Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

O Irão e a Al-Qaeda

Paulo Casaca

Uma série de comentadores internacionais, seguidos de forma mais ou menos fidedigna por muitos outros a nível nacional, resolveram reagir a comentários triviais de John McCain relativos ao apoio dado pelo Irão à Al-Qaeda com tonitruantes declarações reclamando a retracção dessas afirmações.

Curiosamente, o líder operacional da Al-Qaeda, o egípcio Ayman Al-Zawahiri, já no final de Dezembro de 2007, numa entrevista produzida pela sua companhia multimédia Al-Sahab (in MEMRI n.º 1787 - 18 de Dezembro de 2007), procurava transmitir essa ideia: não negando explicitamente a existência da ligação Irão-AlQaeda no passado – e ninguém que saiba do que está a falar poderá negar com um mínimo de credibilidade essa ligação – procurava-se passar a ideia de que a Al-Qaeda tinha rompido com o Irão, que teria "apunhalado a Nação Islâmica nas costas".

Aparentemente, há quem embarque num raciocínio simplista: se foi com base em informações relativas à ligação entre Saddam Hussein, a Al-Qaeda e armas de destruição maciça (que se vieram a revelar falsas) que foi desencadeada a guerra do Iraque, se quisermos evitar a guerra com o Irão, o que há a fazer é negar que este tenha ligações à Al-Qaeda ou a armas de destruição maciça.

Subjacente a esta preocupação está a lógica de que os fins justificam os meios, em vez da lógica de que, só na base da verdade e nada mais que na base da verdade, é possível informar com rigor e seriedade e evitar desastres como o iraquiano.

Existe um volume enorme de informação independente sobre as ligações entre o regime iraniano e a Al-Qaeda, o que não quer dizer que não subsistam grandes áreas de sombra e de dúvida quanto à intensidade e natureza dessas relações.

Al-Zawahiri é partidário da repetição no Egipto de uma revolução islâmica como a do Irão e teve sempre relações próximas com esse país, continuando a ser hoje, na Al-Qaeda, o principal elo de ligação a Teerão, sendo que há quem entre os analistas internacionais esteja convencido que a sua base de operações actual se encontra mesmo no Irão.

Em qualquer caso, a organização de Al-Zawahiri, a Al-Jihad, só adere formalmente à Al-Qaeda no final da década de noventa, já de regresso ao Afeganistão, embora tenha mantido entretanto uma estreita colaboração com Bin Laden.

É o sucesso dos atentados de 1983 do Hezbollah que matam centenas de soldados dos EUA e da França, levando ambos estes países a deixar o Líbano, que convence Bin Laden a aderir ao terrorismo suicida. É o histórico líder terrorista do Hezbollah, Imad Mugnyah, que contrata com Bin Laden o treino dos operacionais da Al-Qaeda nas técnicas do terrorismo suicida.

O regime teocrático iraniano é o inventor do terrorismo suicidário moderno e fez a sua disseminação à escala mundial através do Hezbollah libanês (até os Tigres Tamil se inspiraram no Hezbollah) e dos grupos terroristas iraquianos instalados no Irão na sua vizinhança ocidental.

Com o advento dos talibãs no Afeganistão, que hostilizam o regime iraniano, e o regresso da Al-Qaeda a esse país, as relações entre o Irão e a Al-Qaeda parecem esfriar, mas a partir da operação aliada contra o Afeganistão existem provas insofismáveis de que numerosos dirigentes da Al-Qaeda se refugiam no Irão, e que alguns deles desencadeiam operações terroristas no vizinho Iraque.

Entre estes encontram-se os dirigentes do Ansar-al-Islam, que se instala na fronteira do Irão com o Curdistão iraquiano, e Al-Zarkaoui, que vai depois tornar-se o dirigente da Al-Qaeda no Iraque.

O apoio do regime iraniano à Al-Qaeda no Iraque e o terrorismo brutal desta organização contra os iraquianos em geral, e em particular contra as populações de áreas maioritariamente sunitas, leva a generalidade dos insurrectos sunitas iraquianos a inverter a sua política de alianças, procurando apoio dos EUA para combater a Al-Qaeda e outros grupos terroristas treinados, financiados e apoiados por Teerão.

