Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Hipocrisia

O maior parceiro comercial do Irão é a Alemanha que exportou no ano passado 4 bilhões de euros para a república iraniana. O Dr. Matthias Kuntzel da Universidade de Hamburgo é um perito nas relações Berlim – Teerão, e um dos principais activistas na campanha contra esta política. Ele participou de uma conferência no início deste mês em Berlim sobre o Fórum Berlinense sobre a Liberdade do Oriente Médio, uma coalizão entre organizações judaicas e não-judaicas, com o propósito de demonstrar a extensão dos laços entre os dois países. “Enquanto a Chanceler Angela Merkel e seus ministros de gabinete compareceram a uma sessão conjunta com o gabinete israelense em Jerusalém, e ressaltou o comprometimento deles com a existência continuada de Israel”, relatou Kuntzel ao Haaretz, “As empresas alemãs continuam a fazer negócios com o Irão. Não pode haver maior hipocrisia”. Na Conferência ele apresentou dados mostrando que mais que 1.750 empresas vendem maquinaria avançada

Hipócritas transacionam com Ahmadinejad
e outros equipamentos para as indústrias do petróleo, têxtil, plástico e gráficas iranianas. Os maiores exportadores são a Siemens e a Linde, e Kuntzel afirma que fornecem equipamentos essenciais que o Irão pode também utilizar no seu programa nuclear. Kuntzel afirma que cerca de 40% das importações do Irã da Comunidade Europeia são da Alemanha. “Empresários na Alemanha afirmam que caso não vendam para o Irão, nossa economia sofrerá” diz ele. “Mas é uma mentira deslavada. Se cessarmos nossos laços comerciais com o Irão, isto afectará somente a metade de um por cento de todas as nossas exportações, mas acarretará danos irreparáveis ao Irão. A Alemanha tem que entender que a menos que sanções severas e efetivas sejam impostas ao Irão, a opção que restará será a guerra”.

publicado na Rua Judaica

 

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

A ameaça de holocausto nuclear em debate

  Paulo Casaca

Lado a lado com académicos, jornalistas e políticos, europeus, americanos, israelitas e iranianos, participei nos dias 2 e 3 de Maio em dois ciclos de conferências, a primeira em Berlim, promovida pelo Fórum para a Liberdade do Médio Oriente de Berlim, e a segunda em Viena, promovida pela plataforma política "Stop the Bomb" (parem a bomba).

Os pontos de vista expressos cobriram o espectro do que é o debate nos dias de hoje no Ocidente, com alguns a defender a sua preferência por uma política de apaziguamento, que é necessário oferecer ainda mais concessões ao regime iraniano para que este desista da bomba; outros partidários de um cenário de clara confrontação armada, nuclear, se tal for preciso, e finalmente outros, como eu, que tentaram mostrar a possibilidade de uma terceira via.

A terceira via que defendi no debate assenta em três vectores fundamentais.

O primeiro consiste na aplicação estrita das sanções económicas e diplomáticas decididas pelas Nações Unidas.

Contrariamente ao que se possa pensar, o domínio tecnológico do Ocidente é ainda muito grande e há muita coisa que a Rússia e a China não conseguem fornecer em condições competitivas. Mesmo se assumirmos que estes dois países não cooperarão totalmente no sistema de sanções, estas continuam a ser importantes. 

É claro que quanto mais coerentes e mais consistentes forem as sanções, mais estas serão eficazes.

O segundo vector é o do apoio à oposição política e à sociedade civil iranianas. Quanto mais depressa abandonarmos a política suicida de chamarmos terroristas às vítimas do terrorismo, na ilusão de que assim evitaremos sermos também vítimas, melhor.

O terceiro vector é o da contenção do expansionismo externo iraniano, contenção que tem de ser feita em toda a região, mas a começar exactamente pelo Iraque.

Estou em crer que o desenvolvimento integrado destas opções políticas poderá contribuir para a mudança de regime e dificultará fortemente o seu programa nuclear em particular e de promoção do terrorismo em geral.

Aquilo que me pareceu mais impressionante nestas conferências foi a mobilização e participação em massa de jovens estudantes universitários que parecem ter rompido finalmente com os dogmas do anti-semitismo e da condescendência com o fascismo religioso e nacionalista dominantes.

