Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Reviver Praga

  Paulo Casaca

Apenas saído do avião no Aeroporto Internacional de Beirute, mesmo à entrada da manga, fui logo interceptado, convidado a descer umas escadas e a entrar num Mercedes que, ziguezagueando entre aviões e viaturas aeroportuárias, me levou a um grupo de militares que nos próximos dias não me largaram.

Foi assim que eu entrei em Beirute, há uns anos atrás, e isto porque, como me explicaram os meus amigos, a "segurança" do aeroporto estava nas mãos do Hizbullah, ou seja, do mais notório dos grupos terroristas a mando de Teerão.

Em Maio deste ano, o Governo libanês parece ter tido a veleidade de querer parar com este estado de coisas em que o principal aeroporto do país serve de placa giratória a todo o tipo de armamento e de profissionais do terrorismo. Essa veleidade custou-lhe a ocupação do país pelas hordas do Hizbullah dirigidas, treinadas e financiadas pelos guardas revolucionários iranianos que colocaram em prisão domiciliária os principais dirigentes do país, destruíram as infra-estruturas da comunicação social que não controlam, liquidaram dezenas de pessoas e, finalmente, aceitaram retirar-se quando receberam garantias de que não iriam voltar a ser incomodados.

Tudo isto foi presenciado, consentido e justificado não só por umas forças armadas libanesas paralisadas mas também por milhares de soldados europeus que estão no Líbano para supostamente garantir a paz mas que na realidade só conseguiram criar condições para a intensificação da guerra.

Tal como há setenta anos atrás se fez com a invasão e destruição da então Checoslováquia pelos Nazis, também agora os intrépidos arautos da política do apaziguamento explicam que o governo libanês tinha feito uma provocação, que se tratava de lutas entre facções libanesas, que finalmente nem tudo está tão mau assim porque as hostilidades pararam.

Há anos que venho alertando para o suicídio colectivo que representa a política ocidental do apaziguamento em relação à ameaça do fanatismo teocrático iraniano, de que o Líbano é apenas um dos palcos.

Há anos que venho alertando para a necessidade de abrir os olhos, de entender que não podemos vender a alma pelo petróleo, que o fanatismo islâmico não vai parar em Beirute.

O que vai ser preciso para que se entenda que o Líbano não é mais do que a antecâmara de todo o Médio Oriente, e este, do que se pode vir a passar em todo o mundo? 

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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

A convulsão do Sudoeste asiático

Paulo Casaca
[2007-12-29] O assassínio de Benazir Bhutto representa um marco importante na escalada do fanatismo islâmico pelo controlo do Sudoeste asiático. Benazir Bhutto como mulher, dirigente política secular e democrática, era naturalmente um dos alvos prioritários do fanatismo, ficando no entanto por saber se o seu assassínio se deve apenas a estes factores.

Num debate promovido pela CNS (Cybercast News Service) Alireza Jafarzadeh, dirigente da resistência iraniana, considerou que uma das mais importantes pistas para entender a razão de ser do seu assassínio ser a promessa da dirigente política paquistanesa de deixar que a comunidade internacional interrogasse A.Q. Khan, o célebre "pai" da bomba atómica paquistanesa que resolveu rentabilizar os seus conhecimentos vendendo conhecimento e material para o fabrico da bomba à Líbia e ao Irão.

Essa promessa punha directamente em causa o interesse de países como o Irão, que poderiam ser tentados a utilizar todos os meios para impedir que ela fosse levada à prática.

Em qualquer circunstância o assassínio de Benazir Bhutto põe em causa não só as eleições de 8 de Janeiro mas também a capacidade do actual líder paquistanês Pervez Musharraf para dominar a situação nesse país.

A crescente instabilidade no Paquistão terá óbvias consequências no Afeganistão e tornará ainda mais difícil a missão de estabilização da NATO que se desenrola nesse país.

Enquanto as atenções se centram no Paquistão, a situação no extremo oposto da área de influência iraniana, concretamente no Líbano, não é menos preocupante.

De acordo com o diário libanês Al-Mustaqbal – propriedade de Saad Hariri, principal dirigente político do chamado bloco 14 de Março, bloco de resistência à colonização iraniana do Líbano – o Hizbullah (partido que explicitamente se anuncia como discípulo do Ayatollah Khameiny, ou seja, do principal dirigente político iraniano) está neste momento a treinar nas suas bases do Vale de Bekaa activistas de outras forças suas aliadas, como o Partido Nacional Socialista Sírio e forças fiéis ao General Aoun.


Ainda segundo o mesmo jornal, o Hizbullah está neste momento a proceder ao cerco da região de Al-Kharub, onde Walid Jumblat – um dos mais importantes opositores ao regime iraniano no Líbano – tem o quartel-general do seu partido socialista progressista (druso).

Estas informações constam de um despacho de 28 de Dezembro da autoria de H. Varulkar editado pelo MEMRI (centro de interpretação, análise e investigação no Grande Médio Oriente) que adianta ainda que tanto a imprensa alinhada com o bloco 14 de Março como a imprensa pró-iraniana dizem que actualmente no Líbano é quase tão simples comprar armas como comprar roupa. De acordo com a imprensa, a forte procura fez disparar o preço da AK-47 para valores entre os 300 e os 700 dólares e da M-16 para preços entre 0s 850 e os 1000 dólares.

A opinião pública é unânime no paralelo que faz com o desencadear da guerra civil libanesa de 1975, que se fez anunciar exactamente por um aumento exponencial da procura de armas no mercado.

Quer isto dizer portanto que, ao mesmo tempo que todas as atenções se viram para o Paquistão, é bem provável que a próxima onda de choque venha do Líbano.

Curiosamente, em termos relativos, o Iraque tornou-se agora mais tranquilo, depois de os EUA terem começado a colaborar activamente com a população do Centro e Norte do país que luta contra a Al-Qaeda e outros movimentos fanáticos e depois de terem avisado repetidamente o Irão de que a continuação das suas actividades terroristas neste país poderia levar a uma intervenção americana directa nesse país.

É uma situação de circunstância que será alterada quando o Irão achar mais conveniente. Desse ponto de vista, o afastar circunstancial do conflito para zonas mais periféricas, em simultâneo com uma imensa barragem de propaganda para dar uma imagem pacífica do regime, servem para afastar a possibilidade bem real de um ataque americano ao Irão durante a Presidência Bush.

São meros episódios tácticos que não põem em causa a minha convicção de que o controlo do Iraque é a prioridade absoluta do regime iraniano.

publicado por nx às 12:16
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