Existem a esse propósito inúmeros testemunhos públicos, entre os quais podemos citar uma recente entrevista com os dirigentes do Hamas-Iraque (in MEMRI n.º 1890 - 8 de Abril de 2008).
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Why Mrs. Bhutto had to die

Walid Phares

[07-12-31] Former Pakistani Prime Minster Benazir Bhutto was murdered because of herpotential actions in Pakistan, by the combined forces of jihadism in that country. In short, they executed her to pre-empt her future war of ideas. This was the bottom line and here is why.

The long-term plan of the Taliban and al Qaeda in Afghanistan during the 1990s was to eventually spread to Pakistan and seize power, and, ultimately after 1999, to seize the nukes, too. Miscalculating on September 11, Osama bin Laden lost Kabul and the jihadi war room crossed into their eastern neighbor. Plan B was then to seize Waziristan and gradually Talibanize the country, grabbing the "doomsday" devices in the end. For the last seven years, the jihadi hydra protected by the fundamentalist tribes, hooking up with the local Islamist movements and with tentacles deep inside the defense and intelligence apparatus, attempted to spread in that direction. President Pervez Musharraf, unable to determine the extent of radical influence in his own services, moved slowly and reluctantly on the containment strategies. This lost time resulted in several assassination attempts and allowed a widening of the jihadi networks in the country. Reacting to the breach of national security, he tightened the rope on the opposition, frustrating his secular opponents and alienating the nation's Supreme Court.

The descent into generalized violence was spiraling out of his government's control and working to al Qaeda's satisfaction. Both bin Laden and Ayman al-Zawahiri, as well as Taliban leader Mullah Omar, acting as jihadi supreme rulers of the country, pressed on with calls for assassination and fatwas for regime change. By 2006, Mr. Musharraf was fighting on two fronts: taking on the jihadi forces, including the homegrown ones on the one hand; and dealing with the pressures from his secular opposition on the other hand. From early 2007, as Taliban operatives based in enclaves in the border areas continued to strike inside Afghanistan, al Qaeda's messages beaming out of Pakistan and violence were unrestrained. The United States pressed Mr. Musharraf to change direction.

The advice from Washington (which was endorsed by the West and not opposed by moderate Muslim countries) urged the general (who was also serving as president) to: 1) open up to the opposition and allow the exiles to come back to the country, despite sour past relations; 2) hold general elections and welcome a new democratically elected cabinet; 3) relinquish his command of the armed forces if elected president; and 4) launch an all-out military campaign against Pakistan's Taliban.

Reading the map accurately, Mr. Musharraf heeded almost all suggestions. He allowed former Prime Minister Benazir Bhutto to return and head her large party, although he made it more difficult for her colleague, Nawaz Sharif — Mr. Musharraf's direct political enemy — to proceed as swiftly in his return to the political scene. Mr. Musharraf announced a general legislative election slated initially for next month. He was re-elected as president by the current legislature and resigned from the top military office. And last but not least, he indeed sent several divisions to the frontier valleys to battle the terrorists on their own turf. But by changing direction, he opened a Pandora's box for his government and for the political process he freed.

Former political enemies weren't smooth on reconciling: While Mrs. Bhutto began negotiating with Mr. Musharraf, demanding a purge in the military, Mr. Sharif called for Mr. Musharraf's resignation. In addition, the president of the high court refused to recognize the general's election as president. These turbulences triggered frustrations among the military as it was marching to confront the most lethal enemy in the North-West region. And taking advantage of this dizzying political storm, the jihadi forces launched their urban offensive culminating with the suicidal Red Mosque intifada in Islamabad in the summer. And as Mr. Musharraf was steering the wheels toward political reconfiguration, terror attacks targeted various cities as well as military personnel across the country.

