Quarta-feira, 19 de Março de 2008

O velho Cairo e os novos desafios

Paulo Casaca

Se alguém me tivesse dito, há alguns anos atrás, que eu me iria encontrar ao lado de um Arcebispo e Embaixador do Vaticano envolvido na mesma batalha política do que eu, dificilmente iria acreditar, mas foi exactamente o que aconteceu na 20ª Conferência Geral do Conselho Supremo para os Assuntos Islâmicos, que começou a 16 de Março, no Cairo.  

O Arcebispo Michael Fitzgerald refutou a ideia peregrina de que há um cerco ao Islão montado a partir do Ocidente cuja estratégia passa pelas célebres caricaturas, pela guerra ao terrorismo (afinal, há tanto terrorismo em nome do Islão como no País Basco!) e uma islamofobia imparável, refutação que eu apoiei sem restrições, não porque me pareça estarmos numa guerra de religiões ou de civilizações, mas apenas porque o que o Embaixador do Vaticano dizia me pareceu do mais elementar bom senso.  

O discurso do Governo Egípcio (Primeiro Ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros ou Ministro dos Assuntos Islâmicos) foi marcado pela preocupação em combater o principal problema da nossa era (o extremismo religioso) e dar segurança à comunidade (combater o terrorismo), agenda que creio tanto Michael Fitzgerald como eu mesmo subscrevemos, mas os problemas começam quando ouvimos os responsáveis das comunidades muçulmanas ou mesmo do Ministério, onde estas ideias fazem escola.  

Não creio, contrariamente a um bom número dos meus colegas, que a boa estratégia seja a de ceder à paranóia, estabelecer a censura para assegurar que não vamos ter caricaturas, pedir desculpa por todas as ofensas - reais ou imaginárias, actuais ou perdidas nos tempos - feitas ao Islão e esmorecer perante a ameaça fanática.  

Tal como tive a oportunidade de explicar na conferência, recuso esse caminho sem ter de pensar na defesa do Cristianismo ou da civilização ocidental (o que quer que isto seja), mas apenas tendo em conta os cidadãos iraquianos que, sendo na sua esmagadora maioria muçulmanos, sofreram e sofrem como mais ninguém os efeitos do fanatismo que usa o nome do Islão.  

O principal alvo da ameaça fanática é todo aquele que afirma ser possível ser muçulmano sem cair na barbárie e na Idade Média.  

É isto que as elites egípcias entenderam mas que não parecem capazes de tirar as consequências. É isso que as elites ocidentais têm de entender se não quiserem ser engolidas numa fogueira que não conhece limites geográficos, culturais ou temporais.
publicado por nx às 10:17
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Paulo Casaca defende o reforço das relações da União Europeia com o Egipto

O Deputado Paulo Casaca defendeu, este fim-de-semana, no Cairo, que o Egipto poderá ter um papel importante a desempenhar na construção de uma alternativa democrática no Mundo Árabe, a par de outros países de menor dimensão e importância estratégica.

 

À margem de uma intervenção proferida no âmbito da 20ª Conferência Geral do Conselho Supremo para os Assuntos Islâmicos - promovida pelo Presidente egípcio Hosni Mubarak - o parlamentar português considerou que a União Europeia deveria reforçar as suas relações com este Estado, cuja evolução do sistema político será crucial na definição do Mundo Árabe.

 

Paulo Casaca lembrou que o Egipto é, de vários pontos de vista, o coração do mundo árabe e uma referência fundamental no mundo islâmico. É o país árabe mais populoso, o que tem uma maior tradição cultural e científica, o que acolhe a sede da Liga Árabe e desempenha um papel charneira nesse espaço geopolítico.

 

“O Egipto é o maior e mais importante aliado ocidental na região e, continuando a ser um país com um regime autoritário, não tem desse ponto de vista comparação possível com as ditaduras brutais do Irão, do Sudão, da Líbia ou da Síria, fazendo parte do grupo de países autoritários onde já são consagrados alguns princípios importantes de um Estado de Direito, a par da Argélia, da Jordânia e de alguns Estados do Golfo”, salientou.

 

A  20ª Conferência Geral do Conselho Supremo para os Assuntos Islâmicos foi, este ano, subordinada ao tema dos “Princípios da Segurança Comum no Islão”.

 

Na sua comunicação, Paulo Casaca voltou a elogiar o papel positivo desempenhado pelo Egipto no apoio à reconciliação e reconstrução do Iraque, designadamente ao nível da resposta que tem evidenciado perante o drama dos refugiados iraquianos.

 

À luz do direito internacional, o Egipto não partilha de nenhuma obrigação específica em matéria de apoio aos refugiados iraquianos, já que não divide fronteiras com aquele país nem tão pouco está envolvido nas operações militares em curso. Para além do mais, sendo um país relativamente pobre, está a fazer mais que muitos outros de maior riqueza e responsabilidade no conflito, no sentido de aliviar o sofrimento humano no Iraque”, referiu.

 

No âmbito desta sua deslocação ao Cairo, Paulo Casaca foi recebido esta segunda-feira pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto e teve diversos encontros com parlamentares egípcios, com responsabilidades na área dos negócios estrangeiros, e com iraquianos refugiados naquele país.

publicado por nx às 10:08
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