el jueves la expulsión de Pedro Gómez-Valadés por considerar incompatible su militancia en la formación nacionalista con su cargo de presidente de la Asociación Galega de Amizade con Israel (Agai), una asociación que para el Bloque defiende a un Estado imperialista.
Pedro Gómez-Valadés recurrirá esta decisión, por lo que su expulsión del Bloque deberá ser ratificada por parte del Consello Nacional, liderado por Anxo Quintana. Si Gómez-Valadés acatase la dirección del consello comarcal, el máximo órgano de la dirección frentista no tendría que pronunciarse sobre este polémico caso, pero Goméz-Valadés quiere que se dé el debate en Santiago y recuerda a Quintana que cuando saltó la controversia a comienzos del año pasado aseguró que nadie sería expulsado del BNG. "Ahora tiene que dar explicaciones", declaraba ayer el presidente de Agai.
El escándalo comenzó cuando un grupo de militantes del BNG reclamó la marcha de Gómez-Valadés, tras descubrir que a finales de 2006 había sido elegido presidente de un colectivo que pretende recuperar la huella judía de Galicia. Entonces, la polémica fue tal que la Embajada de Israel en España envió una carta a Quintana mostrándole su preocupación.
Gómez- Valadés no sólo planteará su caso ante el Consello Nacional, también pedirá que la Comisión de Garantías del BNG se pronuncie y está dispuesto a ir a los tribunales, pues, defiende que en su caso, "se vulnera la Ley de Partidos, que establece que el funcionamiento interno de los partidos debe ser democrático, y también los estatutos del BNG, que fijan el derecho de los militantes a la discrepancia pública y a la libertad de expresión".
Su expulsión de la formación nacionalista pilló a Gómez-Valadés por sorpresa el jueves, cuando participaba en una reunión del consello comarcal, del que es miembro. Entonces, la responsable del consello, Manuela Rodríguez, rescató una carta de diciembre de 2007 en la que cinco afiliados del BNG pedían que se resolviese ya el expediente de expulsión a Gómez-Valadés. Según la versión del propio afectado, la dirección entendió que era el momento de tomar una decisión, pues ya se habían celebrado las elecciones generales. Tras "un debate desagradable", se procedió a la votación y la mayoría acordó la expulsión de Gómez-Valadés.
Pedro Gómez Valadés denuncia el comportamiento "sectario del BNG" que le expulsa "por no compartir la visión oficial del conflicto palestino-israelí". Para Gómez Valadés, "el Bloque es anti-israelí y después es pro-palestino", mientras que él es "projudío, pero también propalestino", pues reconoce el derecho de los palestinos a tener su Estado, igual que los judíos vieron satisfechos sus derechos nacionales hace sesenta años por mandato de Naciones Unidas.
publicado por nx às 19:10
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