But the return of Mrs. Bhutto to Pakistan sent a positive message to the public and a negative one to the radical Islamists. The daughter of a prominent leader, a member of a political family, a former prime minister in her own right — and, above all, a liberal Muslim woman — Mrs. Bhutto projected the possibility of a leap toward more balanced politics and greater steps toward pluralism — two ingredients for progress toward democracy. Her dialogue with Mr. Musharraf made possible the return of Mr. Sharif and the global march to new elections. The bickering politicians didn't let go of their sour feelings toward each other, but the political process was about to gradually return to the country.

The prospect of the January elections would be good for all parties. The president would be proving that his institutions are solidly democratic, thus legitimizing his own office. The opposition would gain the seats it needed to access the cabinet or become powerbrokers at the assembly. Mrs. Bhutto's Pakistan Peoples Party was projected to be the largest bloc, and through a coalition in parliament, she was to become the next prime minister of this powerful Muslim country. That is precisely why she was murdered.

Indeed, the greatest losers in the upcoming elections, and in any democratic elections mobilizing large and experienced secular forces, would be the Islamists. Their six-party coalition achieved legislative power because of the absence of the secular and democratic forces. Now that Mr. Musharraf isn't in love with the jihadi forces anymore, several assassination attempts later; and after the seculars saw with their naked eyes what the fundamentalists were preparing for the country, the slice of Islamist vote was projected to shrink.

Mrs. Bhutto was the reason for this future political defeat. But beyond these political considerations, it was a war of ideas that the Taliban and their ilk feared the most. It is one thing for the radicals to measure themselves in comparison with the military's authoritarianism. But it is another thing to be blasted ideologically by a woman who would dominate Pakistan's politics. By jihadi standards it was unbearable to see Lady Benazir seizing the premiership of the executive power. A staunch modernist and a genuine Muslim, she would have been their worst nightmare. With her in power, forget about the Talibanization: There would be no suppression of women and no brutalization of minorities. There would be fierce empowerment of civil society. This is why the combined "war room" of al Qaeda, the neo-Taliban and the Pakistani jihadists decided to eliminate her.

In October, Baitullah Mehsud, a Taliban commander in South Waziristan, threatened to kill Mrs. Bhutto upon her return. Mrs. Bhutto was aware of the Taliban and al Qaeda threats but dismissed them. Ata press conference in Dubai in NovemberMrs. Bhutto said "she did not fear 'militants and extremists,' acknowledging that Afghan and Arab militants as well as those of the Red Mosque had threatened her," Dawn TVreported. "She said that threats to her life had been whipped up to 'intimidate me and the people of Pakistan.' " She added, "I don't believe that a true Muslim will attack me. I believe Islam forbids suicide bombings." But the jihadists had previous tried to assassinate her in a prior bombing as she returned to Pakistan in October.

Since then, as she criticized Mr. Musharraf for his political failures, the state of emergency and her house arrest, Mrs. Bhutto nevertheless relentlessly attacked the "radical Islamists," whom she accused of terror and oppression. In those days between the first attempt and her slaughter on Thursday, Mrs. Bhutto acted as the single most influential, courageous and symbolic female leader in the Muslim world. She was waging a war of ideas on her own in the most dangerous jihadi environment on the planet. Had she survived to win the legislative elections, she would have become the most efficient Muslim prime minister in the war against the terrorists.

Benazir Bhutto was stepping into a hornets' nest with her face uncovered. She was executed by the Taliban in a manner that was almost frighteningly reminiscent of the massacre of Afghan women who refused to wear the burka. Now it is up to her party, her followers and her allies to pick up the struggle from where she fell and move forward with her legacy. They need to focus on the greater goal of salvaging democracy by uniting their efforts with the president to hold these elections against all odds, even at a different date, and to back their national army in a global effort to defeat the terrorists.

Pakistan is crossing a dangerous path, but the security stakes are the highest in the world, obviously because of the nuclear weapons. The assassination of Mrs. Bhutto has also another apocalyptic dimension. Since November 2001, bin Laden has revealed that the ultimate goal of al Qaeda is to claim what "is theirs," i.e. the atomic power of the Islamic Republic of Pakistan. Many jihadi leaders have since asserted the duty to equip the caliphate to come with the most powerful armaments in the world. The gradual advance of the Taliban into their eastern neighbor is aimed at reaching those nukes: Either they would infiltrate the intelligence agencies and the army or they would take advantage of chaos and collapse. The attempts to kill Mr. Musharraf and the assassination of Mrs. Bhutto converge into one thread, a maximum violence leading to a coup d'etat by their supporters inside the military. Once the cataclysmic scenario was achieved, the rest is left to dark imagination.

