Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Protecção do Campo de Ashraf no Iraque

Instituições europeias favoráveis à aplicação da Convenção de Genebra

O deputado Paulo Casaca alertou hoje, em Bruxelas, para os perigos decorrentes da possibilidade dos Estados Unidos poderem vir a sancionar um dos piores crimes cometidos contra a humanidade ao permitirem, em ruptura com os compromissos públicos assumidos e com o mandato que lhe está atribuído pelas Nações Unidas, a deportação para o Irão de cerca de quatro mil iranianos, protegidos ao abrigo do artigo 27º da Quarta Convenção de Genebra, no Campo de Ashraf, a Norte de Bagdade.
 
No debate ocorrido na sessão plenária desta tarde – que foi aberto por Paulo Casaca, na sua qualidade de co-autor de uma Resolução do Parlamento Europeu sobre direitos humanos  – o deputado socialista referiu a necessidade de se respeitar o direito internacional e os princípios humanitários que devem reger a União Europeia, afirmando mesmo que a entrega dos opositores iranianos seria um acto muito pior do que "Guantanamo".
 
A posição do deputado socialista quanto à aplicação da Convenção de Genebra, massivamente apoiada pela Câmara, foi explicitamente apoiada pela Comissária Ferrero Waldner que afirmou o apoio da Comissão Europeia à aplicação da quarta convenção de Genebra aos refugiados iranianos no Iraque.
 
A Resolução votada exorta também os vários Estados-Membros e países democráticos a suspenderem a deportação para o Irão de pessoas ameaçadas de execução ou tortura, e condena, nos termos mais enérgicos, as condenações à morte e as execuções praticadas pelo regime teocrático iraniano, apelando para o estabelecimento de uma moratória, tendo em vista a abolição da pena de morte, de acordo com a resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 18 de Dezembro de 2007.
 
A este propósito, e à passagem do 20º aniversário sobre a trágica execução em massa de milhares de prisioneiros políticos em Teerão, Paulo Casaca referiu que as execuções no Irão estão em completo descontrolo, tendo chegado a atingir, num único dia, de acordo com comunicações oficiais das autoridades iranianas, o número de 29 pessoas enforcadas, na prisão de Evin, em Teerão.
 
À semelhança de anteriores recomendações, o Parlamento Europeu voltou hoje a insistir na necessidade do Conselho e Comissão acompanharem de perto a evolução da situação no Irão, encarando os sistemáticos casos de violação dos direitos humanos como condição básica para o progresso das relações económicas entre a União Europeia e aquele país do Médio Oriente.
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Visita ao Iraque

Líderes políticos, da sociedade civil e religiosos do Iraque pedem observadores internacionais para eleições provinciais

A preocupação fundamental dos presentes foi para as condições em que se poderão realizar as eleições provinciais previstas para o dia 1 de Outubro, sendo fundamental evitar a repetição das fraudes eleitorais que caracterizaram o escrutínio de 2005, o que só poderá acontecer se houver uma forte presença de observadores internacionais, nomeadamente das Nações Unidas, bem como de jornalistas, antes, durante e depois das votações. 

Outro dos pontos em debate foi a inexistência de possibilidades de voto para os mais de cinco milhões de iraquianos que tiveram de fugir das suas casas vítimas da violência dirigida contra as minorias étnicas e religiosas mas também contra as elites profissionais. Um facto que irá premiar os fautores da violência.
Paulo Casaca, que teve a oportunidade de testemunhar as francas melhorias das condições de segurança em praticamente todas as aldeias por onde passou, em Diyala e Al Salahidin, devido à presença dos chamados Conselhos do Despertar, foi confrontado com o insistente pedido para que sejam respeitados procedimentos jurídicos e humanitários para com os cerca de 60.000 detidos em prisões nacionais, regionais e da coligação ocidental.
Os líderes presentes insistiram de forma unânime para que a União Europeia controle as verbas dos projectos que financia no Iraque dado que o desvio de dinheiro é não só um prejuízo para o contribuinte europeu e potencial beneficiário iraquiano mas leva também ao financiamento dos esquadrões da morte e grupos terroristas que promovem a destruição do Iraque.
Os participantes nestes encontros, críticos da subserviência do actual governo às autoridades iranianas, estavam entre os promotores de uma petição de xiitas do Sul e de outros pontos do Iraque, nomeadamente da cidade Sadr, que pediam o encerramento das instalações diplomáticas iranianas e o fim das medidas de perseguição à Organização dos Mujahedines do Povo do Irão (OMPI). A cerimónia da entrega desta petição - com três milhões de assinaturas - foi feita na manhã do dia 14 por centenas de dirigentes políticos, tribais e alguns dos principais líderes religiosos xiitas. 
Nos dias 15 e 16, Paulo Casaca teve a oportunidade de se encontrar com o Governador da Província de Erbil, com o Presidente da Câmara de Erbil, com o Vice-Presidente da Assembleia Regional do Curdistão, com o Secretário Geral do Partido Democrático do Curdistão e ainda com os responsáveis autárquicos de Rawanduz, um dos municípios que tem sofrido com os bombardeamentos das forças iranianas e turcas a aldeias curdas do Iraque.
Entre outros pontos, as autoridades curdas mostraram a sua preocupação com os sucessivos bombardeamentos de artilharia a dezenas de aldeias curdas que têm provocado a fuga das populações e a destruição de escolas, hospitais e outras infra-estruturas.
Os autarcas da região fronteiriça queixaram-se da magreza do apoio concedido à população em fuga - cerca de mil dólares por família - da inacção das forças multinacionais e iraquianas e da ausência de qualquer esforço das Nações Unidas para observar a situação e parar a agressão.
Paulo Casaca realçou que a punição indiscriminada da população civil por presumíveis actos de guerrilha é classificada como um acto de terrorismo e formalmente proibida pelo artigo 33.° da quarta Convenção de Genebra.
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Paulo Casaca representa Parlamento Europeu em

missão do Fundo Internacional para a Reconstrução do Iraque

O Deputado Paulo Casaca foi designado pelo Parlamento Europeu para o representar numa missão ao Iraque promovida pelo Fundo Internacional de Reconstrução para o Iraque (International Reconstruction Fund Facility for Iraq - IRFFI) com a assistência do Banco Mundial e das Nações Unidas que decorre desde ontem na região de Dhi Qar.

Durante dois dias, a comitiva composta por representantes da Comissão de Dadores do Fundo, liderada pelo Embaixador Gianludovico de Martino, e que inclui o Embaixador Ilkka Uusitalo, representante da CE no Iraque, diplomatas de países dadores como os Estados Unidos, o Japão e a Dinamarca bem como representantes das Nações Unidas vai avaliar in locco a aplicação dos financiamentos externos e a evolução dos projectos em implementação no Sul do país.

A missão reuniu-se no passado dia 17 no Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos, e, ontem, dia 18, foi transportada pela força aérea italiana para o aeroporto militar de Tallil, a sudoeste de An Nasiriyah, de onde iniciou os seus trabalhos.

O Fundo Internacional de Reconstrução para o Iraque foi lançado em 2004 pelas Nações Unidas e pelo Banco Mundial no sentido de facilitar a canalização de ajudas e recursos com vista ao apoio da reconstrução e desenvolvimento no Iraque. Até ao momento, já foram contabilizados mais de 1.83 biliões de dólares em acções de financiamento para projectos de investimento a curto e médio prazo.

Saliente-se que cerca de 90% dos fundos da União Europeia destinados ao processo de reconstrução no Iraque foram canalizadas justamente através deste Fundo Internacional, num montante avaliado em 638 Milhões de Euros, o que faz da União Europeia o maior contribuinte para este fundo. No final de 2007, o total dos apoios comunitários ao Iraque ascendia a 829 Milhões de Euros.