Em segundo lugar, destaco a participação de muitos representantes da oposição iraniana que decidiram iniciar um diálogo que é fundamental para a preservação da paz. 

Em terceiro lugar, e talvez o mais significativo, foi o esboçar de uma nova esquerda europeia virada para a defesa dos valores fundamentais das revoluções liberais e democráticas e dos movimentos de emancipação que se lhes seguiram.

Trata-se de uma nova esquerda, em estreita ligação com sectores democratas americanos e trabalhistas britânicos, mas que parece querer adquirir um centro de gravidade no coração do continente europeu, com perspectivas próprias.

O Grande Médio Oriente – em certa medida em concorrência com a China – tornou-se o principal palco de afrontamento da política ocidental, e estou em crer que é também aqui que se vão moldar as lógicas políticas dos principais actores no cenário internacional.  

publicado por nx às 12:12
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A nova esquerda europeia nasce entre Berlim e Viena

O Fórum para a Liberdade do Médio Oriente de Berlim e o "Stop the Bomb" (parem a bomba) de Viena promoveram, nos dias 2 e 3 de Maio, conferências sobre a ameaça de holocausto nuclear da teocracia iraniana.

Organizações Não Governamentais recentes, nascidas da rejeição da ameaça neonazi da teocracia iraniana e da defesa do direito à existência de Israel e dos judeus – como de todos os países e de todos os povos – a sua característica básica comum é a de serem formadas por jovens vindos de organizações de esquerda – e mesmo de esquerda radical – em ruptura com a contemporização dos seus Estados Maiores com o fascismo religioso e nacionalista no Grande Médio Oriente.

A esquerda dos princípios e dos valores é uma esquerda que preza a vida, a liberdade, a tolerância e a solidariedade como valores supremos e que não se pode remeter a plataformas saídas de intrincados raciocínios sobre poderes e relações de força.

Durante muito tempo a manipulação dos árabes da Palestina pelas autocracias da região, com a cobertura mediática e estratégica ocidental, transformaram aquilo que não é mais do que uma das manifestações de intolerância contra as minorias, numa luta entre espoliados de terras e de nacionalidade contra um impiedoso opressor.

As limpezas étnicas que foram depurando todo o Grande Médio Oriente, primeiro de judeus, mas depois de cristãos, de Druzos, de Bahai, de curdos, de turcomanos, de yazedis e de tantos outros, o extremismo nacionalista árabe primeiro e o fanatismo islâmico depois, foram menorizados na sua ameaça e sistematicamente desculpados como "reacção à agressão sionista" ou qualquer outro disparate do género, ou ainda pura e simplesmente assumidos como custos naturais e inevitáveis do petróleo e do mercado.

Quando os dirigentes iranianos começaram a negar a verdade do Holocausto, a conspirar com os neonazis europeus na perseguição dos judeus, dos seus opositores ou mesmo – como aconteceu comigo – dos dirigentes políticos europeus que se lhes opõem, a proclamar o esmagamento do Estado de Israel, aí finalmente houve quem entendesse que se tinha ido longe de mais na desculpabilização do fascismo islâmico.

Parte da velha esquerda parece ter sucumbido ao apelo do petróleo, utiliza a retórica do multicultaralismo para esconder a intolerância étnica, cultural e religiosa, e não se distingue por isso do que sempre foi a direita dos interesses em quem repentinamente descobre virtudes antes desconhecidas.

A luta contra o fascismo religioso é a luta pela libertação dos povos do Grande Médio Oriente, a começar naturalmente pelo mundo árabe. Quem oprime o mundo árabe não é Israel ou o sionismo, são exactamente aqueles que em nome da defesa da sua religião pretendem mantê-lo acorrentado a mitos e práticas profundamente reaccionárias.

Como dizia o manifesto de um movimento britânico também presente na conferência, o "Democratiya":

    "Sectores da esquerda deixaram-se remeter a um canto incoerente e negativo do "anti-imperialismo" perdendo contacto com os valores tradicionais democráticos, igualitários e humanistas".

E mais adiante:

    "Democratiya defende as bandeiras das revoluções democráticas dos séculos XVII e XVIII. Essas ideias tornaram-se a herança de todos pelas revoluções social-democratas, feministas e igualitárias dos séculos XIX e XX".

Recentemente, o Bloco Nacional Galego sofreu uma cisão exactamente pelo carácter xenófobo e anti-semita da pretensa posição anti-imperialista da direcção do bloco.