Armed with such devastating power, the suicidal jihadists will have an open field for their missiles, which could target India and the U.S. presence in the region, as well as Europe and the Russian hinterland. Eventually even China would be at their mercy. The alibis are endless as long as there are "infidels" to confront. Hence the world after such a day cannot function peacefully. Because of such an intolerable possibility, Washington, Brussels, Moscow, New Delhi and Beijing, as we speak, should be readying the world for such threats.


Walid Phares is director of the Future Terrorism Project at the Foundation for Defense of Democracies and a visiting scholar at the European Foundation for Democracy.


Este artigo foi o editorial do Washington Times de 31. Dez. 2007: http://www.washingtontimes.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20071231/EDITORIAL/622390676

 

Dr Phares was also quoted in the Editorial Page of the Washington Times today

http://www.washingtontimes.com/article/20071231/EDITORIAL/455751994
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

A convulsão do Sudoeste asiático

Paulo Casaca
[2007-12-29] O assassínio de Benazir Bhutto representa um marco importante na escalada do fanatismo islâmico pelo controlo do Sudoeste asiático. Benazir Bhutto como mulher, dirigente política secular e democrática, era naturalmente um dos alvos prioritários do fanatismo, ficando no entanto por saber se o seu assassínio se deve apenas a estes factores.

Num debate promovido pela CNS (Cybercast News Service) Alireza Jafarzadeh, dirigente da resistência iraniana, considerou que uma das mais importantes pistas para entender a razão de ser do seu assassínio ser a promessa da dirigente política paquistanesa de deixar que a comunidade internacional interrogasse A.Q. Khan, o célebre "pai" da bomba atómica paquistanesa que resolveu rentabilizar os seus conhecimentos vendendo conhecimento e material para o fabrico da bomba à Líbia e ao Irão.

Essa promessa punha directamente em causa o interesse de países como o Irão, que poderiam ser tentados a utilizar todos os meios para impedir que ela fosse levada à prática.

Em qualquer circunstância o assassínio de Benazir Bhutto põe em causa não só as eleições de 8 de Janeiro mas também a capacidade do actual líder paquistanês Pervez Musharraf para dominar a situação nesse país.

A crescente instabilidade no Paquistão terá óbvias consequências no Afeganistão e tornará ainda mais difícil a missão de estabilização da NATO que se desenrola nesse país.

Enquanto as atenções se centram no Paquistão, a situação no extremo oposto da área de influência iraniana, concretamente no Líbano, não é menos preocupante.

De acordo com o diário libanês Al-Mustaqbal – propriedade de Saad Hariri, principal dirigente político do chamado bloco 14 de Março, bloco de resistência à colonização iraniana do Líbano – o Hizbullah (partido que explicitamente se anuncia como discípulo do Ayatollah Khameiny, ou seja, do principal dirigente político iraniano) está neste momento a treinar nas suas bases do Vale de Bekaa activistas de outras forças suas aliadas, como o Partido Nacional Socialista Sírio e forças fiéis ao General Aoun.


Ainda segundo o mesmo jornal, o Hizbullah está neste momento a proceder ao cerco da região de Al-Kharub, onde Walid Jumblat – um dos mais importantes opositores ao regime iraniano no Líbano – tem o quartel-general do seu partido socialista progressista (druso).

Estas informações constam de um despacho de 28 de Dezembro da autoria de H. Varulkar editado pelo MEMRI (centro de interpretação, análise e investigação no Grande Médio Oriente) que adianta ainda que tanto a imprensa alinhada com o bloco 14 de Março como a imprensa pró-iraniana dizem que actualmente no Líbano é quase tão simples comprar armas como comprar roupa. De acordo com a imprensa, a forte procura fez disparar o preço da AK-47 para valores entre os 300 e os 700 dólares e da M-16 para preços entre 0s 850 e os 1000 dólares.