Paulo Casaca chegou ontem, ao início da manhã, ao aeroporto de Tallil e foi de seguida recebido nas instalações da Unidade Local de Apoio à Reconstrução liderada por uma equipa italiana. Durante a manhã, no Centro de Treino de Mittica, Paulo Casaca participou em reuniões de trabalho sobre a criação de competências locais, a execução orçamental ao nível das províncias, o desenvolvimento do sector privado, o sistema bancário e os procedimentos de concurso público. À tarde inteirou-se dos principais projectos em curso sob a égide da Organização Mundial de Saúde, da UNICEF e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Esta segunda-feira, as discussões centraram-se nos desafios em matéria de segurança no âmbito do processo de reconstrução e nos projectos sob a alçada das Nações Unidas Habitat, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da FAO e da Comissão Económica e Social das Nações Unidas.

A importância da transparência e o controlo dos fundos disponibilizados pela União Europeia através de organizações internacionais, no domínio das acções externas, tem constituído uma das principais preocupações de Paulo Casaca, porta-voz dos socialistas europeus na Comissão de Controlo Orçamental do Parlamento Europeu. O deputado socialista ainda recentemente lamentou não terem sido tomadas as medidas necessárias para que as novas normas que constam do Regulamento Financeiro, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2007, fossem cumpridas pela Comissão Europeia, nomeadamente quanto à divulgação dos beneficiários finais dos vários fundos comunitários.

Concretamente, o deputado dos Açores insurgiu-se ainda contra o facto de a Comissão Europeia manter secretos os nomes das empresas às quais tem passado contratos sem concurso público em vários países do Médio Oriente – nomeadamente na Palestina, Líbano e Iraque – ao abrigo de cláusulas do regulamento financeiro que deveriam ser utilizadas de forma excepcional e que o deputado não compreende como puderam ser aplicadas nestes casos específicos.

Paulo Casaca considera ainda como não aceitáveis as razões pelas quais a Comissão Europeia remeteu para uma organização particular o papel de gestão global da sua intervenção no Iraque, da mesma forma que lhe atribuiu fundos vultuosos noutros países do Médio Oriente e dos Balcãs Ocidentais sem passar estes fundos por nenhum concurso público.

O parlamentar socialista pediu recentemente explicações à Comissão Europeia sobre a situação do Juiz Radhi al Radhi, a mais proeminente figura pública iraquiana da batalha contra a corrupção no país, que em 2006 reuniu provas que demonstram o desvio de elevadas somas afectas a gabinetes ministeriais e que, posteriormente, foram parar às mãos das milícias iraquianas que têm devastado o país. Recorde-se que o juiz al Radhi teve de fugir do país depois de ver trinta dos seus colaboradores assassinados.

Refira-se ainda que a organização “International Transparency”, no seu relatório de 2007, no contexto de uma análise a 163 países, aponta o Iraque como o terceiro país mais corrupto do mundo, apenas ultrapassado pela Birmânia e pelo Haiti.

Os socialistas europeus têm defendido um modelo mais interventivo da ajuda comunitária, que passe pela presença no terreno de uma agência europeia especializada em actuação em situações de conflito e de post-conflito, como a Agência Europeia de Reconstrução que fez um trabalho notável nos Balcãs Ocidentais.

Por outro lado, o parlamentar socialista tem reivindicado insistentemente o substancial aumento do apoio aos mais de cinco milhões de refugiados e deslocados iraquianos que têm atravessado situações dramáticas.

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Testemunhos de Coragem

 

Paulo Casaca organiza homenagem
a mulheres jornalistas no Iraque

Por ocasião do "Dia Internacional da Liberdade de Imprensa", assinalado no passado Sábado, o deputado Paulo Casaca vai prestar homenagem à dedicação e à coragem manifestada pelos jornalistas, nomeadamente mulheres, no exercício da sua profissão no teatro de guerra do Iraque promovendo um debate sobre a forma como numerosos jornalistas – entre eles um grande número de mulheres – arriscaram, e muitas vezes perderam, a sua vida para que se pudesse saber um pouco da verdade da tragédia iraquiana.

 

Recorde-se que a guerra do Iraque foi aquela em que até hoje mais jornalistas perderam a vida, sendo que ainda ontem, na cidade de Mosul, Tharwat Abdul-Wahab, jovem jornalista, foi assassinada, elevando-se para 235 o número estimado de profissionais mortos naquele país desde a sua invasão, em 2003.

 

O debate, organizado em parceria com a deputada socialista alemã Erika Mann, terá lugar amanhã, dia 6 de Maio, nas instalações do Parlamento Europeu, em Bruxelas, pelas 17h30, e contará com a participação de Susanne Fischer, Zainab Ahmed e Dawood Abdullah.

 

Susanne Fischer é responsável pelos programas de formação ministrados no Médio Oriente pelo IWPR – Institute for War & Peace Reporting (Instituto de Informação para a Guerra e a Paz). Depois de uma primeira licenciatura em Ciência Política, História e Literatura Hispânica, Susanne Fischer obteve a sua formação em jornalismo na Escola Henri-Nannen, de Hamburgo. Desde então, tem exercido as funções de repórter e editora, nos principais jornais e revistas alemães. É co-autora do livro “Café Bagdad – Der ungeheure neue Alltag um neuen Irak”. Susanne Fischer está no Iraque há cinco anos em missão de formação e de apoio a jornalistas iraquianos, tendo também prestado apoio humanitário a jornalistas em fuga da perseguição de que foram vítimas.


Zainab Ahmed e Dawood Abdullah vivem em Bagdade e foram ambos formados em jornalismo pelo IWPR, em 2004. Para além das profissões de microbiologia e engenharia, têm dedicado parte da sua vida à reportagem de guerra. Zainab Ahmed irá receber, de resto, no próximo dia 9 de Maio, em Hamburgo, o Prémio Henri-Nannen para a Liberdade de Imprensa.

 

Personalidades que representam autênticos exemplos de dedicação e profissionalismo e que estão espelhados na mais recente obra literária de Susanne Fischer – The Villa on the Brink of Insanity – livro que relata a tentativa de estabelecer no Iraque uma imprensa verdadeiramente livre e que a própria autora lançará em Bruxelas, num segundo evento programado para as 19h00 do mesmo dia.

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Paulo Casaca em várias iniciativas sobre a situação iraniana

 

Na sua qualidade de Co-Presidente do Intergrupo "Amigos de Um Irão Livre", o Deputado Paulo Casaca vai participar nos próximos dias em várias iniciativas em que estará em causa a situação do Ocidente perante o Irão.

 

No próximo dia 24 de Abril, em Estrasburgo, Paulo Casaca participa num seminário destinado a debater as "Relações entre a União Europeia e o Irão: Perspectivas de Mudança Democrática".

 

A iniciativa promovida pelo Comité Francês para um Irão Democrático e pelos "Amigos de um Irão Livre" terá lugar nas instalações da Associação Parlamentar Europeia (APE), pelas 9h30, e contará com a presença, entre outros, do Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Alejo Vidal Quadras, e do Presidente do Conselho Regional da Alsácia, Adrien Zeller. Na ocasião, Paulo Casaca abordará a relação do Irão com o fanatismo islâmico.

 

Na tarde do mesmo dia, Paulo Casaca usará da palavra na Plenária do Parlamento Europeu como co-autor de uma resolução sobre "a situação dos direitos humanos das mulheres no Irão" onde se condena a misoginia do regime teocrático e a violenta repressão que tem exercido sobre as mulheres iranianas.