Pouco a pouco, vai-se erguendo uma nova esquerda, e eu creio que neste princípio de Maio, entre Berlim e Viena, ela se tornou imparável.

Paulo Casaca

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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Paulo Casaca fala sobre “A União Europeia, o Irão e a Eficiência de Sanções”

O Deputado Paulo Casaca foi convidado a participar em mais duas Conferências Internacionais sobre a problemática iraniana, deslocando-se a Berlim e a Viena de Áustria, nos dias 2 e 3 de Maio respectivamente, para abordar o tema “A União Europeia, o Irão e a Eficiência de Sanções”, no âmbito de dois eventos organizados pelo Fórum para a Liberdade no Médio Oriente (em Berlim) e a Coligação contra o Programa de Extermínio Iraniano – STOP THE BOMB (em Viena de Áustria).

 

Nos dois eventos, Paulo Casaca irá defender a necessidade de se repensar uma nova estratégia de combate ao que denomina de "imperialismo teocrático", que comece por apoiar a verdadeira oposição política e a sociedade civil, em detrimento da aposta em falsas alternativas reformistas.

 

A Europa tem sido incapaz de agir como uma força unida perante Teerão, nem mesmo em termos económicos. Um regime inteligente de sanções económicas e diplomáticas é uma peça essencial de qualquer estratégia fiável com vista a pôr termo à bomba nuclear do fanatismo, mas que só terá efeito se for conjugada com uma política de apoio à oposição política e social e de contenção ao expansionismo teocrático na região”, refere o deputado socialista.

 

Saliente-se que ainda na passada semana, Paulo Casaca apelou para que o Parlamento Europeu dê um sinal claro e inequívoco de apoio às mulheres iranianas na sua luta contra o regime teocrático iraniano, no âmbito de uma Resolução – de que foi co-autor – sobre a violação dos direitos das mulheres e que condena a crescente pressão com que se debatem os activistas defensores de igualdade entre homens e mulheres naquele país.

publicado por nx às 12:39
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Conferência Internacional [Alemanha] sobre a Ameaça Iraniana

Business as usual?
The Iranian regime, the holy war against Israel and the West and the German reaction


Dear Ladies and Gentlemen and dear Friends,


we would like to inform you about an international conference on Iran that will take place in Berlin on May 2nd and 3rd
. A diverse group of renowned speakers from different countries, including exile-Iranian opposition members, academics, politicians, journalists  and NGO representatives, will be speaking. Below you can find the program schedule, which will be updated with a number of additional speakers. You can receive the latest information on our new website www.mideastfreedomforum.org and in our newsletter. A subscription to the free newsletter requires an empty email to join@mideastfreedomforum.org.

Registration to the conference will be possible on our website from 24.3.2008 on.

Support our conference!

Please forward this mail to your potential interested contacts - persons, institutions, mailinglists - and please also use your weblog or other media to inform about the conference.

And we also urgently need donations - you can find our bank account below or on our website.

Do you have other means to support the conference? Please contact us!

Your sincerely,
Mideast Freedom Forum
Berlin e.V.

Phone: +49 (0)30 8733 3417
Fax: +49 (0)30 700 143 1010
Mail:
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Web:
www.mideastfreedomforum.org

Please support the conference and our further work with a donation!

Reason for payment: "Freedom Forum"
Mideast Freedom Forum
Berlin e.V.
Nr.: 7668866
BLZ 100 700 24 (Deutsche Bank)
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BIC/Swift: DEUTDEDBBER

 

 

Friday, May 2nd 2008

 

11 a.m.

Press conference


7 p.m.

Introduction and greetings

 

7.30 p.m. 

Opening panel:
Islamism, Antisemitism, Nuclear Programme: The Iranian threat

 

Religious and ideological motivation in Iranian domestic and international policies
Menashe Amir
Former director of the Persian program of Voice of Israel, Israel

A second Holocaust? The threat to Israel
Prof. Benny Morris
Professor of History,
Ben-Gurion University, Middle East Studies Dept., Israel

"Strategic partner"? The special German-Iranian relationship
Dr. Matthias Küntzel 
Political scientist, board member Scholars for Peace in the Middle East,
Germany

The EU, Iran and the effectiveness of sanctions
MEP Paolo Casaca
Partido Socialista Portugal, Socialist Group in the European Parliament, Portugal

Chair: Alan Posener
Head commentator Welt am Sonntag, Germany

 

 

Saturday, May 3rd 2008

 

10.15 a.m. - 12.00 p.m.