A opinião pública é unânime no paralelo que faz com o desencadear da guerra civil libanesa de 1975, que se fez anunciar exactamente por um aumento exponencial da procura de armas no mercado.

Quer isto dizer portanto que, ao mesmo tempo que todas as atenções se viram para o Paquistão, é bem provável que a próxima onda de choque venha do Líbano.

Curiosamente, em termos relativos, o Iraque tornou-se agora mais tranquilo, depois de os EUA terem começado a colaborar activamente com a população do Centro e Norte do país que luta contra a Al-Qaeda e outros movimentos fanáticos e depois de terem avisado repetidamente o Irão de que a continuação das suas actividades terroristas neste país poderia levar a uma intervenção americana directa nesse país.

É uma situação de circunstância que será alterada quando o Irão achar mais conveniente. Desse ponto de vista, o afastar circunstancial do conflito para zonas mais periféricas, em simultâneo com uma imensa barragem de propaganda para dar uma imagem pacífica do regime, servem para afastar a possibilidade bem real de um ataque americano ao Irão durante a Presidência Bush.

São meros episódios tácticos que não põem em causa a minha convicção de que o controlo do Iraque é a prioridade absoluta do regime iraniano.

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Crónica de uma morte anunciada

Paulo Casaca

[2007-12-29] Poucas horas depois de regressar à sua terra natal, depois de ter tido a coragem e a clarividência de aceitar negociar com Pervez Musharraf – autocrata porventura, mas que fazia frente ao fanatismo islâmico – Benazir Bhutto era já alvo de um atentado terrorista que causou dezenas de vítimas.

Não se intimidou, prosseguiu o seu caminho e insistiu em concorrer às eleições e eu, no meu íntimo, pensei que os fanáticos não iriam falhar muitas vezes mais. Infelizmente, não me enganei, e assistimos ao desenrolar do que foi a crónica de uma morte anunciada.

Foi no dia 27 que finalmente a mataram num ataque atribuído à Al-Qaeda, como se a Al Qaeda não tivesse patrões, financiadores e estrategas que a dirigem e manipulam.

Depois de Sirimavo Bandaranaike e de Indira Ghandi, Benazir Bhutto foi a terceira líder política do sub-continente indiano que ascendeu à direcção do seu país.

A ascensão de mulheres a cargos de primeiro plano – ainda que tenham ascendido ao primeiro plano em larga medida pela relação familiar que mantiveram com antigos dirigentes políticos – foi um fenómeno de enorme importância naquela área do globo e no mundo.

A reacção de ódio que o fanatismo lhes dedicou – duas delas foram assassinadas e só Sirimavo Bandaranaike teve morte natural, mais por ter escapado a atentados do que por qualquer outra razão – revela um dos traços mais característicos do fanatismo: a misoginia.

Ainda no Sudoeste Asiático, mais concretamente no Irão, o vizinho ocidental do Paquistão, temos Maryam Radjavi, que não só é da mesma geração de Benazir Bhutto mas como tem com ela semelhanças de perfil claras, e essa – mau grado todas as tentativas feitas pelo regime iraniano – está viva, e continua a ser a melhor aposta para a mudança no seu país.

O assassínio de Benazir Bhutto não pode deixar ninguém indiferente. Aquilo que o fanatismo pretende abater na sua acção não cabe nas fronteiras de nenhum país em particular, são os valores universais da igualdade de oportunidades entre todas e todos. A ilusão de que no nosso mundo globalizado um fenómeno desta natureza se encerra em fronteiras políticas sairá certamente muito cara a todos nós, e é por isso que é necessário desfazê-la tão rapidamente quanto possível.

Nestas linhas deixo uma homenagem póstuma a Benazir Bhutto, e com ela a tantas e tantas mulheres que arriscam e dão a sua vida por uma sociedade mais justa e mais fraterna. Faço votos para que o seu sacrifício não tenha sido em vão.

publicado por nx às 11:52
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