 

No dia 30 de Abril, Paulo Casaca dará continuidade ao ciclo de conferências virtuais que se encontra a promover com recurso ao “Second Life”, programa que liga diariamente cerca de 10 milhões de utilizadores em todo o mundo. “Irão e o Fanatismo Islâmico” será o mote para o evento que, como habitualmente, irá realizar-se a partir do Gabinete do Deputado, Ponta Delgada, pelas 21h30 (UTC).

 

Nos dias 2 e 3 de Maio, o parlamentar socialista foi convidado a participar em mais duas Conferências Internacionais sobre a problemática iraniana, deslocando-se a Berlim no dia 2 e a Viena de Áustria no dia 3, para abordar o tema “A União Europeia, o Irão e a Eficiência de Sanções”, no âmbito de dois eventos organizados pelo Fórum para a Liberdade no Médio Oriente (em Berlim) e a Coligação contra o Programa de Exterminação Iraniano – STOP THE BOMB (em Viena de Áustria).

 

Na ocasião, Paulo Casaca irá defender a necessidade de se repensar uma nova estratégia de combate ao imperialismo teocrático, que comece por apoiar a verdadeira oposição política e a sociedade civil, em detrimento da aposta em falsas alternativas reformistas.

 

A Europa tem sido incapaz de agir como uma força unida perante Teerão, nem mesmo em termos económicos. Um regime inteligente de sanções económicas e diplomáticas é uma peça essencial de qualquer estratégia fiável com vista a pôr termo à bomba nuclear do fanatismo, mas que só terá efeito se for conjugada com uma política de apoio à oposição política e social e de contenção ao expansionismo teocrático na região”, refere o deputado socialista.

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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

O Irão e a Al-Qaeda

Paulo Casaca

Uma série de comentadores internacionais, seguidos de forma mais ou menos fidedigna por muitos outros a nível nacional, resolveram reagir a comentários triviais de John McCain relativos ao apoio dado pelo Irão à Al-Qaeda com tonitruantes declarações reclamando a retracção dessas afirmações.

Curiosamente, o líder operacional da Al-Qaeda, o egípcio Ayman Al-Zawahiri, já no final de Dezembro de 2007, numa entrevista produzida pela sua companhia multimédia Al-Sahab (in MEMRI n.º 1787 - 18 de Dezembro de 2007), procurava transmitir essa ideia: não negando explicitamente a existência da ligação Irão-AlQaeda no passado – e ninguém que saiba do que está a falar poderá negar com um mínimo de credibilidade essa ligação – procurava-se passar a ideia de que a Al-Qaeda tinha rompido com o Irão, que teria "apunhalado a Nação Islâmica nas costas".

Aparentemente, há quem embarque num raciocínio simplista: se foi com base em informações relativas à ligação entre Saddam Hussein, a Al-Qaeda e armas de destruição maciça (que se vieram a revelar falsas) que foi desencadeada a guerra do Iraque, se quisermos evitar a guerra com o Irão, o que há a fazer é negar que este tenha ligações à Al-Qaeda ou a armas de destruição maciça.

Subjacente a esta preocupação está a lógica de que os fins justificam os meios, em vez da lógica de que, só na base da verdade e nada mais que na base da verdade, é possível informar com rigor e seriedade e evitar desastres como o iraquiano.

Existe um volume enorme de informação independente sobre as ligações entre o regime iraniano e a Al-Qaeda, o que não quer dizer que não subsistam grandes áreas de sombra e de dúvida quanto à intensidade e natureza dessas relações.

Al-Zawahiri é partidário da repetição no Egipto de uma revolução islâmica como a do Irão e teve sempre relações próximas com esse país, continuando a ser hoje, na Al-Qaeda, o principal elo de ligação a Teerão, sendo que há quem entre os analistas internacionais esteja convencido que a sua base de operações actual se encontra mesmo no Irão.

Em qualquer caso, a organização de Al-Zawahiri, a Al-Jihad, só adere formalmente à Al-Qaeda no final da década de noventa, já de regresso ao Afeganistão, embora tenha mantido entretanto uma estreita colaboração com Bin Laden.

É o sucesso dos atentados de 1983 do Hezbollah que matam centenas de soldados dos EUA e da França, levando ambos estes países a deixar o Líbano, que convence Bin Laden a aderir ao terrorismo suicida. É o histórico líder terrorista do Hezbollah, Imad Mugnyah, que contrata com Bin Laden o treino dos operacionais da Al-Qaeda nas técnicas do terrorismo suicida.

O regime teocrático iraniano é o inventor do terrorismo suicidário moderno e fez a sua disseminação à escala mundial através do Hezbollah libanês (até os Tigres Tamil se inspiraram no Hezbollah) e dos grupos terroristas iraquianos instalados no Irão na sua vizinhança ocidental.

Com o advento dos talibãs no Afeganistão, que hostilizam o regime iraniano, e o regresso da Al-Qaeda a esse país, as relações entre o Irão e a Al-Qaeda parecem esfriar, mas a partir da operação aliada contra o Afeganistão existem provas insofismáveis de que numerosos dirigentes da Al-Qaeda se refugiam no Irão, e que alguns deles desencadeiam operações terroristas no vizinho Iraque.

Entre estes encontram-se os dirigentes do Ansar-al-Islam, que se instala na fronteira do Irão com o Curdistão iraquiano, e Al-Zarkaoui, que vai depois tornar-se o dirigente da Al-Qaeda no Iraque.

O apoio do regime iraniano à Al-Qaeda no Iraque e o terrorismo brutal desta organização contra os iraquianos em geral, e em particular contra as populações de áreas maioritariamente sunitas, leva a generalidade dos insurrectos sunitas iraquianos a inverter a sua política de alianças, procurando apoio dos EUA para combater a Al-Qaeda e outros grupos terroristas treinados, financiados e apoiados por Teerão.

Existem a esse propósito inúmeros testemunhos públicos, entre os quais podemos citar uma recente entrevista com os dirigentes do Hamas-Iraque (in MEMRI n.º 1890 - 8 de Abril de 2008).
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Paradoxos Iraquianos

Paulo Casaca

A trégua conseguida pelo General David Petraeus, por parte do líder radical xiita Muqtada Al-Sadr, foi dos mais importantes sucessos estratégicos americanos no Iraque em 2007 e, contrariamente ao que se possa pensar, os actuais confrontos com as suas milícias são um revés de consequências potencialmente desastrosas.

O General Petraeus estudou e entendeu o que há de mais importante a compreender na história recente do Iraque, nomeadamente o facto de as principais correntes religiosas xiitas iraquianas se terem fortemente dividido nas três últimas décadas entre uma corrente nacionalista iraquiana "Al-Sadr" e uma corrente xiita pró-iraniana de que a família mais importante é a "Al-Hakim", família que veio do Irão para o Iraque em meados do século XIX e cuja origem é libanesa.

As duas correntes são igualmente partidárias de uma leitura extremista do Islão, mas enquanto a primeira alinhou com as forças leais ao país na guerra com o Irão a segunda integrou os destacamentos dos Guardas Revolucionários Iranianos (Pasdaran) na guerra contra o seu país de origem.

Quando os EUA resolveram invadir o Iraque, trouxeram na sua ilharga as facções iraquianas que o Irão armou e financiou desde o início da década de oitenta e que utilizou, desde então, na sua guerra contra o Iraque e depois em actividades terroristas neste país e na região do Golfo, nomeadamente as brigadas BADR, formadas como destacamento dos Pasdaran.