Theocracy and Human Rights.
The character of the Iranian Regime



Anatomy of Terror in the Iranian theocracy
Javad Asadian
Writer and Poet, member and former president of the exil-Iranian PEN, Germany

Women under theocracy

Nasrin Amirsedghi
Publicist,
Germany

The situation of the Kurds in Iran
Dr. Miro Aliyar
Representative of the Democratic Party of Iranian
Kurdistan, Austria

Chair: Caroline Fetscher
Journalist,
Tagesspiegel, Germany

 

 

12.45 p.m.  - 14.30 p.m.

The Holy war against Israel and the West

The roadmap to the bomb
Yossi Melman 
Writer and journalist,
Haaretz, Israel

Terror and ideology-export: The Islamic Republic's war against the West
Dr. Patrick Clawson 
Deputy Director for Research at the Washington Institute for Near East Policy, USA 

Iran and the Islamist network in Germany
Alexander Ritzmann 
Political Scientist, European Foundation for Democracy,
Germany

Chair: Dr. Sylke Tempel
Historian and Publicist,
Germany

 

16.00 p.m. - 17.45 p.m.

Iran and Europe: Dialogue or confrontation?



Capitulate to the Iranian Regime?
Henryk M. Broder (tba.) 
Journalist,
Germany

Business as usual? German-Iranian trade relations
Dr. Matthias Küntzel 
Political scientist, board member Scholars for Peace in the Middle East,
Germany

Know nothing, hear nothing, see nothing - Germanys policy towards Islamism: Calculation or anticipatory obedience?
Bruno Schirra
Journalist and Publicist,
Germany

Chair: N.N.

 

 

18.15 p.m. - 20.15 p.m. 

Final panel:
The need for a new antifascism

 
International cooperation against the Mullah-Regime
Kayvan Kaboli

Spokesperson of the Green Party of
Iran, USA 

Where are the anti-fascists? Iran and the meaning of "Coming to terms with the Nazi past" in 2008
Prof. Jeffrey Herf 
Historian,
University of Maryland, College Park, USA 

Freedom, secularization, democracy – for a new Middle East
Thomas von der Osten-Sacken 
Manager Wadi e.V., Germany

Chair: Doris Akrap
Editor Jungle World,
Germany
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

«Nuclear» recomenda:

Jihad and Jew-Hatred:

Islamism, Nazism and the Roots of 9/11
by Matthias Küntzel
Translated by Colin Meade
Telos Press


Jihad and Jew-Hatred makes a major contribution to the understanding of radical Islamism by tracing the impact of European fascism on the Arab and Islamic world. Drawing extensively on German-language sources, Matthias Küntzel analyzes the close relationship that began in the 1930s between Nazi leaders and Muslim extremists, especially the Egyptian Muslim Brotherhood and the Mufti of Jerusalem. This path-breaking book provides compelling documentation of the Nazi roots of what became Islamo-fascism and jihadist terror.

This study demonstrates in historical detail how the Muslim Brotherhood has consistently placed the hatred of Jews at the center of its ideology and policies through an incendiary rhetoric that interweaves passages from the Koran hostile to Jews with elements of Nazi-style world-conspiracy theories. Ancient prejudice and modern fantasies have become a deadly combination.

Jihad and Jew-Hatred also explains how the defeat of Nazi Germany in 1945 led to the shift of the center of global antisemitism to the Arab world, laying the foundation for radical Islamist currents in and around the Muslim Brotherhood and more recent terrorist organizations.

Küntzel convincingly shows that antisemitism is no mere supplementary feature of modern jihadism, and certainly no afterthought but its defining ideological core. This hatred also goes far beyond questions of Zionism and Israel. For Islamism, not only is everything Jewish evil, but every evil is Jewish, as the writings of Sayyid Qutb and the Charter of Hamas clearly explain to anyone willing to read them. It was this Jew-hatred that fueled the Jihad of the 9/11 terrorists.

publicado por nx às 19:38
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Colaboradores

Paulo Casaca
Walid Phares
Raymond Tanter
Thomas McInerney
Alireza Jafarzadeh
Matthias Küntzel

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