Foram as facções iranianas do Xiismo Iraquiano aquelas que ocuparam imediatamente o centro do poder e que, por essa razão, continuam a ter os lugares principais no Governo do Iraque, com um pequeno interlúdio quando os EUA resolveram convidar o mais pró-ocidental dos líderes iraquianos – Ayad Al-Alawi – para Primeiro-Ministro.

Moqtada Al-Sadr foi das primeiras figuras que se distanciou desta dupla ocupação do Iraque, pelos EUA e pelo Irão, tentando tirar partido do seu inequívoco apoio popular. O regime iraniano, de forma inteligente, ao mesmo tempo que utilizou os EUA para impor os seus homens de mão no controlo do Iraque, foi financiando todo o tipo de rebeldes que tornassem a presença dos EUA insuportável.

A estratégia de Al-Sadr está a atingir os seus limites, porque o apoio iraniano foi um apoio envenenado: por um lado deu armas e dinheiro e, por outro, infiltrou as milícias de Al-Sadr de Pasdaran e dos piores gangsters existentes no Iraque.

O crescente envolvimento destes elementos, não controlados por Al-Sadr, em ataques contra os EUA e a população fez com que a declaração de guerra do Governo iraquiano às milícias de Al-Sadr – que sem dúvida foi apadrinhada por Teerão – não pudesse ser contestada pelas forças americanas.

O afastamento ou a secundarização das milícias de Moqtada Al-Sadr virá assim apenas reforçar o controlo da situação no Iraque pelo regime iraniano.

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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Notas soltas sobre o Jornalismo no Iraque



Publicado inicialmente no blog
Jornalismo em Segurança de Paulo Nuno Vicente

Por trás da minha secretária acumulam-se os livros sobre o Iraque, a maioria dos quais – e os melhores – escritos por repórteres de guerra, antes da operação militar de 2003 ou apenas num breve período depois disso.

São relatos que nem sempre podem ser classificados de objectivos – e a discussão sobre o que é a objectividade levar-nos-ia para longe do objectivo destas notas – mas que nos dão um testemunho vivido e insubstituível da realidade.

Numa guerra, costuma-se dizer que a primeira vítima é a verdade, mas na presente guerra do Iraque é justo dizê-lo que a principal vítima foi mesmo a do portador da verdade, ou seja, o jornalista.

Nunca numa guerra foram mortos tantos jornalistas como nesta, nunca tantos pereceram vítimas do cumprimento do seu dever, e nunca se assistiu a uma política que tinha como objectivo deliberado a eliminação dos jornalistas.

Há muitas contas a saldar no Iraque, mas uma das mais importantes é sem dúvida a que temos com esta comunidade da imprensa que deu tanto de si para que alguma coisa daquela tragédia pudesse ser conhecido.

Na última vez que estive no Iraque e quando assisti a uma conferência com milhares de iraquianos na cidade de Ashraf (centro da OMPI - Organização dos Mujahedines do Povo do Irão - que, sob protecção militar norte-americana, tem funcionado como a verdadeira zona verde dos iraquianos, ou seja, a única zona onde eles podem pacificamente encontrar-se), verifiquei que os principais organismos da imprensa internacional estavam representados por iraquianos.

Se se tratasse de uma decisão editorial, o facto só seria de assinalar pela positiva, mas realmente não era esse o caso: tratava-se apenas de assegurar fontes mais ou menos técnicas de imagem ou de som a ser tratados, por outrem, fora do Iraque; o jornalismo internacional independente (ou seja, não integrado em nenhuma força beligerante), pura e simplesmente, tinha desaparecido.

Mas o jornalismo independente continuava, com cada vez maiores dificuldades e restrições. Sameerah al-Shibli – o meu primeiro e principal contacto no Iraque – estava ainda presente, em Fevereiro do ano passado, em Al Khalis, cidade sediada nas imediações de Ashraf e que se tornaria num dos principais centros de intervenção das brigadas Quods dos Guardas Revolucionários Iranianos.

Foi por essa altura que, já depois de ter perdido grande parte da família num massacre organizado na cidade vizinha de Al-Mughdadia (ao que se pensa, pelo responsável do exército iraquiano na Província), a Sameerah fez a reportagem de uma operação militar do exército iraquiano na aldeia vizinha de Al-Khalis, Abo-Tamor, onde um seu primo direito de doze anos foi enfiado num buraco e assassinado com um tiro na nuca.

Foi uma reportagem em que me baseei para apresentar uma queixa formal ao relator para as execuções extrajudiciais das Nações Unidas e que, tanto quanto me consta, terá sido tida em conta para remover o general iraquiano responsável (que substituiu o anterior, mas que tinha a mesma filiação política numa das organizações próximas do regime de Teerão).

Pouco depois, Sameerah viu o seu motorista barbaramente assassinado, depois de torturado, tendo presumido que o objectivo da tortura tinha sido o de conhecer os locais por onde ela passava a fim de organizar a sua eliminação, e teve que fugir, tendo eu conseguido organizar a sua fuga com a preciosa ajuda de Susanne Fischer e da Delegação de Suleymania do Instituto para o Jornalismo da Guerra e Paz.

Sameerah al-Shibli, por ora, está no Cairo, mantendo uma rede mais ou menos clandestina de repórteres, com os quais edita um jornal, o Iqraa – agora apenas electrónico, www.Iqraapress.com – que substitui aquele de que era editora.

Ainda há pouco tempo, quando acusou o chefe da polícia na província de Dyiala de ter organizado, em colaboração com a Al Qaeda, um atentado contra o líder do Partido Islâmico em Bakuba – atentado que provocou várias vítimas, entre militares norte-americanos e líderes iraquianos – recebeu ameaças de morte telefónicas, para si e para os seus.

Enfim, detalhes das histórias que ela tenciona publicar, assim que conseguir proteger o que resta da sua família, que se encontra escondida longe da sua cidade natal, mas ainda no Iraque, por não ter conseguido fugir para nenhum outro sítio.

Em Junho passado, Sahar al-Haideri – uma das mais importantes colaboradoras do Instituto – foi também assassinada, juntando-se assim a uma interminável lista dos mártires da imprensa.

A meu convite, Susanne Fischer deverá deslocar-se-á no próximo dia 6 de Maio ao Parlamento Europeu, para nos falar um pouco do seu trabalho e da realidade do jornalismo no Iraque, e essa será talvez uma oportunidade para continuar estas notas.

Bruxelas, 2008-03-27

Paulo Casaca

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Paulo Casaca no “National Press Club” em Washington

Os Co-Presidentes do Intergrupo do Parlamento Europeu "Amigos de um Irão Livre", Paulo Casaca e Struan Stevenson, conservador escocês, são hoje os oradores convidados do National Press Club em Washington, para uma palestra denominada de Irão e Iraque: Rumo a uma Parceria Transatlântica para uma Política Efectiva.

 

O “National Press Club”, criado por três dezenas de jornalistas a 29 de Março de 1908, marca desde então o quotidiano de Washington. Pelas portas do seu edifício passaram todos os presidentes dos Estados Unidos, desde Theodore Roosevelt, assim como Reis e Rainhas, Primeiros-Ministros, Senadores, Congressistas, Embaixadores, Professores Universitários, Líderes Económicos, entre outros.

 

O convite para esta palestra tem lugar num momento particularmente delicado do Grande Médio Oriente e em que a parceria estratégica transatlântica se torna mais importante.

 

Esta palestra será precedida de uma reunião pública no Senado e deu-se na sequência de vários encontros com congressistas norte-americanos.

 

Ainda no âmbito da sua deslocação aos Estados Unidos da América, Paulo Casaca foi recebido pelos os congressistas luso-americanos Devin Nunes e Jim Costa tendo debatido formas de promover a cooperação luso-americana em especial através dos Açores.

 

Jim Costa, membro da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Congresso discutiu em especial com Paulo Casaca a possibilidade de alargar à NATO a eventualidade de desenvolver o treino de pilotos na base das Lajes, facto que foi encarado com muito interesse.

 

Ainda neste âmbito, Paulo Casaca teve uma reunião com quatro responsáveis do Departamento de Estado e ainda com um conselheiro da Embaixada de Portugal junto dos EUA, em que se discutiu o papel dos Açores na promoção da cooperação transatlântica.

 

Em particular foi vista com muito interesse a realização de uma segunda edição da Conferência Transatlântica sobre Energias Renováveis que teve pela primeira vez lugar em Dezembro de 2006, na ilha Terceira.

 

Enquanto membro das delegações do Parlamento Europeu para as Relações com a Assembleia Parlamentar da Nato e para as Relações com o Irão, o Deputado socialista tem ainda reservado, para este último dia de deslocação, um encontro com os senadores norte-americanos, Kay Bailey Hutchison, do Texas, e Johnny Isakson, da Geórgia.

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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Paulo Casaca em Washington

para contactos bilaterais sobre as actuais relações Luso-Americanas e o Médio Oriente

 

 

O Deputado Paulo Casaca é um dos oradores convidados de uma palestra subordinada ao tema “Irão e Iraque: Rumo a uma Parceria Transatlântica para uma Política Efectiva”, promovida na próxima sexta-feira, dia 7 de Março, no Edifício da Imprensa Nacional, em Washington, em que participa ainda o Deputado britânico Struan Stevenson, que partilha com o parlamentar português a Presidência do "Grupo de Amigos por Um Irão Livre".

 

O evento insere-se no programa de uma deslocação de três dias aos E.U.A que Paulo Casaca inicia já amanhã, dia 5 de Março, mediante a realização de um encontro com os congressistas luso-americanos Devin Nunes, Jim Costa e Dennis Cardoza.

 

Na ocasião, o Deputado socialista irá discutir aspectos relacionados com as actuais relações luso-americanas e a possibilidade de se encetarem novas frentes de cooperação no domínio das energias renováveis. Os desenvolvimentos registados ao nível das perspectivas agrícolas fixadas pelos EUA para os próximos anos, através da "revisão" operada na Farm Bill, em contraponto com os desafios que na Europa se colocam no âmbito do "Exame de Saúde" da PAC e o Acordo de DOHA, são outros dos assuntos que Paulo Casaca pretende abordar no encontro, em particular junto do congressista Dennis Cardoza.

 

Na quinta-feira, dia 6 de Março, o Deputado Europeu tem previsto uma reunião de trabalho com o Presidente da organização “Voice of the Copts” destinada a debater o problema de alegados casos de perseguição religiosa de comunidades cristãs minoritárias, no Egipto.

 

A agenda da visita do parlamentar português prevê ainda contactos com responsáveis do Departamento de Estado e de Defesa Norte-Americano com vista a discutir as possibilidades relativas à renegociação do Acordo das Lajes.

 

Para além da palestra já mencionada, Paulo Casaca, enquanto membro das delegações do Parlamento Europeu para as Relações com a Assembleia Parlamentar da Nato e para as Relações com o Irão, tem ainda reservado para o último dia da sua deslocação, sexta-feira, dia 7 de Março, um encontro com os senadores norte-americanos, Kay Bailey Hutchison, do Texas, e Johnny Isakson, da Geórgia.

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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

"Yankee, go home... mas leva-me contigo!"

Esther Mucznik - Público, 2008.01.17
Investigadora em assuntos judaicos

O ódio aos Estados Unidos tem mais a ver com o que eles são do que com o que fazem

"Yankee, go home... mas leva-me contigo!"


Esta expressão do indiano Jairam Ramesh, citada por R. J. Lieber no seu livro A Era Americana, ilustra perfeitamente a ambivalência dos sentimentos que grande parte do mundo nutre pelos Estados Unidos da América. Odiamos o imenso poderio americano, culpamo-lo de todos os males do planeta, execramos a sua proverbial arrogância e brutalidade, a cultura de hambúrgueres e ketchup que invade as nossas mesas e, do alto do nosso cepticismo sofisticado e condescendente, escarnecemos do optimismo messiânico, da religiosidade primária, da estupidez de Bush, do patriotismo básico dos cowboys do lado de lá do Atlântico. Mas, paradoxalmente, não perdemos uma oportunidade para ir ou mandar os nossos filhos para as universidades americanas e vivemos os seus actos eleitorais com uma expectativa apocalíptica, como se o nosso próprio destino fosse selado por elas. Em suma, de uma forma ou de outra, acabamos por partilhar o "sonho americano".


E com razão, porque a verdade é que os EUA são, pelo menos por enquanto, uma potência com um poder inigualável do ponto de vista militar, económico, tecnológico e cultural. A sua tradição de liberdade individual e de igualdade de oportunidades, de fé na democracia representativa, de não-conformismo religioso e de idealismo, fez dos EUA um lugar único de oportunidade. Com apenas 4 por cento da população mundial, representam cerca de 40 por cento da despesa em investigação e desenvolvimento, possuem o maior número das melhores universidades do mundo e produzem a parte de leão dos prémios Nobel em Ciência, Medicina e Economia. É o seu imenso poder e sucesso, despertando ressentimentos e invejas, que está, em grande parte, na base do antiamericanismo global. Dito de outro modo, o ódio aos Estados Unidos tem mais a ver com o que eles são do que com o que fazem.

Vem isto a propósito das eleições presidenciais americanas e da imensa expectativa que as rodeia a nível internacional, cristalizando ódios e paixões desmesurados, sobretudo quando comparados com as possibilidades de transformação real que aquelas representam. Todos temos consciência do peso e da imensa influência da América no mundo. Mas será que o resultado destas eleições, seja ele qual for, mudará substancialmente o exercício do seu poder? As aspirações dos americanos parecem centrar-se na vontade de mudança. Será esse, na opinião da generalidade dos comentadores, o sentido do interesse despertado pelas campanhas do democrata Barack Obama e do republicano John Mac Cain: nenhum dos dois faz parte do que se pode considerar o establishment político.

Obama é, sem dúvida, aquele que inicialmente mais mudaria a imagem dos EUA no mundo: não só por ser negro, não só por ser jovem, mas por um estilo próprio que o distingue dos outros, nomeadamente de Hillary Clinton: menos ideológico, menos "politiqueiro", mais próximo das pessoas, com um discurso virado para o futuro que surge como uma lufada de ar fresco. Também o facto de ter uma origem parcialmente afro-asiática com o pai e o padrasto respectivamente do Quénia e da Indonésia, assim como ele próprio ter vivido na Indonésia e no Havai, permitem-lhe, na opinião do investigador Fareed Zacharia, uma melhor compreensão do mundo porque sabe "o que significa não ser americano".
Isto pode parecer estranho: afinal, tantos e tantos americanos, incluindo políticos, têm uma origem não-americana. Mas o mundo está a mudar rapidamente, com a emergência de países como a Índia, a China, a África do Sul ou o Brasil cada vez mais ricos, fortes e orgulhosos que também disputam o seu lugar ao sol, o que pressupõe uma visão mais abrangente da realidade mundial que tenha em conta as mudanças da relação de forças. Nada garante, no entanto, que a origem não-americana de Obama permita essa compreensão, nem que ela faça realmente a diferença, nomeadamente na política externa. O exemplo do Iraque é, neste aspecto, significativo: Obama promete retirar as tropas americanas em 16 meses e, tal como desde o início se manifestou contra a invasão do Iraque, pronunciou-se igualmente contra a nova política que, desde há um ano e sob a direcção do general David Petraeus, reforçou significativamente a presença americana no terreno - o que, aliás, sempre foi defendido desde o início pelo republicano John Mac Cain. Contrariamente a todos os prognósticos catastróficos, essa mudança de política funcionou e, não sendo provavelmente o único factor, contribuiu para estabilizar e reforçar a segurança no Iraque, permitindo um início de retirada em meados de Julho conforme já anunciado. Ou seja, nem sempre o discurso voluntarista tem uma eficácia prática. Em contrapartida, seria lamentável por parte de Obama deixar a sua campanha resvalar para a vitimização anti-racista - já iniciada a propósito de umas declarações inofensivas de H. Clinton - que só terá como consequência obscurecer o debate político.


A guerra no Iraque estimulou o debate sobre o poder da América e os seus limites e pôs em questão a Estratégia Nacional de Segurança definida pela administração Bush em 2002, que previa a possibilidade de uma acção militar preventiva e, se necessário, unilateral, contra Estados hostis e grupos terroristas, candidatos às armas de destruição maciça; previa também espalhar a democracia e os direitos humanos, em especial no mundo muçulmano. Esta estratégia de 2002, na prática alterada a partir de 2004, foi posta em causa pela realidade no terreno, mas é bom lembrar que ela tinha como fundamento os criminosos atentados de 2001 e a guerra do terror desencadeada pelos djihadistas islâmicos, assim como a impotência das instituições internacionais, nomeadamente das Nações Unidas, de lhe fazerem face. Esses fundamentos persistem e não é por Bush desaparecer de cena que essas ameaças também desaparecerão automaticamente. Muito pelo contrário, a persistência dessas realidades, a que se vieram juntar as criadas no terreno nos últimos anos, determina uma margem de manobra relativamente apertada a quem vier ocupar a Casa Branca. Seria bom reconhecê-lo, ao invés de prometer um céu que não está ao alcance, pelo menos, sem passar pelo purgatório.
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

A convulsão do Sudoeste asiático

Paulo Casaca
[2007-12-29] O assassínio de Benazir Bhutto representa um marco importante na escalada do fanatismo islâmico pelo controlo do Sudoeste asiático. Benazir Bhutto como mulher, dirigente política secular e democrática, era naturalmente um dos alvos prioritários do fanatismo, ficando no entanto por saber se o seu assassínio se deve apenas a estes factores.

Num debate promovido pela CNS (Cybercast News Service) Alireza Jafarzadeh, dirigente da resistência iraniana, considerou que uma das mais importantes pistas para entender a razão de ser do seu assassínio ser a promessa da dirigente política paquistanesa de deixar que a comunidade internacional interrogasse A.Q. Khan, o célebre "pai" da bomba atómica paquistanesa que resolveu rentabilizar os seus conhecimentos vendendo conhecimento e material para o fabrico da bomba à Líbia e ao Irão.

Essa promessa punha directamente em causa o interesse de países como o Irão, que poderiam ser tentados a utilizar todos os meios para impedir que ela fosse levada à prática.

Em qualquer circunstância o assassínio de Benazir Bhutto põe em causa não só as eleições de 8 de Janeiro mas também a capacidade do actual líder paquistanês Pervez Musharraf para dominar a situação nesse país.

A crescente instabilidade no Paquistão terá óbvias consequências no Afeganistão e tornará ainda mais difícil a missão de estabilização da NATO que se desenrola nesse país.

Enquanto as atenções se centram no Paquistão, a situação no extremo oposto da área de influência iraniana, concretamente no Líbano, não é menos preocupante.

De acordo com o diário libanês Al-Mustaqbal – propriedade de Saad Hariri, principal dirigente político do chamado bloco 14 de Março, bloco de resistência à colonização iraniana do Líbano – o Hizbullah (partido que explicitamente se anuncia como discípulo do Ayatollah Khameiny, ou seja, do principal dirigente político iraniano) está neste momento a treinar nas suas bases do Vale de Bekaa activistas de outras forças suas aliadas, como o Partido Nacional Socialista Sírio e forças fiéis ao General Aoun.


Ainda segundo o mesmo jornal, o Hizbullah está neste momento a proceder ao cerco da região de Al-Kharub, onde Walid Jumblat – um dos mais importantes opositores ao regime iraniano no Líbano – tem o quartel-general do seu partido socialista progressista (druso).

Estas informações constam de um despacho de 28 de Dezembro da autoria de H. Varulkar editado pelo MEMRI (centro de interpretação, análise e investigação no Grande Médio Oriente) que adianta ainda que tanto a imprensa alinhada com o bloco 14 de Março como a imprensa pró-iraniana dizem que actualmente no Líbano é quase tão simples comprar armas como comprar roupa. De acordo com a imprensa, a forte procura fez disparar o preço da AK-47 para valores entre os 300 e os 700 dólares e da M-16 para preços entre 0s 850 e os 1000 dólares.

A opinião pública é unânime no paralelo que faz com o desencadear da guerra civil libanesa de 1975, que se fez anunciar exactamente por um aumento exponencial da procura de armas no mercado.

Quer isto dizer portanto que, ao mesmo tempo que todas as atenções se viram para o Paquistão, é bem provável que a próxima onda de choque venha do Líbano.

Curiosamente, em termos relativos, o Iraque tornou-se agora mais tranquilo, depois de os EUA terem começado a colaborar activamente com a população do Centro e Norte do país que luta contra a Al-Qaeda e outros movimentos fanáticos e depois de terem avisado repetidamente o Irão de que a continuação das suas actividades terroristas neste país poderia levar a uma intervenção americana directa nesse país.

É uma situação de circunstância que será alterada quando o Irão achar mais conveniente. Desse ponto de vista, o afastar circunstancial do conflito para zonas mais periféricas, em simultâneo com uma imensa barragem de propaganda para dar uma imagem pacífica do regime, servem para afastar a possibilidade bem real de um ataque americano ao Irão durante a Presidência Bush.

São meros episódios tácticos que não põem em causa a minha convicção de que o controlo do Iraque é a prioridade absoluta do regime iraniano.

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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Vigilantes religiosos assassinaram 40 mulheres no Iraque

«Vigilantes religiosos mataram, pelo menos, 40 mulheres no sul do Iraque, na cidade Basra, por causa da forma como vestiam. Os seus corpos mutilados foram encontrados acompanhados de notas que avisavam contra «a violação dos ensinamentos islâmicos», afirmou o comandante da polícia.

O Gen. Jalil Khalaf culpou os grupos sectários que querem impôr uma interpretação estrita do Islão.»


Sobre a condição feminina no Iraque ler, também, a entrevista First Victims of Freedom que a activista feminista iraquiana Yanar Mohammed, concedeu à revista Guernica, em Maio de 2007.
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

«Iraque com Um Futuro»

Paulo Casaca reuniu com autoridades egípcias no Cairo

 

[03-12-07] O Deputado Paulo Casaca encerrou hoje uma missão de três dias ao Egipto, realizada no âmbito do fórum de discussão política euro-iraquiano, “Iraque com Um Futuro”, de que é fundador em parceria com parlamentares e outros políticos iraquianos.

 

O parlamentar foi recebido, esta segunda-feira, no Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio, pelo Embaixador Mohamed B. Jayed, Secretário de Estado Adjunto dos Negócios Estrangeiros, a fim de expressar a sua gratidão às autoridades egípcias pelo apoio prestado a diversos refugiados iraquianos, com quem manteve encontros no fim-de-semana, bem como discutir a actual situação política no Iraque.

 

Na ocasião, as autoridades egípcias confirmaram a sua oposição a qualquer tentativa de colocar em questão a independência e integridade do Iraque, discordando de uma retirada precipitada e não programada das forças militares americanas.

 

Para o Egipto, o Iraque está no coração do mundo árabe e os problemas desse país devem ser equacionados a partir desse contexto, posição inteiramente partilhada pela plataforma “Iraque com Um Futuro”.

 

A reunião permitiu, ainda, passar em revista vários projectos de debate sobre a realidade cultural, social e política iraquiana, bem como a possibilidade de realização de parcerias euro-egípcias, com vista ao desenvolvimento do Iraque.

 

Segundo o deputado socialista, “o Egipto tem desempenhado um papel positivo no apoio à reconciliação e reconstrução do Iraque e tem sido o país que, apesar de não ter obrigações internacionais para com os refugiados iraquianos, tem prestado um apoio mais eficaz, embora discreto, a situações humanitárias desastrosas”.

 

No final da reunião, Paulo Casaca manifestou-se animado com o interesse das autoridades egípcias pela situação do Iraque e disse esperar que ele resulte num maior empenho da diplomacia árabe no apoio ao povo iraquiano.
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Iraqi Shiites' Real Voice

Alireza Jafarzadeh

[29-11-2007] Since the United States invasion of Iraq in 2003 and the fall of Baghdad in April of that year, there was a false consensus created, suggesting that Iraqi Shiites are represented by clerics who are close to Tehran, i.e. the Supreme Council for the Islamic Revolution in Iraq (SCIRI).

During the parliamentary elections, the United Iraqi Alliance (UIA) won most of the seats in the 275 member Council of Representatives of Iraq. As a result, Tehran claimed victory and sought a bigger share of influence in Iraq.

The reality, however, was otherwise. There were many indications that the majority of the Shiite population in Iraq were secular, independent-minded, and would not endorse Tehran's Velayat-e Faqih system that is based on the absolute rule of clerics. Pro-Tehran Shiites, well funded, trained and armed by Iran, managed to overwhelm the voice of the Shiite majority who did not have the opportunity to stand on its feet before being intimidated or eliminated by Tehran-sponsored Shiite death squads.

There is now a major shift in the balance of power in favor of the more moderate voices of Shiites in Iraq as opposed to the more radicals closely aligned with Tehran.

More than 300,000 Shiites in southern Iraq, believed to be Tehran's stronghold, signed a statement calling for an end to what they referred to as "Iranian terrorist interferences," and demanded the United Nations to investigate the Islamic republic's involvement in Iraq.

Sheikh Jassim Al-Kazim, leader of the Independent National Democratic Tribes' Assembly, in interviews with major Western media in Baghdad, said that the statement's signatories include 14 clergies, 600 sheikhs, 1,250 jurists, 2,200 physician, engineers, university professors and 25,000 women.

"The Iranians, in fact, have taken over all of southern Iraq," said a senior tribal leader from the south who spoke with the Washington Post on condition of anonymity because he feared for his life. "Their influence is everywhere."

"The most painful stab in the back of the Shiites in Iraq by the Iranian regime has been its shameful abuse of Shiite religion to achieve its ominous end," the sheiks said in the statement. "The only solution and hopeful prospect for Iraq, and in particular the southern provinces, is the eviction of the Iranian regime from our homeland."

Contrary to suggestions in recent weeks that Iran was slowing the flow of bombs, money, and other forms of support to Shiite extremists in Iraq, a top commander of the U.S. forces in Baghdad said on November 26, that there has been no letup in attacks and weapons-smuggling by Iranian-backed Shiite militants in some parts of Iraq's capital.

Despite a 75 percent decline in overall attacks in his area, there was an increase last month in the most lethal kind of roadside bombs — the explosively formed projectiles (EFPs) that come from Iran, said Army Col. Don Farris who is commander for coalition forces in northern Baghdad.

The tribal leaders also told the media that their effort is being supported by the Mujahedin-e Khalq (MEK). The group is the main Iranian opposition, and has headquarters in Iraq's Diyala province in Ashraf city. Its members enjoy U.S. military protection in Iraq as "protected persons" under the Fourth Geneva Convention.

Sheikh Al-Kazim, in an interview with Al-Jazeera TV, said that the statement condemned the Iranian regime's allegations against the MEK and declared their support for the organization.

In an interview with the Iraqi daily, Az-Zaman, Ayad Allawi, former Iraqi Prime Minister and current head of the Iraqi National Accord, emphasized the legitimacy of the continued presence of the MEK in Iraq. Allawi, himself a Shiite, added that a section of the MEK, as a political movement, exists in Iraq with limitations on its activities, while other parts of it operate in Iran and the rest of the world. He stressed that eviction or expulsion of MEK members (Tehran's main demand from the Iraqi government) has no place in Iraqi values or principles.

In addition, Iraqi Vice President Tariq Al-Hashemi told the Al Hurriyah TV, which is affiliated with the Patriotic Union of Kurdistan (PUK), the party of Iraqi president Jalal Talabani, that "the presence of the Iranian Mojahedin [MEK] in Iraq is based on the international conventions recognizing members of the organization as political refugees."

The new realities of Iraq indicate that the United States should empower the coalition of the more moderate and anti-Tehran Iraqis, which includes both the Sunnis and the Shiites. Iraqis believe that the main Iranian opposition has played a very constructive role in Iraq in order to isolate Tehran and its proxies; U.S. should recognize and enhance this role by removing all restriction from the MEK.


Alireza Jafarzadeh is a FOX News Channel Foreign Affairs Analyst and the author of "The Iran Threat: President Ahmadinejad and the Coming Nuclear Crisis" (Palgrave Macmillan, 2007).

Jafarzadeh has revealed Iran's terrorist network in Iraq and its terror training camps since 2003. He first disclosed the existence of the Natanz uranium enrichment facility and the Arak heavy water facility in August 2002.

Prior to becoming a contributor for FOX, and until August 2003, Jafarzadeh acted for a dozen years as the chief congressional liaison and media spokesman for the U.S. representative office of Iran's parliament in exile, the National Council of Resistance of Iran.

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

From Berlin to Baghdad

  Paulo Casaca

1. The end of the beginning

The convenient beginning is the end, the famous "end of history" of Francis Fukuyama, the convenient end being the beginning, the real beginning of a new era of democracy, tolerance, respect and freedom.

The crumbling of the Soviet regime surprised the vast majority of the observers and experts that had to struggle to find a convenient explanation for the sudden end of the longest war ever fought without a single shot (that is, in the main battle field).

Some saw the wisdom in Ronald Reagan tough stance, some others on the long containment policy (trying to forget how disastrously it failed in Southeast Asia, Africa and the Middle East) and Mr. Fukuyama decided to amuse himself using the philosophical Hegelian dialectics of Marxism to explain the failure of its own creation.

Somehow, what can only be read as an act of humour, became the most significant masterpiece on the "post - Berlin wall" doctrine, and most in the West decided to believe in the charade that made the advent of democracy so dead certain as the socialism and communism had been in the historic determinism of the Hegel-Marx cocktail (whose main cook was actually Stalin).

So democracy was to rule everywhere, if you would just allow the forces of history to carry out their job.

Right from the start, democracy had indeed a no-go area: the Greater Middle-East. There, Gulf oil than whatever else, Palestinian interests were thought to be defended by curbing Israel, not by assuring democracy and the rule of law, and the Iranian regime got a sudden boost by the threat posed by the invasion of Kuwait by Saddam Hussein.

Nearly two decades after the beginning of the disintegration of the Soviet Empire, democracy actually flourished in places where it had old roots, like in Central Europe, in Chile and other parts of Latin America, it got a nice try in Lebanon with the Cedars Revolution, succeeded spectacularly in Taiwan and South Korea, countries that experienced a phenomenal development in the previous decades, was confirmed in India and found in Brazil a new geopolitical centre, but failed in most of the rest of the World.

Still, the conventional wisdom goes with the historic determinist logic, and nowhere else is this more obvious than in China, where it was assumed that one just had to wait for the average Chinese to get sufficiently rich for the totalitarian state to fall like the old skin of a snake.

In the mean time the possibility of this wealth becoming the motor not only of dictatorship in China but in the rest of the World was never considered. Recent events confirming China as one of the champions of World dictatorships from Burma to Zimbabwe are an evidence of how wealth did indeed become the driving force for dictatorship rather than the reverse.

2. The Iraqi disaster on the making

The so-called neo-conservatives were the ones that diverged from this common wisdom and dared to say that if you want democracy you have to fight for it, and their vision gained a new momentum with September eleven.

Otherwise, with the fall of the Twin Towers, the conventional wisdom of the Middle-East as a no-democracy area also crumbled and the American Giant decided to take matters into its own hands.

So, at this stage, it is important to clarify that I fully subscribe to two of the basic points that emerged in the consensus of that time behind the intervention on Iraq:

1. The Great Middle-East is the present crucial battle ground;

2. Democracy is as good a recipe for the Greater Middle-East as it is for everywhere else.

Furthermore, for some time, I assumed that the Western leadership would understand that Islamic fanaticism was the main issue and, therefore, the intervention in Iraq could be seen as nothing else than as an intermediate step to challenge fanaticism in the region, starting by Iran.

I wrongly assumed that after the 1991 experience, when the advancing American army, looking back, found flags showing Khomeini's portrait, it was common knowledge that the Iraqi operation had to face confront from the start.

Besides that, there were clever and pro-Western Iraqis that had explained the possible ways forward for an Iraqi intervention, such as Adnan Al-Pachachi and Ayad Allawi.

They understood that the Baathist ideology had crumbled, Iraq had been decades before perhaps the most advanced country in the Middle-East (with better economic, social and even political indicators than my own country, Portugal) and it became a disaster with Saddam.

If not a fully-fledged democracy, it would be possible to establish an authoritarian but benign state over there, which would not threat his neighbours, would give a better life to its citizens and could become a platform to face the fanatic beasts.

To do so, you did not need much, as they correctly assessed that the Tikrit clan was ever more isolated and the bulk of Iraq would feel relieved to get read of Saddam Hussein. However, the danger posed by the Iranian led Iraqi forces was the main question that had to be correctly managed.

US departments that have been often accused of being responsible for the major blunders of the country's foreign policy, like the CIA, were backing this perspective, so one could face the future with some optimism, I thought.

That was not to be!

Sensible people were sent to the gutter, adventurers with conspicuous relations with the Iranian theocracy were sent in; the first ever modern terrorist group, created as a special department of the Iranian Revolutionary Guards (the Superior Council for the Islamic Revolution in Iraq) was given space to occupy most of Iraq. One just had to read the existing literature on terrorism to find out about the terrorist credentials of this organisation.

If this was not enough, the post-invasion managed to be much worse. Iranian demands were rapidly and consistently fulfilled, from bombing and killing of its opponents in Iraq; to dismantle the Iraqi State (beginning with the Armed forces and the police); to classify Tribes as "back warded"; and to lavishly subsidise religious structures.

The West promised democracy, but instead, it imposed an Islamic Revolution in Iraq. The autopsy of this blunder is yet to be made, but some sketchy traits are already clear.

Going through recent bibliography about the Iraqi specifically or the US and the UK in relation with the Iraqi operation, one gets an image of a leadership deeply ignorant, incompetent and hooked on action at any price.

This is certainly the fundamental factor to explain how things turned out so badly, but it is not enough.

To find out the real dimensions of the problem, the UK may be a better playground, as the UK leadership can be taken to suffer less of these three diseases. "Occupational hazards" from Rory Stewart is a first hand account of a top civil servant acting as Governor and assistant Governor in two Southern Iraqi provinces in 2003/2004. It shows how the UK actively backed the Iranian occupation of the country, for which the author does not feel any remorse anyway.

It is my conviction that only a large Iranian penetration in the main decision centres of the West can explain what happened.

In other words, for understanding the dimension and reason why of the disaster, one has to assume that, besides the now jailed former Congressman Bob Ney, there are other people in the central structures of power (power in the political, media and civil society dimensions) acting on behalf of the Iranian regime.

Actually, how can we understand that the official policy of the US is still to back Mr. Maliki as Prime-Minister of Iraq after all the evidence he gave that he obeys to Iranian interests?

One can doubt the reports that show him, already in 1983, as the master minder of his party terrorist attacks against the US Embassy in Kuwait, but one cannot ignore the reality that US Generals are witnessing and transmitting from Iraq.

In fact, the US policy is leaning for both two bad options: a military strike on Iran, sponsored by the Defence structure, and the continued appeasement policy, sponsored by the bulk of the rest of the World together with a big chunk of US diplomacy.

3. The third option

The main danger is the Iranian theocracy. The appeasement partisans, the very same that, in the State Department, refused to classify Al Qaeda as a terrorist organisation in 1997 when it was decisive to do so, now says that the US should concentrate on fighting Al Qaeda and not fighting Iran.

This is not taking into account that - both before and after the Taliban interlude - Al Qaeda has been working in Tandem with the Iranian regime, and it has no other strategic perspective than the Iranian theocracy perspective.

Saudi Arabia is the first target of Al Qaeda and it is ludicrous to confuse both of them. Actually, Saudi Arabia promotion of jihadism took place, to a large extent, as a way to compete with Iran as the leading force in Islamic Orthodoxy.

For Saudi Arabia this battle is lost, and it is the survival of the regime that is at stake, not at the hands of the democratic forces, unfortunately, but at the hands of the Iranian stooges.

The situation might change if the Taliban proxies take hold of Pakistan, but we are not there yet.

So, after understanding the geography of the problem, it is also fundamental to understand its nature: it is indeed Islamic fanaticism, a phenomenon that has ideologically survived for a long time and that shows a new and unexpected strength, especially because it has a powerful, developed and skilled country behind it.

A military solution to the problem is certainly even more elusive than it was in Iraq, and we have to come to terms with a reality where a containment policy is the best solution, containment that should start by reversing the existing policy on the Iranian opposition, should continue with smart sanctions - diplomatic to start with - should centre on its eviction from his present number one expansion territory: Iraq, closely followed by the other countries where it is installing itself: Palestine, Lebanon and Syria.

Iraq is a possibility, if we just stop supporting the enemies of democracy, if we assist those who want to keep Iraq together, if we find an intelligent solution to come about Kurdistan, if we involve the Arab League and the Arab Iraqi neighbours, if Europe gets fully engaged, and if the US concentrates on dealing with the Iranian theocracy threat.

Then, we must find a strategy to promote democracy everywhere, with the Greater Middle-East as a top priority. What we learned up to now is that it is much easier to do so when there are democratic traditions, when there is development and a certain level of living standards, but we have to go further than reciting the obvious.

For now, I think it is necessary to bear in mind that democracy does not become a reality just because you hope so and it does not work either just by military means, but we need still to go a long way to have a proper adapted strategy to address the issue.

Brussels, 2007-10-17

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